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Here de Mcguire. Revista Raw, volume 2 número 1. Pela sobreposição de tempos afectivos e históricos, em narrativa paralela, transcendendo o espaço da acção através de um ritmo minimal.

Num meio excessivamente permeável aos populismos, fluindo em correntes de margens apertadas, seguimos aqui uma proposta de contra-ponto às sucessivas listagens caracterizantes de uma linguagem que, à bem pouco tempo, saiu das páginas dos periódicos para encontrar uma nova identidade através do livro. A primeira constatação seria por demais óbvia, até porque nos enunciados que apresentam “as melhores bandas desenhadas de sempre” quase não incluem inflexões na sua tipologia. Num olhar breve, poderíamos dizer que prevalecem critérios de secundarização da linguagem em favor de estigmas estilísticos assentes numa espécie de vocação institucional.

Nick abre la puerta de Keko. Revista Medius Revueltos, número 3. Dicotomia cromática salientando uma realidade interior em oposição a uma realidade exterior.

Duas vertentes estão em linha de conta. A primeira, e não menos óbvia, seria a distinção entre linguagem e indústria. A linguagem da narrativa gráfica coloca os seus intervenientes numa relação directa com abordagens de  espaço-tempo numa folha de papel, na qual tomam forma códigos expressivos de imagem-sentido-texto como elementos de sintaxe; revelando-se estes numa ou várias páginas de permutas sequenciais.

Enfer I e II de Silvestre. Relations, Editions Amok, Collection Feu! número 5. Estas páginas são apenas um exemplo. Todo o livro explora a encenação de variações gramaticais cuja semióptica é interdependente aos diálogos mencionados.

Quanto à indústria, esta explora os valores canónicos  extrapoláveis da linguagem, tornando-os dogmáticos dentro de um quadro de reconhecimento sócio-cultural que, por norma, tende a sistematizar a valorização do “reconhecível” dentro de um modelo-padrão. Absorvendo, sempre que economicamente viável, qualquer pauta ideográfica possível de replicar com “sucesso”.

Anita de Stefano Ricci e Gabriella Giandelli. Fréon Édition. Pelo valor matérico do cromatismo enquanto elemento dramatúrgico da narrativa, sublinhando um enunciado que vive dos sentimentos numa montagem que exclui a acção linear.

A segunda vertente, em linha de conta, traduz-se pela enunciação de autores cujo nome adquiriu um valor superlativo, para além de qualquer análise crítica – séria – da sua obra, apresentando um estatuto  à priori imune a qualquer recensão que não seja a sua marca de difusão, inscrevendo-se como alter-ego da própria linguagem. Não há nada pior do que uma obra que não levante questões…

Fenêtres sur L’Occident de H. Cava e Raúl. Editions Amok. Subjectividade da narrativa, num evento histórico, organizada entre a sequência de série e decomposição. A ressonância de conteúdos é estabelecida de forma indirecta.

Por uma razão de constrangimento deste segundo ponto e tendo em linha de conta o anterior, nesta lista das dez melhores bandas desenhadas foram excluídos nomes sonantes, estando somente mencionadas pranchas recentes que a nível da linguagem julgamos poderem ser, modestamente (ou não), significativas. Realçando-se  que, de facto, ainda não existem as “melhores” narrativas, dado que a curta história desta arte só confirma que ainda está longe de ter adquirido a sua maior idade. Apenas cintilam algumas propostas que continuamos a nomear.

Mutterhuchen de Anke Feuchtenberger. Jochen Enterprises. Expressão de um universo feminino onírico em que se valoriza, simultaneamente, uma linguagem gráfica sem modelos de referência editorial.

 

Dans ma Maison de Papier de Pierre Duba (adaptação da peça de teatro de Dorin Philippe). 6 Pieds Sous Terre. Duba inscreve neste livro quase tudo o que é possível à narrativa gráfica, até este momento, no plano da transposição dos códigos formais enquanto discurso intertextual; apontando para diversas planificações de página como elo narrativo e não somente ritmico.

