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Posts Tagged ‘Edições Quarto de Jade’

A exposição que vamos apresentar no Museu Bordalo Pinheiro, com início a 13 de Outubro de 2021, insere-se no âmbito comemorativo dos dez anos de existência do selo editorial Quarto de Jade, complementando a exibição Entre Mundos, que decorreu entre Maio e Junho na Livraria-Galeria Tinta nos Nervos.

Se na primeira mostra, desta colaboração entre a Livraria e o Museu, a incidência foi no trabalho gráfico individual dos autores Maria João Worm e Diniz Conefrey, agora a exposição Ouvido Interno – orgão do qual resulta o logótipo da Quarto de Jade – circunscreve-se exclusivamente a originais ou livros que foram publicados na chancela editorial que ambos partilham.

Ficam desde já convidados a visitarem esta resenha da nossa deriva editorial. Em complemento, disponibilizamos o link para a exposição A Flor da Pele no nosso site: http://www.quartodejade.com/gallery_exhibitions.php?id_authors=1

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Este novo livro de Maria João Worm para as Edições Quarto de Jade aborda a passagem, o tempo, a possibilidade, o breve respirar da individualidade que se alimenta e se dá em alimento, segundo a contínua sequência da vida. É como um pestanejo entre mundos, onde circulam fantasmas, que se reinventam através das histórias. Tu és os meus olhos apresenta-se com capa dura, 100 páginas num formato de 21,7 cm x 27,5 cm numa edição de 60 exemplares.

Pergunta Aguk o pequeno inuit que ficou preso no enredo da história que contaram acerca dele: – Para quê, querido Neto, me queres libertar de um papel que conheço e onde me fixaram para me colocares noutro? O Neto diz-lhe: -Entre dois pontos fixos, ocorre a esperança, a breve possibilidade de acertar o gesto particular reconhecendo o que é comum. Então seremos como asas de borboleta sobrevoando o padrão.

Este livro encontra-se disponível através da loja do nosso site: http://www.quartodejade.com/shop_books.php

 

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Na sua linha editorial o selo Quarto de Jade respira uma vontade poética ao publicar narrativas, dando forma a imagens sequenciais, enquanto linguagem de fusão, além da simbiose entre texto e imagem. Nesse sentido tem realizado as suas edições em duas vertentes: o livro como objecto e a narrativa gráfica como ensaio.

Partirmos para a auto-edição aconteceu-nos nem sempre por desejo imediato. O facto de não haver editora interessada, fez-nos indo avançando por conta própria. A Quarto de Jade levou-nos a publicar o que nos é próprio, com o devido respeito por cada edição, cada uma sentida como única, não havendo uma ideia pré definida de colecção, sendo que a linha editorial reside na nossa liberdade de expressão. Assim, cada livro luta com o seu orçamento e é pensado na melhor forma de se apresentar, para ser integro em forma e conteúdo. Não tanto o “como deve ser” para o mercado mas o que cada livro pede para ser feito.

Continuaremos a partilhar as nossas publicações ou trabalhos visuais que, além do site Quarto de Jade, podem ser encontrados nas seguintes livrarias:

Baobá

Letra Livre

Dr Kartoon (Coimbra)

Mundo Fantasma (Porto)

Tigre de Papel

Poesia Incompleta

Tinta nos Nervos

Paralelo W

Flâneur (Porto)

Nouvelle Librarie Française

Almedina Rato

Leituria

Stet

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Hoje entrou na gráfica o novo livro sequencial de Maria João Worm. Deste tempo todo, já que as edições Quarto de Jade assinalam, desde Abril, dez anos de publicações, apresenta-se um novo título que deverá estar disponível em meados de Agosto.

«Se se acorda mais cedo que o dia, fica-se à espera do tempo. Cumprimentam-se os fantasmas já limpos do sangue e dos fluidos, como bebés que voltam para serem entregues às mães. Fino fio que nos cabe em revelação, onde avança sempre a construção do céu. Linhas de crochet que ancoram em velhas toalhas de mesa, algumas sem nódoas de sonhos, imaculadamente tristes.

Assim. Digo. Avança a vida.» https://mjworm.wordpress.com/

 

 

 

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E se as palavras forem desenhos inscritos dentro das formas do que designam?

Uma vez reconhecida esta possibilidade, pode-se assistir à conversa das letras. E são múltiplas as conjugações com a matéria perecível. Perante a sobreposição opaca fica a opção de escolher, reenquadrar com o sentido do gesto que a cada ser pertence.

Corpo, astro, molusco, ínfima parte, rotação de letras. Pensamento.

