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Posts Tagged ‘Edições Quarto de Jade’

Hoje entrou na gráfica o novo livro sequencial de Maria João Worm. Deste tempo todo, já que as edições Quarto de Jade assinalam, desde Abril, dez anos de publicações, apresenta-se um novo título que deverá estar disponível em meados de Agosto.

«Se se acorda mais cedo que o dia, fica-se à espera do tempo. Cumprimentam-se os fantasmas já limpos do sangue e dos fluidos, como bebés que voltam para serem entregues às mães. Fino fio que nos cabe em revelação, onde avança sempre a construção do céu. Linhas de crochet que ancoram em velhas toalhas de mesa, algumas sem nódoas de sonhos, imaculadamente tristes.

Assim. Digo. Avança a vida.» https://mjworm.wordpress.com/

 

 

 

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E se as palavras forem desenhos inscritos dentro das formas do que designam?

Uma vez reconhecida esta possibilidade, pode-se assistir à conversa das letras. E são múltiplas as conjugações com a matéria perecível. Perante a sobreposição opaca fica a opção de escolher, reenquadrar com o sentido do gesto que a cada ser pertence.

Corpo, astro, molusco, ínfima parte, rotação de letras. Pensamento.

Em silêncio, o corpo deitado imóvel, tem a delimitação do barco e a carnação de uma ilha que avista ao largo a passagem de frases feitas construídas em estaleiros.

E de onde vêm estas imagens que se constroem por si? Eficazes como o arpão, as redes e o anzol. Mas o mar tem o horizonte e é indiferente às linhas rectas com que as quilhas dos barcos cortam o espaço.

Falta uma palavra, escondeu-se debaixo da língua. No palco escuro do quarto revestido a ardósia deixa de chiar o giz, separa-se o objecto do manipulador. Falha a memória do nome, mas não o que se sabe dele.

E a cabeça compete consigo própria, como nos ensinaram na escola para reproduzir na Vida.

E é assim tão importante a rapidez da resposta?

Estando a palavra debaixo da língua não poderá encontrar-se no lugar que permite a passagem para outro significado?

Acordámos as palavras e elas despertam-nos.

Enquanto os livros no escuro, de costas voltadas para o mundo, afirmam as lombadas duras e carreiros de letras em linha recta para evitar que nos percamos tão facilmente.

De volta ao desenho, à chave, ao reconhecimento, ao que esteve sempre lá, antes de o sabermos nomear.

Se me falha a palavra, como te digo o que penso?

Conto uma história acerca dela e no centro do espaço vazio, a sua ausência toma forma ao se deixar revestir pelo esforço que a faz alumiar-se. Aí está a palavra, a que procuro, a que me faz girar em torno dela, como um planeta à volta de uma estrela.

Um outro tempo, uma flutuação, o que para a ostra é uma vida inteira, e com ela tudo o que existe partilhamos. No ínfimo, a dança dos átomos.


Do catálogo «O barqueiro com a palavra debaixo da língua». Maria João Worm, 2016.

 

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Por ocasião do 10º aniversário da existência do Quarto de Jade, selo editorial dos autores Maria João Worm e Diniz Conefrey, a Livraria/Galeria Tinta nos Nervos apresenta a exposição «Entre Mundos», de dia 25 de Maio a 6 de Junho, em cooperação com o Museu Bordalo Pinheiro/EGEAC.

Esta será uma selecção judiciosa de trabalhos éditos e inéditos de ambos os autores, que se têm desdobrado nas áreas das artes visuais, banda desenhada, ilustração, e as artes dos múltiplos, por vezes  em colaboração directa, ainda que as afinidades se façam sentir através das obras mono-autorais da sua chancela editorial. Encontraremos um conjunto de quase duas dezenas de imagens nas mais díspares valências, empregando técnicas mistas onde se cruzam materiais  e suportes, alguns usuais, outros incomuns; intervenções e colagens além de originais em gravura. Oscilando entre o figurativo e o abstracto, o icónico e o poético, o narrativo e o ambíguo, há aqui uma verdadeira constelação cujos extremos poderão dar a ideia de mundos distintos, mas que se ligam por elos subtis.

A cooperação com o Museu Bordalo Pinheiro/EGEAC consubstanciar-se-á numa segunda exposição naquela instituição, com trabalhos diferentes, dos autores, em data a anunciar.