 

Le Dernier des Mohicans de Cromwell e Catmalou adaptando livremente o romance de James Fenimore Cooper. Editions Soleil. Um autor formal que com este livro abre um outro caminho no qual se reafirma a cor enquanto elemento narrativo, com as imagens a extenderem-se ao limite da página. Só a má escolha no tipo de letra e um excessivo enfoque nas cenas de acção impedem esta obra de uma primazia raras vezes reconhecivel em banda desenhada.

 

Barques de Vincent Fortemps (página 13 e 18) Editions Frémok. Um documentário em imagens silenciosas e agrestes que prolonga um espectáculo multi-média criado em 2007. Este é um trabalho de grande maturidade narrativa, um diamante em que o movimento coexiste no tempo e não na acção.

 

Hearts de John Hankiewicz. Fantagraphics Books. Pois a linguagem da banda desenhada está para lá das histórias de aventuras, super heróis ou outros imaginários afins. Tão pouco se fica apenas por novelas gráficas, com mais ou menos sucesso. Quatro módulos narrativos sequenciados em quatro momentos, entre luz e sombra que fazem pulsar um instante de emoção contida. A interpretação sim, faz parte da comunicação…

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Screenshot da loja de livros, site Quarto de Jade.

Mantendo uma acessibilidade permanente, a loja do site Quarto de Jade divide-se em seis secções diferentes cujos trabalhos visuais têm por raiz ou simbiose uma estreita ligação com as palavras; nomeadas ou escritas. Pintura, gravura, ilustração, pranchas originais de banda desenhada, livros e serigrafias complementam um conjunto de trabalhos disponíveis para usufruto directo, além de acrescentarem às secções não comerciais deste site uma outra visualidade da expressão desenvolvida por Maria João Worm e Diniz Conefrey.

Nesta loja destacamos de forma particular a secção de Livros, sobretudo por aí se encontrarem os títulos das edições Quarto de Jade, cuja primeira edição remonta ao ano de 2007 com Electrodomésticos classificados. Todos os títulos que foram publicados até esta data encontram-se acessíveis para encomenda no site, sem custo de portes. Clicando sobre o quadrado da imagem, será apresentada a capa assim como uma breve descrição dos conteúdos, além das características mais específicas do objecto. Por debaixo desse quadrado, clicando na indicação de PDF, poderá ter acesso a duas páginas interiores referente à publicação que queira consultar.

Capa do primeiro livro publicado pelas edições Quarto de Jade e o título mais recente, Nagual, de 2017.

Os pagamentos podem ser efectuados por Paypal ou por transferência bancária, neste último caso através do email suporte@quartodejade.com. Das vendas entretanto efectuadas estima-se a entrega por correio normal, em embalagem de acondicionamento apropriado, num prazo de três dias úteis; no caso de Portugal continental. Deixamos pois este convite a conhecerem e partilhar os livros que publicamos: http://www.quartodejade.com/shop_books.php

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O compositor e trompetista Jon Hassel é um criador visionário de um estilo de musica à qual chamou Quarto Mundo, descrevendo-o como “clássico café-colorido” – um híbrido de musica misteriosa que se desdobra entre a polaridade do antigo e do digital; compondo e improvisando o Oriente e o Ocidente. Nas duas últimas décadas os seus registos construíram um estilo único de trompete vocal (desenvolvido através de estudos com o mestre Indiano de canto Pandit Pran Nath) inspirando uma geração de colaboradores como Brian Eno, Peter Gabriel, Kronos Quartet e Ry Cooder.

Jon Hassel colaborou em gravações de músicos reconhecidos, bandas sonoras, teatro-dança e programas de televisão. O seu disco Fascionoma, de 1999, produzido por Ry Cooder com o mestre de flauta bansi Ronu Majumdar e o pianista de jazz Jacky Terrasson, inspirou uma nova geração de musicos europeus, especialmente trompetistas como Arve Henriksen, Erik Truffaz, Paolo Fresu e Nils Petter Molvaer; todos reconhecendo a influência de Hassel, liderando para lá do centro gravitacional de Miles Davis.