Em silêncio, o corpo deitado imóvel, tem a delimitação do barco e a carnação de uma ilha que avista ao largo a passagem de frases feitas construídas em estaleiros.

E de onde vêm estas imagens que se constroem por si? Eficazes como o arpão, as redes e o anzol. Mas o mar tem o horizonte e é indiferente às linhas rectas com que as quilhas dos barcos cortam o espaço.

Falta uma palavra, escondeu-se debaixo da língua. No palco escuro do quarto revestido a ardósia deixa de chiar o giz, separa-se o objecto do manipulador. Falha a memória do nome, mas não o que se sabe dele.

E a cabeça compete consigo própria, como nos ensinaram na escola para reproduzir na Vida.

E é assim tão importante a rapidez da resposta?

Estando a palavra debaixo da língua não poderá encontrar-se no lugar que permite a passagem para outro significado?

Acordámos as palavras e elas despertam-nos.

Enquanto os livros no escuro, de costas voltadas para o mundo, afirmam as lombadas duras e carreiros de letras em linha recta para evitar que nos percamos tão facilmente.

De volta ao desenho, à chave, ao reconhecimento, ao que esteve sempre lá, antes de o sabermos nomear.

Se me falha a palavra, como te digo o que penso?

Conto uma história acerca dela e no centro do espaço vazio, a sua ausência toma forma ao se deixar revestir pelo esforço que a faz alumiar-se. Aí está a palavra, a que procuro, a que me faz girar em torno dela, como um planeta à volta de uma estrela.

Um outro tempo, uma flutuação, o que para a ostra é uma vida inteira, e com ela tudo o que existe partilhamos. No ínfimo, a dança dos átomos.


Do catálogo «O barqueiro com a palavra debaixo da língua». Maria João Worm, 2016.

 

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Por ocasião do 10º aniversário da existência do Quarto de Jade, selo editorial dos autores Maria João Worm e Diniz Conefrey, a Livraria/Galeria Tinta nos Nervos apresenta a exposição «Entre Mundos», de dia 25 de Maio a 6 de Junho, em cooperação com o Museu Bordalo Pinheiro/EGEAC.

Esta será uma selecção judiciosa de trabalhos éditos e inéditos de ambos os autores, que se têm desdobrado nas áreas das artes visuais, banda desenhada, ilustração, e as artes dos múltiplos, por vezes  em colaboração directa, ainda que as afinidades se façam sentir através das obras mono-autorais da sua chancela editorial. Encontraremos um conjunto de quase duas dezenas de imagens nas mais díspares valências, empregando técnicas mistas onde se cruzam materiais  e suportes, alguns usuais, outros incomuns; intervenções e colagens além de originais em gravura. Oscilando entre o figurativo e o abstracto, o icónico e o poético, o narrativo e o ambíguo, há aqui uma verdadeira constelação cujos extremos poderão dar a ideia de mundos distintos, mas que se ligam por elos subtis.

A cooperação com o Museu Bordalo Pinheiro/EGEAC consubstanciar-se-á numa segunda exposição naquela instituição, com trabalhos diferentes, dos autores, em data a anunciar.

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Em cada livro aberto

respira-se o presente

http://www.quartodejade.com/shop_books.php

Podemos aqui citar o comentário espirituoso de Italo Calvino, a quem uma mulher perguntou: «Desejaria que eu lesse nos seus livros somente aquilo de que você está convencido?»

«Respondi: “Não é isso. Dos leitores eu espero que leiam nos meus livros qualquer coisa que eu não soubesse; mas só posso esperar isto daqueles que esperam ler qualquer coisa que eles, por sua vez, não soubessem.”»

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Duas voltas no campo demarcado, os sinais cruzados no chão das ruas sem esperarem. Os transeuntes é que esperam. Esperam chegar a um destino para esse dia, numa hora agendada com antecedência. Quem se perde já nas ruas? Enquanto vamos ali e já voltamos, a máscara continua a proteger o mimo de si próprio que, durante estes últimos tempos, desencadeou uma espécie de furor para salvar o corpo daqueles seres microscópicos que andam à solta. Parece a guerra dos mundos, de um tal Wells, mas não é… E o poema continua a sua fluição. Uma vaga desse sentir plasmado nas imagens, emergindo sentidos nas palavras, abrindo as nossas próximas criações de ajuntamento editorial.