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Em cada livro aberto

respira-se o presente

http://www.quartodejade.com/shop_books.php

Podemos aqui citar o comentário espirituoso de Italo Calvino, a quem uma mulher perguntou: «Desejaria que eu lesse nos seus livros somente aquilo de que você está convencido?»

«Respondi: “Não é isso. Dos leitores eu espero que leiam nos meus livros qualquer coisa que eu não soubesse; mas só posso esperar isto daqueles que esperam ler qualquer coisa que eles, por sua vez, não soubessem.”»

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Duas voltas no campo demarcado, os sinais cruzados no chão das ruas sem esperarem. Os transeuntes é que esperam. Esperam chegar a um destino para esse dia, numa hora agendada com antecedência. Quem se perde já nas ruas? Enquanto vamos ali e já voltamos, a máscara continua a proteger o mimo de si próprio que, durante estes últimos tempos, desencadeou uma espécie de furor para salvar o corpo daqueles seres microscópicos que andam à solta. Parece a guerra dos mundos, de um tal Wells, mas não é… E o poema continua a sua fluição. Uma vaga desse sentir plasmado nas imagens, emergindo sentidos nas palavras, abrindo as nossas próximas criações de ajuntamento editorial.

Memória – Planície Pintada

Durante o ano passado partilhámos um livro no qual nos diluímos, ao escolher conjuntamente os textos, desencontrados e reencontrados por entre desenhos e goivas esculpindo no seio de uma planície pintada. Não muito longe do lugar do sonho, ou da visão, seguiu-se um aprofundar da relação que já outros livros prometiam, desafiando também o leitor a expor-se à única equação válida que uma narrativa gráfica contém. As páginas são pautas respirando floema dorsal, através da musicalidade permanente gerada no tempo/espaço silencioso a oferecer, e a receber, todas as expressões que a mão inteligente respira, depois de adormecida a voragem da percepção.

Esboço para um novo livro

Se nos tem acompanhado perceberá que o nosso ranking é baixo. No entanto, preparamos dois novos títulos que sairão em breve, continuamente inspirados por esta passagem momentânea sem descurar a criação de outros autores, como os ambientes musicais de Brian Eno ou as paisagens de longa duração de Jon Hassel. Para não falar dos Inuit e da postura dos animais recriados pelo olhar do coração, vivendo nas pregas de uma luva, um cachimbo, canivetes que cortam o espaço à procura do tempo brilhando nas estrelas vastas.

Zoeiro Bambu

Neste intervalo surgiu uma nova sequência a partir do livro Meteorologias. Está disponível na nossa página do facebook e chama-se Zoeiro Bambu. Não publicámos em 2020 mas os livros estão vivos na impermanência da qual participam, recriando-se, por vezes, ao habitar os próximos que estamos a fazer. Capas são montras e a exposição das caixinhas de luz aguardam por dias menos mascarados. Do floema cresceu um pequeno tronco. Um vagar de criação esculpindo formas em papel de cujo plano surgiu uma série de anotações, dando conta em imagens das heranças intuídas através da memória dos seis continentes que constituem este vertiginoso planeta. No final, voltamos sempre ao espaço que nos viu nascer.

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O mercado nacional de banda desenhada tem estado tão ativo, e o espaço disponível para falar dele é tão diminuto, que é sempre ingrato fazer escolhas. Por isso, escolhe-se aquilo que talvez menos gente fale.

Como o notável trabalho gráfico de Diniz Conefrey na sua mais recente coletânea de narrativas curtas “Floema dorsal” (Quarto de Jade). “Floema” é o tecido vascular das plantas no qual circula matéria orgânica produzida a partir da fotossíntese, a chamada “seiva elaborada”; por oposição, no “xilema” circulam água e sais minerais (“seiva bruta”). Já “dorsal” implica as costas, onde, nos vertebrados, se desenvolve o sistema nervoso. No trabalho sempre onírico e aqui maioritariamente a preto e branco de Conefrey há essa articulação comunicante entre formas abstratas que evoluem e se interpenetram de forma quase orgânica (“Nas rajadas de um sonho”), ou desequilibram a noção que o leitor tem de abstracto-real (“Impermanência”, “Onde estão as borboletas”).

Texto e cor são aqui elementos raros, o primeiro por vezes estranha-se na sua poética (como no visualmente deslumbrante “Cigarra”), ou surge enquanto contraponto absoluto essencial (“O lugar sem espera”, talvez a melhor sequência, enquanto BD). Já o uso de cor enquanto elemento gráfico é sempre superlativo (“Impermanência”, “Cigarra”), e, apesar da mestria do preto e branco, sentimos muitas vezes a sua falta. Seja como for, o trabalho de Diniz Conefrey transporta sempre para onde nunca sabíamos poder ir.

