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Posts Tagged ‘Exposições’

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A dicotomia das linguagens é o elemento essencial que as torna vibrantes nos conteúdos, através do registo expressivo que procura na sua fórmula encarar sentidos para além das descrições. «A pintura é uma poesia muda, a poesia uma pintura que fala» (Simonide, segundo Plutarco). Tendo em consideração o debate permanente, entre a oposição do texto e da imagem, por exemplo, ao longo da história da ilustração, não é raro depararmo-nos com uma interligação profunda entre dois sistemas aparentemente distintos. Da mesma forma que a fotografia aporta ao cinema, pela sua própria imobilidade, uma nova dimensão. A linguagem poética, enquanto evocadora de uma dimensão mais profunda da realidade, acarreta em si essa possibilidade primordial em que signo e significado se fundem na possibilidade musical de uma expressão meta-linguística. Um exemplo, modestamente pertinente dessa dimensão, poderá ser apreciado na recente exposição patente na livraria Paralelo W, até ao final do mês de Outubro.

Colagem 5

Colagem 3

Esta mostra de colagens de vários autores tem, quanto a nós, esse tactear indelével que procura nos seus limites mostrar o essencial através de um discurso sensitivo onde imagem e palavra regressam ao seu núcleo constitutivo. Não é de estranhar a reafirmação da experiência surrealista nas composições que fazem lembrar Max Ernst ou o registo de imagens delicadas, no caso dos trabalhos de Miguel de Carvalho que, transpostos para livro, acabam por resultar numa leitura demasiado estanque. Faltando-lhe, por ventura, as inflexões rítmicas no quadro sequencial, ficando as imagens congeladas entre si mas com interesse enquanto “escrita” e composição individual.

Colagem 4

O caso mais saliente encontra-se na experiência do poeta Rui Pires Cabral. Desde a publicação de «Biblioteca dos Rapazes», passando por «Oh! LUSITANIA», tem vindo a criar uma linguagem em que o corpo tatuado das palavras toca as simbioses mais intimistas de uma semântica que apresenta novos ritmos e dimensões à expressão poética, muito para além da literatura. Talvez por isso as suas imagens escritas pareçam mais discretas nesta exposição; no entanto esta nunca ficará completa sem que se saia da livraria com um exemplar da edição de «Elsewhere / Alhures» que aponta já para uma nova dimensão desse quarto improvável que este poeta, decididamente, soube abrir a porta.

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quartojade

O site Quarto de Jade foi actualizado com novos trabalhos. Continuamos desta forma a divulgar, em várias áreas, tanto a nossa expressão visual mais recente como seguimos, na Galeria, a fixar o rasto da memória daquilo que nos envolveu durante os anos 90 e o início deste século. Este mapeamento exposto passa tanto pela apresentação de portfolios, narrativas gráficas, exposições (virtuais ou registo das que tiveram espaço físico), assim como os pensamentos em sketches que estão na base da imagética ou dos livros, disponíveis para venda através de uma loja online. A visita não tem custos, convidando à partilha de um espaço cujo nome surgiu à 6 anos e que vai seguindo o seu percurso como chancela editorial:

www.quartodejade.com

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setubal 2

Desde 1 de junho passado que a livraria Culsete está a colaborar com a FESTA DA ILUSTRAÇÃO, É PRECISO FAZER UM DESENHO?, a acontecer em  Setúbal durante todo o mês de junho.

Esta livraria encontra-se representada na Avenida Luísa Todi, nas antigas instalações do BPI (junto à Casa d’Avenida).

E se algumas paredes desse espaço estão cobertas com as ilustrações de Beatriz Manteigas em todo o resto podem ver-se livros ilustrados, do melhor que se edita entre nós, além de muitos álbuns mandados vir propositadamente para esta Feira do Livro Ilustrado.

Aí vão encontrar a Abysmo, a Documenta, a Kalandraka, a Planeta Tangerina,  a Quarto de Jade e muitas outras editoras onde a qualidade da ilustração é uma marca distintiva. Banda desenhada, manga (ou mangás) em português, novelas gráficas, álbuns ilustrados de diversas temáticas e com diferentes origens ajudam a construir uma mostra de grande qualidade e variedade que dificilmente poderá voltar a encontrar no mesmo espaço.

Edições de autores de Setúbal ou sobre Setúbal e livros em promoção também estarão presentes.

A Culsete estará neste espaço até 28 de junho, das 9:30 h às 20 h, de terça a sábado e das 12 h às 19 h aos domingos e segundas. Outras exposições poderão ser visitadas perto deste espaço.  Na Avenida Luisa Todi concentram-se várias  galerias da cidade.

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5 - O colibri à esquerda

Toma-se com esta edição, que conjuga texto e imagem, uma perspectiva que propõe, através da vivencia particular de uma personagem, reflectir a leitura de um mundo, mesmo que este nos seja alheio e distante no tempo. O gosto pela interpretação também passa por assumir uma consciencia de que nem todos os aspectos, mesmo que semelhantes na aparencia, são inteiramente realizaveis na evocação de um corpo social e cultural já distante. Como sucedaneo de um longo caminho de comunicação semiótica encontra-se, também, esta infima proposta que apresenta uma visão de um passado através dos instrumentos que a narrativa gráfica moderna disponibiliza. Para mostrar uma parte do seu interior reconhecível, fica o convite para a exposição virtual Relatos do Livro dos Dias, no site Quarto de Jade que, com a colaboração da Pianola Editores publicaram o livro agora disponivel na loja do mesmo site.

