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Posts Tagged ‘Ilustração’

A consciência do tempo levou-me ao cinema de animação na Escola António Arroio, um gosto  pela sequencialidade, a rima, ouvir e contar histórias,tendência para me encantar com frisos de iluminuras ou letras capitulares.
Depois fiz um curso técnico/profissional de cerâmica: um reencontro com a consequência táctil do gesto e subsequente afinidade com unhas sujas. De escultura no Porto transferi-me para pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa: a questão da luz e a conversa das cores.
Colaborei em revistas, livros e jornais, publicando ilustrações e narrativas gráficas. Tenho usado a técnica da linogravura, para mim é um encontro feliz entre escultura e pintura, nela se acresce o reflexo enquanto poesia aplicada. Das exposições de pintura e gravura destaco A colecção particular  “A” em 2006 na galeria Monumental e a A Fonte das Palavras em 2013 na Casa das Histórias Paula Rego. Em 2011 recebi o Prémio Nacional de Ilustração, com o livro Os Animais Domésticos, edições Quarto de Jade. Foi muito importante para mim ter dado aulas, pela reciprocidade que um espaço de ensaio permite quando se procura a afinação de cada um consigo próprio, para comunicar com os outros.

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Aqui chilreiam  muito, e a casa aberta à luz deixa que o som coincida com o atravessar das tonalidades. Uma casa é um corpo, como a baleia de Jonas, ajuda a perceber que faço parte do corpo maior e que agora habito-o na forma completa do que sou. Toco muitos instrumentos, nem sempre a música é audível. Passo a mão no móvel e ele ressente-se; a balaustrada ronrona. O tecto de madeira guarda o para cima do fundo da lareira de muitos natais. O abat-jour dirige a luz. Este tempo sensível. As cadeiras lembram-se de quase tudo. E os relógios, dois, que se acompanham em ritmo de peregrino. Um puxa pelo outro. Um adianta-se e o outro atrasa-se. Um toca as horas com sonoridade grave, o outro não. Caminham na abstracção de dar a ver a que horas vamos estando por aqui. Como relicários, estão protegidos por vidro e lá dentro o ponteiro de raminho silvestre abriga-se na pequena estufa de uma determinada maneira de ser cumpridor. A corda, o pêndulo. A necessidade do outro. Veios, veias, vale a pena de gaivota escrita tão ligada à vida. Até as moscas pequenas quando pousam no vestido pertencem ao seu padrão. Afinal, o meu vestido refere-se à repetição de moscas e eu, achava que era uma abstracção.

 

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RIZOMA

Ilustração de Maria João Worm para Áudio-postal de Patrícia Portela e Leonor Barata, 2018

Não sabíamos nada das cores. Respirávamos nas alcovas do desejo com um amor secreto por tudo aquilo que está para vir, com a pureza do mundo que não fora feito pela humanidade. No espanto da solidão caminha-se de mãos dadas. Mãos trémulas, por vozes hesitantes mas que aspiram à finalização da vida que respirada por dentro se transforma. E transforma em quê? A pergunta está deslocada, transforma-se porquê? Porque de súbito renasce a vontade de sentir. Não é aquela luz caduca e fugaz dos espectáculos mas a permanência do verbo que sente e que se altera pela combustão das cicatrizes de tudo o que, por intocável, aspira à libertação do amor.

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Ao passarem na Rua Tomás da Anunciação 26B (em Campo de Ourique, Lisboa) e descendo por uns pequenos degraus, entram na livraria Baobá onde podem encontrar livros ilustrados (incluindo banda desenhada) de muita qualidade (nacionais ou estrangeiros) comos os da editora independente Tara Books (India) que publica livros artesanais: «We’re particularly well-known for our screenprinted books made entirely by hand—from the paper to the printing and binding.»
Vale a pena ver mais em: https://tarabooks.com/about/
Documentário sobre «The cloth of the mother goddes»: https://vimeo.com/134023188

Nesta livraria também se encontra à venda a edição numerada, e com uma constelação original desenhada no livro, de Maria João Worm L’Orso Borotalco e la Bambola Nuda Italiana. Assim como um print da página desdobrável deste livro ou uma amostra do cubo O Amor Perfeito já montado.

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Esta chancela editorial de Lisboa ganhou forma com a edição do livro Os Animais Domésticos, em 2011, logo após a edição de Electrodomésticos Classificados. A linha editorial da Quarto de Jade deriva da articulação entre a palavra e a imagem. Nesse sentido tem realizado as suas edições em duas vertentes: O livro como objecto e a  narrativa gráfica, sendo que ambas as abordagens emergem de um sentido poético.