Em 2005, Jon Hassel iniciou uma tournée com a sua nova banda, os Maarifa Street, tocando para novas audiências europeias da Noruega a Madrid, tendo passado em 2013 por Lisboa, onde actuou no Teatro Maria Matos sob o tema Sketches of the Mediterranean: Celebrating Gil Evans. Em paralelo com novos concertos e gravações, mais recentemente, Hassel intensificou o seu trabalho através da publicação do livro The North and South of You. Parte desse trabalho foi realizado numa série de conversas públicas com o seu colaborador musical de à 25 anos, Brian Eno. Ambos têm inspirado profundamente todo o sentido narrativo, cromático e temático das imagens que tenho tido oportunidade de concretizar. Com especial relevo para o livro Meteorologias (Edições Quarto de Jade, 2016), criado directamente dos fluxos musicais que Jon Hassel me tem suscitado; acompanhando os gestos que tomam forma em folhas de papel debruçadas sobre a planura do estirador.

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Lisboa

«Vinte escritores e vinte ilustradores partilham a sua Lisboa secreta, nostálgica, imaginária, histórica, perdida, subterrânea, suja ou utópica. De Guia Ler e Ver no bolso, o leitor, seja ele turista, morador temporário, visitante curioso ou mesmo alfacinha, poderá percorrer os mais inesperados itinerários lisboetas e conhecer diferentes cidades que habitamos no nosso quotidiano sempre feito de memórias longínquas, momentos marcantes, dias horrorosos ou pequenos-almoços corriqueiros.»

Uma breve nota para acrescentar, ao texto da contracapa desta edição da Egeac, que uma das participações neste guia colectivo são 4 páginas da autoria de Maria João Worm, descrevendo sumariamente um percurso que vai do Jardim das Conchas ao Museu da Marioneta. A ilustração contemporânea desta edição conta com autores diversificados, tanto em termos gerecionais como das expressões que lhes são próprias, unidas pelo fio da continuidade temporal.

Lisboa 1

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LMG

A propósito da recente exposição de Luis Manuel Gaspar na Galeria Acert, em Tondela, transcrevemos um pequeno texto da autoria de Rosa Maria Martelo sobre a obra deste poeta ilustrador. A exposição ainda pode ser apreciada até ao dia 20 de Abril do corrente ano:

Associação Cultural e Recreativa de Tondela Rua Dr. Ricardo Mota, 18; 3460-613 Tondela.

Oganização da ACERT, em colaboração com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa.

 «”Compreender é associar, para a inteligência não há melhor exercício do que a imagem”, escreveu Jean Epstein. E os trabalhos de Luis Manuel Gaspar dão-lhe certamente razão. Entre a natureza e a máquina, entre o humano e o não humano, certas imagens desta exposição descobrem nexos que se fortalecem do prévio afastamento que vêm desfazer. Encontramos o planisfério terrestre nas manchas da quitina de um artrópode, flores que se humanizam num sexo, seres humanos que adquirem traços de um insecto ou de um crustáceo, uma cabeça que também é uma lâmpada e um olho, tecidos cujas dobras se desfazem em folhagem, rostos que admitem uma visão subcutânea, madeixas de cabelo a lembrarem patas de aranha… Tudo desenhado com o máximo rigor, mas entre uma figuração realista e a transfiguração anti-realista resultante das conexões improváveis que nos são reveladas. Se estas imagens nos parecem “muito lentas”, como disse António Barahona, é porque precisamos de as decompor, de analisá-las a partir das sensações contraditórias que produzem em nós. E nesse exercício revelam-se as palavras que as habitam. Muitos dos desenhos de Luis Manuel Gaspar subentendem as palavras da poesia. Não apenas porque a surpresa que provocam pode resultar de articulações metafóricas, de um tropo que liga dois reinos para produzir um terceiro, mas também porque, em muitos casos, os desenhos se destinaram a acompanhar poemas, ou partiram de textos; e ainda porque, nas pranchas dedicadas a vários poetas, encontramos as imagens que Luis Manuel Gaspar quis que víssemos nos versos reproduzidos, ou a par deles. É um mundo onde as imagens da poesia e as imagens visuais se interpelam mutuamente. Livremente. Um mundo para ver, ler e imaginar. Fluido, delicado, irónico e inquieto. E cheio de gravidade.»