O livro

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 postal frente y vuelta
Con la inestimable colaboración de la Embajada de Portugal en México, la editorial lisboeta “Quarto de Jade” y la gran ayuda de Nemours, casa galería presenta Te escribo de lejos de María Joao Worm…maestría compositiva, luz de Lisboa, veladuras finas en la construcción de espacios y atmósferas, imagen evocadora….poesía pura….
Maria Joao Worm, es una reconocida ilustradora portuguesa de gran recorrido profesional, que además tiene importantes reconocimientos a nivel nacional como europeo.
postal frente y vuelta
Hola
Espero que estés bien,
Me ha gustado mucho recibir tu carta donde me dices que, finalmente, parecía que habías conseguido lavarte los ojos, retirar el filtro sucio que se acumula a partir de un cierto tipo de conocimiento y que empezabas de nuevo a volver a ver.
Tienes razón cuando dices que viajar no es una cuestión de tiempo o de distancia, pero que el condicionamiento de lo que transportamos nos permite reinventar la voluntad de vivir.
En cuanto a la exposición te digo que es la primera vez que junto trabajos de diferentes ediciones, de esta manera se vuelven más inseguros fuera de su contexto pero también más libres del papel que siempre representaron.
Acá el cielo me parece más alto, y se siente el peso de la tierra pulsando.Pasarás por acá el día 24?Un abrazo

MAPA CASA GALERIA

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cartaz

Como o cartaz indica, a décima edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja vai decorrer de 31 de Maio a 15 de Junho de 2014. Será, sem dúvida, uma excelente oportunidade para conhecer uma das cidades mais bonitas do país com a vantagem de que poderá ser apreciada, quase na sua totalidade, em passeio pedestre. Destacaríamos, para esta edição, a exposição dedicada ao autor italiano Guido Crepax, tão mais “polémico” não somente pela sua visão pessoal da sucessão de vinhetas em pormenor como da sua abordagem ao universo erótico feminino… se é que é disso que se trata… Seja como for, o Festival de Beja vai marcando a sua presença no universo das narrativas gráficas, contando com o empenho decidido de dois dos autores nacionais mais destacáveis, no campo das imagens que se permutam intimamente com as palavras. Hoje em dia, revejo o meu olhar mais crítico sobre o já findo Salão Lisboa, cujo modelo assentava num princípio mais homogéneo, no que diz respeito ao âmbito dos distintos “universos” apresentados neste tipo de eventos; cuja expressão tende a abarcar um espectro alargado de tendências diferentes mas que não se encontram em permuta.

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A exposição estará patente até ao dia 10 de Junho, de terça a domingo, das 15.30h às 19.30h.

A exposição estará patente até ao dia 10 de Junho, de terça a domingo, das 15.30h às 19.30h.

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Pedro Burgos

Durante o triénio de 2009-2012, Pedro Burgos publicou a sua Crónica Desenhada no Jornal Arquitectos ao ritmo trimestral de 1 página. Esta crónica constituiu uma colaboração regular sob a forma de banda desenhada, transformando os sucessivos temas lançados pela revista em pequenos ensaios gráficos. A exposição Crónicas de Arquitectura mostra as pranchas originais publicadas no JA e os esboços que antecederam o desenho final de cada uma das páginas, assinalando igualmente a sua recente compilação em livro numa edição Turbina/Mundo Fantasma.

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NORA 3

The Writer, Pedro Nora & Pedro Moura. Revista Quadrado nº 3, Maio 2001.

A propósito de ontem à noite ter estado a ver o filme Home of the Brave, de Laurie Anderson, no YouTube, lembrei-me – com a presença do poeta norte americano William S. Burroughs – de colocar uma entrada sobre o autor de narrativa gráfica Pedro Nora. Sem querer adiantar os meus pressupostos em relação a este autor nortenho, decidi transcrever um texto sobre o mesmo, redigido por Pedro Vieira de Moura para o catálogo da exposição Tinta nos Nervos; uma excelente desculpa para colocar aqui algumas das imagens que mais gosto do trabalho de Nora.

«Formado em design gráfico pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Pedro Nora (Vila Nova de Gaia, 1977) trabalha como profissional nessa mesma área, para variadíssimos clientes. O seu trabalho em banda desenhada começou em companhia de Isabel Carvalho, ainda na faculdade, com o fanzine A Língua (seis números entre 1999 e 2001). Esse também seria o nome do projecto editorial que publicaria a antologia Stad (A Língua e Associação  Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto, 2001) e a importante revista Satélite Internacional (quatro números entre 2002 e 2005), verdadeira antologia da banda desenhada internacional contemporânea e de escrita ensaística em torno da mesma área. Ainda com Isabel Carvalho, fundaria em 2007 a editora Braço de Ferro – Arte & Design.

