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Posts Tagged ‘Ilustração’

Enquanto a maioria das pessoas apenas interpreta a cor através do sentido visual, alguns indivíduos têm uma relação com esta por sinestesia: a capacidade excepcional para saborear, ouvir, sentir e cheirar a cor (outras formas de sinestesia permitem ver um cheiro, ouvir um sabor e assim por diante). Apesar dos cientistas não terem sido capazes de explicar este pequeno circuito sensorial, a sinestesia produz uma imagem mental imediata, como um número ou um aroma, evocado por certas cores.

Ouvir música ao ver cores é uma reacção sinestésica comum, o que leva vários compositores a caracterizar desta forma as suas composições. Schubert, por exemplo, ligava a escala E menor “a uma rapariga vestida de branco e com um laço rosa-vermelho ao seu peito”. Sentir as cores também é prevalecente entre as crianças, povos ditos primitivos, pessoas psicóticas e indivíduos que tomam alucinógenos.

Na linguagem a sinestesia (do grego – syn – união e esthesia – sensação) designa a junção semântica de planos sensoriais diferentes. Neste caso é criada uma figura de linguagem em que a qualidade de um sentido atribuído a outro (por exemplo: doce vento) emerge numa expressão característica de uma determinada categoria de poetas. Os versos serão tão mais ricos quanto os sentidos cruzados numa única conjugação sensorial.

As particularidades da sinestesia são, porém, mais abrangentes do que estes exemplos, fazendo parte de reflexões no campo das relações com a estética, o conhecimento e a percepção humana; tendo em vista o sistema de multiplas inter-conexões presentes no cérebro. Quando um dado sensório entra nesta rede poderá ser comparado com um seixo lançado numa lagoa: as ondulações espalham-se formando círculos concêntricos activando sensações em todas as áreas sensoriais. O quadro social de “psicologia normativa” tende a mitigar este fenômeno natural que interconecta os vários sensos, normalmente adormecidos e que também podem ser reactivados pela importância que a sensibilidade tem na vida humana. Este não é um processo apenas presente na arte mas de todas as ciências – humanas, exactas e biológicas.

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Ilustração original para o poema «A verdade das chamas no caminho difícil».

Já se encontra disponível o número 12 da revista Cão Celeste, dirigida por Inês Dias e Manuel de Freitas, contando também com a coordenação gráfica de Luís Henriques. Sobre a capa verde uma ilustração de Bruno Borges dando rosto a uma continuidade literária, versando por múltiplos caminhos. Pontos altos são, para nós, as colagens de Miguel de Carvalho, os poemas de Pablo Fidalgo Lareo em «Lições das trevas», o desenho de Débora Figueiredo e «Canções sem palavras», três poemas de Antonia Pozzi. Como sempre, este novo número conta também com a publicação de artigos de análise ou reflexão, abrangendo um espectro tão distinto como as cantigas medievais Galego-Portuguesas, a poesia brasileira e os golpes de estado, além de outras notas e textos que se vão entrecortando por poemas e ilustrações. Dos sentidos da escrita para o mundo global, colaboramos neste número com uma pequena nota fazendo referência à situação de auto-imolações e censura que têm vindo a acontecer, exponencialmente, na província chinesa do Tibete; sobretudo desde 2009 até hoje. «A verdade das chamas no caminho difícil» dá nome ao poema, de um blogger anónimo tibetano, dedicado ao escritor detido Meycheh. Para tomar contacto numa revista cujas coordenadas serão tão mais distintas quanto o mundo em nosso redor se vai empobrecendo de conteúdos.

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Ilustração de Diniz Conefrey para a Revista do Jornal Expresso, 1992.

Montagem de oito minutos a partir do filme «Samsara», de Ron Fricke (2012) com o tema dos Underworld «I Exhale».