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Aproveitamos também para publicar as respostas de Luis Manuel Gaspar ao questionário de Sara Figueiredo Costa para a agenda da ACERT, aquando da programação cultural referente ao período de Janeiro-Março de 2016:

-Parte do teu trabalho de ilustração pode ser visto em capas de livros de poesia. Como decorre esse processo de criar uma imagem que sirva de porta para um universo que se desdobra em tantos pedaços?

O maior desafio é tentar encontrar uma imagem que provoque uma impressão semelhante à que ficou da primeira leitura dos versos, seja essa impressão de mistério, violência ou viagem… A ilustração da capa deve ser exactamente uma porta, que apresenta os poemas mas os deixa intocados para a leitura.

-A tua relação com a poesia não se limita ao trabalho de capista, passando pela edição crítica, pela divulgação, até pela prática. Quase como o «Barnabé», de Sérgio Godinho, o que é que tem a poesia que é diferente do resto?

A poesia é a pedra de toque, a razão de todo esse trabalho. Poesia é o próprio processo: a escrita, a edição, a criação de imagens comunicantes. É também o resultado desse trabalho, quando misteriosamente resulta.

-Criar imagens relacionadas com a literatura, capas ou outros trabalhos — como as bandas desenhadas que fazes a partir de poemas —, cria um outro universo, visual, a partir do verbal. Há mais de complementaridade, de iluminação naquele sentido etimológico da palavra «ilustrar», ou de novo mundo naquilo que fazes?

Procuro um difícil equilíbrio sempre a partir do amor pelo texto. A iluminação dada pelas imagens é algo que se oferece às palavras a partir dos novos mundos que elas nos trouxeram.

 

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ilustr small press

Ilustração de Maria João Worm e Diniz Conefrey para o PSPY 2015.

O Portuguese Small Press Yearbook é uma publicação anual que apresenta, em forma de cátologo (28 x 21 cm), vários artigos relativos ao mundo da pequena edição. Já com 3 anos de existência, a edição de 2014/2015 é dedicado a editores enquanto no número anterior, vários colectivos de artistas que editam livros apresentaram os seus critérios de funcionamento. A editora desta publicação é Catarina Figueiredo Cardoso, publicada por ela própria e Isabel Baraona. O design gráfico ficou a cargo de Pedro Pinto Santos.

Para esta edição fomos convidados a escrever sobre a nossa chancela editorial de que se seguem breves trechos:

«O que nos viria a motivar na chancela Quarto de Jade é esta capacidade transversal permitida pela relação entre as palavras e as imagens, guardando a memória que liga as histórias ficcionadas com a História maior.»

«Partirmos para a auto-edição aconteceu-nos nem sempre por desejo imediato. O facto de não haver editora interessada, fez-nos indo avançando por conta própria. Pode parecer que a Quarto de Jade publica os nossos livros recusados por outras editoras, também já nos aconteceu essa experiência, mas ela levou-nos a publicar o que nos é próprio, com o devido respeito por cada edição, cada uma sentida como única, não havendo uma ideia pré definida de colecção, sendo que a linha editorial reside na nossa liberdade de expressão. »

small press

Além de chancelas editoriais, a edição de 2015 apresenta inestimáveis coordenadas sobre todas as pequenas edições realizadas no ano a que se refere, tanto em livro como em revista, assim como obras de referência (incluindo periódicos electrónicos), livrarias, colecções, bibliotecas e arquivos além de feiras e outros eventos de divulgação. De referir que esta excelente publicação apresenta toda a sua informação em português, inglês e francês.