NORA 2

Mr. Burroughs, David Soares e Pedro Nora. Círculo de Abuso, Novembro de 2000.

Para além de algumas participações em publicações colectivas nacionais e internacionais, como por exemplo Lisboa24h00 (que contava também com Isabel Carvalho, David Soares, Nuno Fristeus, João Chambel, Miguel Falcato e Vespa; LX Comics, n.º6, Bedeteca de Lisboa, 2000), a Quadrado, a Strapazin ou a Black, Nora foi autor dos livros Mr. Burroughs (Círculo de Abuso, 2000; e versão francesa pela Frémok, 2004; com argumento de David Soares), Anita O’Day e Woody Allen (ambos com argumento de João Paulo Cotrim, e ambos pelas Éditions Nocturne e Corda Seca, 2005). Estranhamente, o “progresso” de Pedro Nora transitou de um começo radicalmente experimental a vários níveis para uma suavização progressiva do seu traço. A sua primeira banda desenhada, que apenas esteve presente  num concurso de banda desenhada e é inédita, Expotâmia (baseada no Outono em Pequim, de Boris Vian) consistia em três pranchas com uma composição totalmente livre, em que a matéria visual e verbal ocupavam sem distinções o espaço e a primazia, e a procura por acidentes propositados era claríssima (notável herança de Ralph Steadman).

NORA 1

The Writer, Pedro Nora & Pedro Moura. Revista Quadrado nº 3, Maio 2001.

Muitas das experiências que se seguiriam procuravam métodos estocásticos de produção, utilizando acrílico raspado sobre folhas de acetato sobrepostas, papel químico (desenho cego), cartolinas coloridas como fundo, e explorando toda a espécie de abordagem figurativa. Mr. Burroughs, por exemplo, é ainda hoje um dos exemplos máximos de modo vincado com que a sua personalidade criativa se impôs na cena nacional, ao mesmo tempo obedecendo e expandindo o programa narrativo de Soares. Os seus dois últimos projectos editados, que respondiam a uma encomenda em torno de uma colecção de CDs, com Cotrim, já se reveste de uma aproximação muito suave, de contornos muito legíveis e aplicações subtis e tranquilas das manchas de cor contidas, baças, invernais e nostálgicas, ainda que a composição das pranchas seja livre e tabular. Todavia, ambas as atitudes devem ser entendidas como formas de exploração gráfica válidas e que aumentam a amplitude criativa de Nora, a cada novo trabalho reveladora de um novo capítulo.»

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intervalo

Os livros não são como os filmes, da mesma maneira não o são outros tipos de publicações que sequencializam com sintaxes diferenciadas textos e imagens. Caberia aqui uma breve nota a propósito das minhas ultimas duas colaborações na revista Intervalo nº5 e nº6. Esta é uma revista que se propõe pensar a actualidade, não sendo de estranhar que cada número apresente uma temática para criar um corpo de reflexão. Os seus editores partem da convicção de que a subordinação a estratégias de sucesso e de imposição de imagens e modelos não é uma fatalidade. Como tal, não visam de modo nenhum concorrer para a acumulação de saber pronto a consumir. Recusam o espaço-tempo do consenso, as suas estratégias comunicativas e as visões totalizadoras. Assim, pretendem desencadear novos ritmos que se afirmem como brechas na edificação tendencialmente hegemónica da cultura. Afirmam o abrandamento de velocidade, a pausa e a incerteza, enquanto modos de resistência às exigências de circulação e comunicação. Atravessar, pela análise e a crítica, as fronteiras entre tipos de discursos e entre estes e as actividades a que se referem. Desenvolver a relação com o heterogéneo, a intempestividade, a dissonância. Acentuar a interrupção, os vazios que se abrem nos enunciados e não são apenas da ordem das distâncias exigidas pela atenção aos outros, mas sim do excesso de significação que intensifica e infinitiza.

lugar

Com uma ilustração de Maria João Worm, colaboro na Intervalo nº5, de 2012, com o texto A casa das flores. Dissertação poética que busca na memória recente a minha experiência em carne viva na Cidade do México. As borboletas têm o tamanho de uma mão aberta e as deambulações ao sabor do mezcal fundem passado e presente de uma vivência repleta dos imponderáveis das contradições; espaços, pessoas… ressonâncias de memória afectiva. Para o nº6, saído à poucos dias, volto a um trabalho realizado na mesma cidade e que espera por ser finalizado. Do romance gráfico Nagual, sobre a qual já tive a oportunidade de publicar um post neste blogue, é publicado neste último numero da Intervalo o capítulo Lugar do Coração, uma banda desenhada de 11 páginas com o texto revisto para se apresentar como uma narrativa “independente”, do corpo que constitui este projecto iniciado em 2007. Um segundo capítulo, O Segredo, está disponível em PDF no site Quarto de Jade; enquanto a narrativa original se mantem suspensa no fio do tempo por acordar. Para mais informações sobre a Intervalo, fica aqui o link da editora O Homem do Saco, para consulta.

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