Maria João Worm

A consciência do tempo levou-me ao cinema de animação na Escola António Arroio, depois fiz um curso técnico/profissional de cerâmica. De escultura no Porto transferi-me para pintura na Faculdade de Belas Artes em Lisboa. Colaborei em  revistas, livros e jornais, publicando ilustrações e narrativas gráficas. Tenho usado a técnica de linogravura e para mim é um encontro feliz entre escultura e pintura. Das exposições de pintura e gravura destaco A colecção particular de “A” em 2006 na galeria Monumental e A Fonte das Palavras em 2013 na Casa das Histórias Paula Rego. Em 2011 recebi o Prémio Nacional de Ilustração, com o livro Os Animais Domésticos, edições Quarto de Jade.

Diniz Conefrey

Poeta e ilustrador lisboeta que tem na Cidade do México uma morada sentimental. Adicionou à formação autodidacta o curso de desenho, na Sociedade Nacional de Belas Artes. Desde à vários anos que publica em jornais, revistas e editoras a par de ter efectuado alguns cursos de formação.  Além das exposições que incluíram os seus originais, tanto em Portugal como na Bélgica, Brasil e França, foi bolseiro do Estado mexicano em 2005, 2007 e 2015. Criou, com Maria João Worm, a chancela Quarto de Jade onde edita alguns livros da sua autoria.

 

 

 

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Enquanto a maioria das pessoas apenas interpreta a cor através do sentido visual, alguns indivíduos têm uma relação com esta por sinestesia: a capacidade excepcional para saborear, ouvir, sentir e cheirar a cor (outras formas de sinestesia permitem ver um cheiro, ouvir um sabor e assim por diante). Apesar dos cientistas não terem sido capazes de explicar este pequeno circuito sensorial, a sinestesia produz uma imagem mental imediata, como um número ou um aroma, evocado por certas cores.

Ouvir música ao ver cores é uma reacção sinestésica comum, o que leva vários compositores a caracterizar desta forma as suas composições. Schubert, por exemplo, ligava a escala E menor “a uma rapariga vestida de branco e com um laço rosa-vermelho ao seu peito”. Sentir as cores também é prevalecente entre as crianças, povos ditos primitivos, pessoas psicóticas e indivíduos que tomam alucinógenos.

Na linguagem a sinestesia (do grego – syn – união e esthesia – sensação) designa a junção semântica de planos sensoriais diferentes. Neste caso é criada uma figura de linguagem em que a qualidade de um sentido atribuído a outro (por exemplo: doce vento) emerge numa expressão característica de uma determinada categoria de poetas. Os versos serão tão mais ricos quanto os sentidos cruzados numa única conjugação sensorial.

As particularidades da sinestesia são, porém, mais abrangentes do que estes exemplos, fazendo parte de reflexões no campo das relações com a estética, o conhecimento e a percepção humana; tendo em vista o sistema de multiplas inter-conexões presentes no cérebro. Quando um dado sensório entra nesta rede poderá ser comparado com um seixo lançado numa lagoa: as ondulações espalham-se formando círculos concêntricos activando sensações em todas as áreas sensoriais. O quadro social de “psicologia normativa” tende a mitigar este fenômeno natural que interconecta os vários sensos, normalmente adormecidos e que também podem ser reactivados pela importância que a sensibilidade tem na vida humana. Este não é um processo apenas presente na arte mas de todas as ciências – humanas, exactas e biológicas.

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Ilustração original para o poema «A verdade das chamas no caminho difícil».

Já se encontra disponível o número 12 da revista Cão Celeste, dirigida por Inês Dias e Manuel de Freitas, contando também com a coordenação gráfica de Luís Henriques. Sobre a capa verde uma ilustração de Bruno Borges dando rosto a uma continuidade literária, versando por múltiplos caminhos. Pontos altos são, para nós, as colagens de Miguel de Carvalho, os poemas de Pablo Fidalgo Lareo em «Lições das trevas», o desenho de Débora Figueiredo e «Canções sem palavras», três poemas de Antonia Pozzi. Como sempre, este novo número conta também com a publicação de artigos de análise ou reflexão, abrangendo um espectro tão distinto como as cantigas medievais Galego-Portuguesas, a poesia brasileira e os golpes de estado, além de outras notas e textos que se vão entrecortando por poemas e ilustrações. Dos sentidos da escrita para o mundo global, colaboramos neste número com uma pequena nota fazendo referência à situação de auto-imolações e censura que têm vindo a acontecer, exponencialmente, na província chinesa do Tibete; sobretudo desde 2009 até hoje. «A verdade das chamas no caminho difícil» dá nome ao poema, de um blogger anónimo tibetano, dedicado ao escritor detido Meycheh. Para tomar contacto numa revista cujas coordenadas serão tão mais distintas quanto o mundo em nosso redor se vai empobrecendo de conteúdos.

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