Links:

http://ptsmallpress.blogspot.pt/

https://www.facebook.com/ptsmallpress/

 

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quartojade

O site Quarto de Jade foi actualizado com novos trabalhos. Continuamos desta forma a divulgar, em várias áreas, tanto a nossa expressão visual mais recente como seguimos, na Galeria, a fixar o rasto da memória daquilo que nos envolveu durante os anos 90 e o início deste século. Este mapeamento exposto passa tanto pela apresentação de portfolios, narrativas gráficas, exposições (virtuais ou registo das que tiveram espaço físico), assim como os pensamentos em sketches que estão na base da imagética ou dos livros, disponíveis para venda através de uma loja online. A visita não tem custos, convidando à partilha de um espaço cujo nome surgiu à 6 anos e que vai seguindo o seu percurso como chancela editorial:

www.quartodejade.com

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edit 1

EDIT é uma nova feira de edições organizada pela STET – livros e fotografias, que se realiza a 27 e 28 de Junho e terá lugar no renovado espaço da Galeria Monumental (ao Campo Mártires da Pátria), aproveitando as suas várias salas e jardim.

Com o boom editorial que o meio artístico tem vivido nos últimos anos (através da auto-edição e do interesse de editoras e instituições pelo livro de autor), torna-se clara a importância da existência de livrarias especializadas, assim como encontros e feiras que dêem a ver e abram o debate sobre estas publicações. Com a EDIT pretende-se fazer circular publicações que pela sua especificidade, pequena escala e meio em que são produzidas, têm muitas vezes dificuldade em chegar às livrarias generalistas e ao público. Serão apresentas edições muito variadas, algumas são livros, outras são múltiplos em formatos diversos (poster, desdobrável, caixa) e com tiragens variáveis. Haverá editoras e instituições reconhecidas, mas também edições de autor, livros de artista e edições limitadas. Haverá livros que vão da fotografia ao desenho, do design aos livros para crianças, de edições teóricas a fanzines ou revistas de arte.

edit 2

Para isso a STET convidou algumas das editoras, artistas, associações, instituições e livrarias de que mais gosta, em todo o país, para mostrarem as suas publicações.

Este ano conta-se coma presença de: 1359, ATLAS, Cine Qua Non, Culturgest, Dois Dias, Fanzines e Martelos, GHOST, HiHiHi, Homem do Saco, Ideias no escuro, Inc., Kunsthalle Lissabon, Oficina do Cego, Pierre von Kleist, Pierrot le fou, Revista 4, Scopio, Fundação de Serralves, Sismógrafo, Sistema Solar, Stollen books, Tipo.pt, entre outras.

Haverá também apresentações, debates e lançamentos de vários autores e editoras.

Durante a feira estará disponível um bar de apoio e esplanada, a funcionar no jardim da galeria.

 

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JdC 2

Debo señalar también que encuentro continuamente frases de Moore, Brancusi, Chillida, Wotruba, etc., y de los pintores Joaquín Torres-García y Tápies entre otros, que de una u otra manera se conectan con frases que le he escuchado a Javier: probablemente, algunas de ellas las ha leído, pero siento que más que haberlas leído (y asimilado), son frases a las que solamente pudo haber llegado en el trabajo cotidiano y en su manera de abordar el hecho escultórico-artístico. Es fundamental señalar que todos estos artistas tienen algo en común: conocen, respetan y experimentan con el material con que trabajan; aman y por eso defienden el trabajo manual, más que cualquier especulación teórica; crean obras con gran vitalidad expresiva; creen en la sensibilidad del artista para construir una obra con una estructura formal sólida.

Yo no creo en la obra exclusivamente emocional. El arte debe ser riguroso. El artista sólo puede encontrar su libertad en la disciplina

Jorge Dubon

JdC 1

El arte de la precisión. El arte de la austeridad. Así podría ser definida la tarea escultórica que realiza Javier. Lo he visto trabajar por mucho tiempo. En una escultura que yo creía que ya estaba terminada porque sus formas (pocas) se relacionaban de manera armónica, Javier seguía trabajándola para darle a los planos una sutileza que al principio apenas estaba delineada. Cada forma en sus esculturas, es muy distinta a las demás; comparten el tratamiento formal (lo pulido, la indicación clara de los planos dominantes tan importante para Rodin y Matisse), pero están concebidas para desarrollar un movimiento o ritmo (dentro de ese objeto escultórico que estático): sus esculturas están concebidas en profundidad. Cuando uno observa un lado de su escultura encuentra una forma que está dirigido hacia uno, pero detrás (arriba y abajo) otras formas están jugando con esa que uno está observando: uno entrevé esas otras formas, pero al dar la vuelta observa que esa otra forma tiene características muy distintas a la que uno había observado: puede ser más filosa, mucho más larga o corta, puntiaguda o recta, en fin, pero siempre te sorprenderá.