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TANGANHOS

“Chamam-se assim os ramos que secam nas árvores e se cortam, para que elas possam crescer melhor e dar mais fruto. Ou então, quando não se podam, aos que vão caindo ao chão e por ali ficam até serem apanhados por quem anda à cata de lenha. São muito bons para atear o fogo.”

Tanganhos, de Mariana Pinto dos Santos e ilustrado por Maria João Worm, é o primeiro livro publicado pelas Edições do Saguão, em Novembro de 2017. Formada em Agosto do mesmo ano, esta chancela propõe trazer aos leitores, em edições cuidadas, literatura e ensaio de autores nacionais e estrangeiros.

Este título, de 76 páginas, apresenta pequenos contos introspectivos com desenho gráfico de Rui Miguel Ribeiro.

Para ver mais em: Edições do Saguão – facebook ou Site da editora.

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SOPRO

Ilustração de Maria João Worm, 2011.

Era branco. Sabes quando não se consegue dormir e a luz fica na parede, projectada? Podemos estragar a imagem que se constituiu por anos e anos de ignorância. Sim. É o respiro das palavras. Sabes, ficam assim. Tontas. Assim. Sabes como é. A parecer assim e vai não vai. Assim. Sandálias desatadas. Nunca. Assim mesmo nunca, para nenhum lugar. E vamos fazer delas sapatos de segunda que nunca souberam proteger os pés. Pois claro que não. Pois somos de bom fundo e sabemos ver a subtileza da dor. Não sabíamos nada das cores. Respirávamos nas alcovas do desejo com um amor secreto por tudo aquilo que está para vir, com o mistério e a pureza do mundo que não fora feito pela humanidade. Calaram-se as vozes e ergueu-se o poema. No espanto da solidão caminha-se de mãos dadas. Mãos trémulas, por vozes hesitantes mas que aspiram à finalização da vida que respirada por dentro se transforma. E transforma em quê? A pergunta está deslocada, transforma-se porquê? Porque de súbito renasce a vontade de sentir. Não é aquela luz caduca e fugaz dos espectáculos mas a permanência do verbo que sente e que se altera pela combustão das cicatrizes de tudo o que, por intocável, aspira à libertação do amor.

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A escolha de um nome é como um movimento interno que pretende determinar, numa súmula, os conteúdos emocionais sensíveis à razão. Fazendo parte também de uma expressão editorial, o nome Quarto de Jade encerra em si uma floresta de jade e um “crystal cabinet” segundo um poema de William Blake.

Se acabou sendo um quarto é um quarto com vista ampla, numa divisão que é também uma partilha. O jade define os seus contornos, de verdes leitosos e polidos, com seus veios gramaticais, representando os valores que se ligam a uma natureza primordial. Como a barra vertical do site, à esquerda do monitor, que é a raíz comum donde deriva a linguagem própria que define a individualidade de cada autor. Por isso existe, além deste blog e do site Quarto de Jade, uma página no facebook cujo princípio é o de partilhar os bastidores das nossas edições: https://www.facebook.com/quartodejade/

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O rio que nasce de uma árvore e entrou passarinho dentro do café. Delicadeza do gesto procurando repor no espaço aberto o pânico das asas a bater numa sucessão multicolor. Tudo vibra nesse momento, resgatando a monotonia dos gestos previsíveis. O rio voando em torno das cabeças enquanto estas olham pensando na melhor forma de devolver o fulgor à vida certa, sem barreiras, para longe do espaço encerrado onde habitam as palavras que nos prendem ao vago torpor. Enquanto isso, incendiada pela luz ofuscante, uma bola jaz quieta, perdida no meio do areal. Objecto facetado em azul transparente, reflectindo a luz vibrante, indiferente a qualquer cor. Porém, é a sombra que lhe devolve esse momento rasante de breve fulgor. Frágil o corpo, carregando a tensão em violência no centro de um medo ancestralmente venoso, entrou na água ofuscante de cristais cintilando enquanto os olhos deslizaram pelo horizonte em veludo de metal transparente.

 

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