Memória – Planície Pintada

Durante o ano passado partilhámos um livro no qual nos diluímos, ao escolher conjuntamente os textos, desencontrados e reencontrados por entre desenhos e goivas esculpindo no seio de uma planície pintada. Não muito longe do lugar do sonho, ou da visão, seguiu-se um aprofundar da relação que já outros livros prometiam, desafiando também o leitor a expor-se à única equação válida que uma narrativa gráfica contém. As páginas são pautas respirando floema dorsal, através da musicalidade permanente gerada no tempo/espaço silencioso a oferecer, e a receber, todas as expressões que a mão inteligente respira, depois de adormecida a voragem da percepção.

Esboço para um novo livro

Se nos tem acompanhado perceberá que o nosso ranking é baixo. No entanto, preparamos dois novos títulos que sairão em breve, continuamente inspirados por esta passagem momentânea sem descurar a criação de outros autores, como os ambientes musicais de Brian Eno ou as paisagens de longa duração de Jon Hassel. Para não falar dos Inuit e da postura dos animais recriados pelo olhar do coração, vivendo nas pregas de uma luva, um cachimbo, canivetes que cortam o espaço à procura do tempo brilhando nas estrelas vastas.

Zoeiro Bambu

Neste intervalo surgiu uma nova sequência a partir do livro Meteorologias. Está disponível na nossa página do facebook e chama-se Zoeiro Bambu. Não publicámos em 2020 mas os livros estão vivos na impermanência da qual participam, recriando-se, por vezes, ao habitar os próximos que estamos a fazer. Capas são montras e a exposição das caixinhas de luz aguardam por dias menos mascarados. Do floema cresceu um pequeno tronco. Um vagar de criação esculpindo formas em papel de cujo plano surgiu uma série de anotações, dando conta em imagens das heranças intuídas através da memória dos seis continentes que constituem este vertiginoso planeta. No final, voltamos sempre ao espaço que nos viu nascer.

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O mercado nacional de banda desenhada tem estado tão ativo, e o espaço disponível para falar dele é tão diminuto, que é sempre ingrato fazer escolhas. Por isso, escolhe-se aquilo que talvez menos gente fale.

Como o notável trabalho gráfico de Diniz Conefrey na sua mais recente coletânea de narrativas curtas “Floema dorsal” (Quarto de Jade). “Floema” é o tecido vascular das plantas no qual circula matéria orgânica produzida a partir da fotossíntese, a chamada “seiva elaborada”; por oposição, no “xilema” circulam água e sais minerais (“seiva bruta”). Já “dorsal” implica as costas, onde, nos vertebrados, se desenvolve o sistema nervoso. No trabalho sempre onírico e aqui maioritariamente a preto e branco de Conefrey há essa articulação comunicante entre formas abstratas que evoluem e se interpenetram de forma quase orgânica (“Nas rajadas de um sonho”), ou desequilibram a noção que o leitor tem de abstracto-real (“Impermanência”, “Onde estão as borboletas”).

Texto e cor são aqui elementos raros, o primeiro por vezes estranha-se na sua poética (como no visualmente deslumbrante “Cigarra”), ou surge enquanto contraponto absoluto essencial (“O lugar sem espera”, talvez a melhor sequência, enquanto BD). Já o uso de cor enquanto elemento gráfico é sempre superlativo (“Impermanência”, “Cigarra”), e, apesar da mestria do preto e branco, sentimos muitas vezes a sua falta. Seja como for, o trabalho de Diniz Conefrey transporta sempre para onde nunca sabíamos poder ir.

 João Ramalho Santos, Jornal de Letras de 15/1/2020 

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No próximo sábado, dia 25 de Janeiro, pelas 16H30, faremos a apresentação do livro Floema Dorsal, de Diniz Conefrey, na livraria Tinta nos Nervos – Rua da Esperança 39, em Santos.

Um convite a todos para participarem numa conversa em redor de um livro que ensaia diversas abordagens de justaposição entre banda desenhada abstracta e figurativa. A sequencialidade pode não estar dependente de uma intriga, ou mesmo da presença humana, como já havia sido proposto no livro Meteorologias em 2016. Ao contrário deste último, a tónica, neste novo livro, assenta na abordagem rítmica de fluxos temporais representados, maioritariamente, por formas volumétricas. Recordaremos as origens que levaram ao desenvolvimento destas narrativas, que se desenvolvem como temas musicais, na sua relação formal e intuitiva, realçando o “sentir” como condição cognitiva através de uma expressão não planeada de acontecimentos visuais em progressão, modelando uma escala de tempo. O que poderá emergir se, de manhã, abrirmos a janela e um outro olhar convocar aquilo que habitualmente não estamos atentos a ver?

A conversa contará com a presença do autor, de Maria João Worm, co-editora da Quarto de Jade e artista colaboradora em Floema Dorsal, além de Mariana Pinto dos Santos, historiadora de arte e editora.

 

 

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