JdC 4

Su escultura siempre fluctúa entre lo orgánico y lo geométrico: diríamos, parcialmente, entre Henry Moore y Eduardo Chillida. Digo parcialmente ya que tanto Moore como Chillida tienen que ver con otros artistas o aún con obras artísticas de otras culturas: el arte mesoamericano, las esculturas de las islas Cícladas, el arte escultórico de Oceanía y por supuesto la arquitectura y artistas de otros siglos hasta llegar a Velázquez, Goya, Rodin, Brancusi, Giacometti, etc. Javier se conecta con esa larga tradición que tiende su visión del arte en los orígenes.

Padeletti dice sobre Fernando Espino que éste prefiere gastarse en dos o tres formas, que muestren lo que quiere decir y no derrochar sus energías en una gran cantidad de formas que puedan crear ruido o confusión formal; en otras palabras, ahorra sus medios técnicos. Esto mismo podría decirse de Javier: la austeridad ante todo: ni derroche ni adorno. Esto sugiere una actitud ética ante el arte como ante la vida.

El artista es un hombre de fe en la pintura

Joaquín Torres-García

JdC 3

Ezra Pound divide al arte, al igual que lo hace la medicina, en dos: uno es el arte de diagnóstico y el otro el arte de curación. “Uno persigue el culto de la fealdad-, (o demuestra, diremos, las iniquidades en muchos ámbitos humanos) y el otro el culto de la belleza. El culto de la belleza es la higiene, el sol, el aire y el mar y la lluvia y el baño en los lagos”. (Pound no quiere decir que uno de los dos tipos de arte sea mejor que el otro, sino que tiende a objetivos distintos. Por eso en el arte de diagnóstico nombra a Villon, Baudelaire, Flaubert, entre otros).

Del Cueto cree en un arte de curación: arte que traspasa las fronteras espacio temporales de una sociedad y tiende a un arte intemporal. Lo logra a partir de sus configuraciones formales concebidas dentro de una escultura sólida, pero no rígida sino con un gran ritmo interior. Esto también sucede con las esculturas cicládicas, por supuesto también con Brancusi. Arte que surge en un tiempo, que utiliza todos los avances de él, pero que tiende a purificar, a clarificar a eternizar. A Javier esto lo hermana con Torres-García, que veía en el arte incaico, (estructural, geométrico) un arte que siempre tendía a lo abstracto, indestructible, eterno.

JdC 5

El arte de Javier, como todo gran arte, surge de la contemplación en el hacer para crear obras que exigen una contemplación (un tiempo suficiente de percepción en sus cualidades formales) del espectador. Es un arte que en ese sentido va en contra de nuestra época, confusa, veloz, inquieta, en la cual el bombardeo de imágenes y la estetización (la mayoría de las veces vacía) de los objetos manufacturados son la marca de ésta. Más que ir en contra, como dije, nos da una opción distinta: el espectador, a partir de la contemplación de sus obras, puede llegar a tener una experiencia estética profunda.

Texto de Luis Verdejo

http://javierdelcueto.com/galeriacutea.html

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Baudin

 

Pour justifier son refus de lui accorder un prix prestigieux, un éditeur lui confia un jour: “Si vous aviez été récompensé, cela aurait tué la bande dessinée telle qu’on la connait aujourd’hui. Vous, Baudoin, vous ne faites pas la bande-dessinée, vous faites de l’art, de la poesie. Ça ne nous intéresse pas.

To justify his refusal to give him a prestigious award a publisher admitted one day: “If you had received it, it would have killed comics as we know them today. You, Baudoin, you don’t create comics, you create art and poetry. That doesn’t interest us.

In The Crib Sheet, by Domingos Isabelinho

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