 João Ramalho Santos, Jornal de Letras de 15/1/2020 

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No próximo sábado, dia 25 de Janeiro, pelas 16H30, faremos a apresentação do livro Floema Dorsal, de Diniz Conefrey, na livraria Tinta nos Nervos – Rua da Esperança 39, em Santos.

Um convite a todos para participarem numa conversa em redor de um livro que ensaia diversas abordagens de justaposição entre banda desenhada abstracta e figurativa. A sequencialidade pode não estar dependente de uma intriga, ou mesmo da presença humana, como já havia sido proposto no livro Meteorologias em 2016. Ao contrário deste último, a tónica, neste novo livro, assenta na abordagem rítmica de fluxos temporais representados, maioritariamente, por formas volumétricas. Recordaremos as origens que levaram ao desenvolvimento destas narrativas, que se desenvolvem como temas musicais, na sua relação formal e intuitiva, realçando o “sentir” como condição cognitiva através de uma expressão não planeada de acontecimentos visuais em progressão, modelando uma escala de tempo. O que poderá emergir se, de manhã, abrirmos a janela e um outro olhar convocar aquilo que habitualmente não estamos atentos a ver?

A conversa contará com a presença do autor, de Maria João Worm, co-editora da Quarto de Jade e artista colaboradora em Floema Dorsal, além de Mariana Pinto dos Santos, historiadora de arte e editora.

 

 

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No final de um ciclo, histórias para o bom presente, celebrando o novo ano que se aproxima. Da prateleira um fiozinho sai de um livro, lembra-nos uma planta verde que vimos crescer de uma fechadura, na porta de uma casa desabitada. Desta imagem que parecia um cadeado sem intenção, sustem-se outra, que vem do gesto. Breve passagem, uma marca entre as folhas que aguarda o reencontro com a frase em aberto.

 

 

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A decorrer desde o dia 24 de Outubro, o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora continua a marcar presença no Fórum Luís de Camões. Deixamos aqui o link para o programa das exposições deste ano: http://amadorabd.com/amabd2019/index.php/programa/exposicoes.

Como já vem acontecendo durante este evento, vários títulos das edições Quarto de Jade estão disponíveis no espaço da livraria Dr Kartoon. Editados durante este ano podem encontrar os livros Planície Pintada, Cardos Maduros ou Floema Dorsal. Além de edições anteriores como L’Orso Borotalco e la Bambola Nuda Italiana, de Maria João Worm ou Nagual, Meteorologias, O livro dos Dias e Os Labirintos da Água de Diniz Conefrey.

Os autores estarão presentes, no fim-de-semana de encerramento do Festival, nos dias 1, 2 e 3 de Novembro, das 15h00 ás 18h00, durante a sessão de autógrafos, para assim contactarem directamente com os leitores interessados nas narrativas gráficas que temos vindo a publicar. Citando Thierry Groensteen, tudo o que dura contém música – da mesma forma que tudo o que é visível contém desenho e tudo o que se move contém dança. Ritmos, sejam eles breves ou extensos, definem a “música” que os nossos livros propõem ao converter o espaço em tempo, com ou sem palavras.

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Uma vez mais as edições Quarto de Jade vão estar presentes na Feira Gráfica em Lisboa. Este ano o evento realiza-se no fim-de-semana de 26 e 27 de Outubro, novamente no Mercado de Santa Clara, entre as 11h00 e as 19h30.

Com produção da Câmara Municípal de Lisboa e curadoria de Emanuel Cameira, Filipa Valladares, Gonçalo Duarte e Xavier Almeida, assume-se como um importante evento na capital virado para a promoção da cultura escrita e artística difundida no contexto de uma diversidade de iniciativas micro-editoriais, de diferentes pontos do país, ora ligadas ao universo do livro (de artista, fotografia, literatura, ilustração), ora a outros que também compõem a tão vibrante intervenção criativa contemporânea (revistas e jornais culturais, fanzines, impressões serigráficas, etc.).

Além da venda de publicações, e da participação, pela primeira vez, de editoras estrangeiras, a Feira Gráfica contará, em paralelo, com um programa de lançamentos e workshops: https://www.facebook.com/feiragraficalisboa/?epa=SEARCH_BOX

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