Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Literatura’

CEM ANOS COM JUAN RULFO

Anúncios

Read Full Post »

LMG

A propósito da recente exposição de Luis Manuel Gaspar na Galeria Acert, em Tondela, transcrevemos um pequeno texto da autoria de Rosa Maria Martelo sobre a obra deste poeta ilustrador. A exposição ainda pode ser apreciada até ao dia 20 de Abril do corrente ano:

Associação Cultural e Recreativa de Tondela Rua Dr. Ricardo Mota, 18; 3460-613 Tondela.

Oganização da ACERT, em colaboração com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa.

 «”Compreender é associar, para a inteligência não há melhor exercício do que a imagem”, escreveu Jean Epstein. E os trabalhos de Luis Manuel Gaspar dão-lhe certamente razão. Entre a natureza e a máquina, entre o humano e o não humano, certas imagens desta exposição descobrem nexos que se fortalecem do prévio afastamento que vêm desfazer. Encontramos o planisfério terrestre nas manchas da quitina de um artrópode, flores que se humanizam num sexo, seres humanos que adquirem traços de um insecto ou de um crustáceo, uma cabeça que também é uma lâmpada e um olho, tecidos cujas dobras se desfazem em folhagem, rostos que admitem uma visão subcutânea, madeixas de cabelo a lembrarem patas de aranha… Tudo desenhado com o máximo rigor, mas entre uma figuração realista e a transfiguração anti-realista resultante das conexões improváveis que nos são reveladas. Se estas imagens nos parecem “muito lentas”, como disse António Barahona, é porque precisamos de as decompor, de analisá-las a partir das sensações contraditórias que produzem em nós. E nesse exercício revelam-se as palavras que as habitam. Muitos dos desenhos de Luis Manuel Gaspar subentendem as palavras da poesia. Não apenas porque a surpresa que provocam pode resultar de articulações metafóricas, de um tropo que liga dois reinos para produzir um terceiro, mas também porque, em muitos casos, os desenhos se destinaram a acompanhar poemas, ou partiram de textos; e ainda porque, nas pranchas dedicadas a vários poetas, encontramos as imagens que Luis Manuel Gaspar quis que víssemos nos versos reproduzidos, ou a par deles. É um mundo onde as imagens da poesia e as imagens visuais se interpelam mutuamente. Livremente. Um mundo para ver, ler e imaginar. Fluido, delicado, irónico e inquieto. E cheio de gravidade.»

LMG 2

Aproveitamos também para publicar as respostas de Luis Manuel Gaspar ao questionário de Sara Figueiredo Costa para a agenda da ACERT, aquando da programação cultural referente ao período de Janeiro-Março de 2016:

-Parte do teu trabalho de ilustração pode ser visto em capas de livros de poesia. Como decorre esse processo de criar uma imagem que sirva de porta para um universo que se desdobra em tantos pedaços?

O maior desafio é tentar encontrar uma imagem que provoque uma impressão semelhante à que ficou da primeira leitura dos versos, seja essa impressão de mistério, violência ou viagem… A ilustração da capa deve ser exactamente uma porta, que apresenta os poemas mas os deixa intocados para a leitura.

-A tua relação com a poesia não se limita ao trabalho de capista, passando pela edição crítica, pela divulgação, até pela prática. Quase como o «Barnabé», de Sérgio Godinho, o que é que tem a poesia que é diferente do resto?

A poesia é a pedra de toque, a razão de todo esse trabalho. Poesia é o próprio processo: a escrita, a edição, a criação de imagens comunicantes. É também o resultado desse trabalho, quando misteriosamente resulta.

-Criar imagens relacionadas com a literatura, capas ou outros trabalhos — como as bandas desenhadas que fazes a partir de poemas —, cria um outro universo, visual, a partir do verbal. Há mais de complementaridade, de iluminação naquele sentido etimológico da palavra «ilustrar», ou de novo mundo naquilo que fazes?

Procuro um difícil equilíbrio sempre a partir do amor pelo texto. A iluminação dada pelas imagens é algo que se oferece às palavras a partir dos novos mundos que elas nos trouxeram.

 

Read Full Post »

O mais recente título publicado pela Quarto de Jade é um livro da autoria de Jules Renard com ilustrações de Maria João Worm e tradução de Carlos Pombo. Este livro de 168 páginas, formato 21 x 15 cm, tiragem de 50 exemplares numerados, apresenta-se com capa dura contendo 27 estampas, a cores, coladas, tendo o PVP de 30.00€. Encontra-se disponível para venda na loja do site, através deste link.

Naturais

«Jules Renard nasce em 1864 e morre em 1910. Terei lido pela primeira vez as Histórias Naturais, com a idade aproximada de quando ele as escreveu e agora ilustro-as com a idade igualmente próxima da data da sua morte.

Eu apenas converso com ele, imagino-o como o rapaz ruivo que foi, e é dessa cor que pinto a luz reflectida na matéria das imagens e o azul serve para representar o céu ou a substância líquida.

Os textos que se organizam neste livro em sequência temática, numa sucessão quase diarística, têm a forte presença de serem descrições tornadas possíveis por uma observação directa tirada de acontecimentos vividos na primeira pessoa. Presença indispensável para reproduzir em palavras a exacta anatomia do movimento da Natureza, a ela se acresce uma ruminação autorreflexiva, que vai tomando em cada história tonalidades diferentes. No fluir aparentemente descontraído da sucessão dos textos, por vezes há contaminação no tema ou no tom da escrita, o que dá ao livro uma aragem: a graça de uma floresta ou de flores em baldios, crescendo condicionadas pela livre ocorrência do que não escolhem.

Diferentes seres partilham a condição de estarem vivos, relacionando-se no seu território, nem sempre de um modo pacífico, e em muitas histórias ensaia-se a contradição humana, inquirindo-se o convívio entre prazer e repugnância. À humanidade é dada apenas uma qualidade que se lhe acresce aos demais seres vivos, a consciência da responsabilidade sobre o seu desejo de domínio e violência gratuita.»

(Excerto do texto introdutório desta edição ilustrada, 2015 Quarto de Jade)

a_cabra

moscas_de_água

Read Full Post »

medicin

Edição Douda Correria com desenho da capa e composição de Joana Fervença. Lisboa 2015.

Encontrar no movimento o desenho sonoro da palavra. Palavra que não repete o som das constelações, mas recria um lugar tão próximo que define o universo como o vento ao passar pelos corpos. Ossos ocos, como flautas. Entoações que encantatórias enxameiam a água primeira, a do leite transmutado em sangue, de cada vez, como na dança da respiração.

Oração de colagens, onde o corpo é visitado para poder viver. Gesto que une pontos de luz, dentro da própria luz para regressar como o voo das andorinhas em ovais que abraçam, que nos abraçam ao tecer no ar o momento. Linhas que modulam o tom reconhecível. No ir e vir do desenho à vista da abstracção. Consciência dos pedaços em órbita, gravação, levitação, orgânica que une o pó ao mesmo tempo que o sopra. Cata-vento, eixo, nervura onde se ouve a única palavra inscrita: amor.

Read Full Post »

Hugo Gola 1

Hugo Gola (Santa Fe, Argentina, 1927- Buenos Aires, 2015). Entre sus libros de poemas se cuentan Jugar con fuego. Poemas 1956-1984 (Universidad Nacional del Litoral, Santa Fe, Argentina), Filtraciones (México, Universidad Iberoamericana, 1996), Filtraciones. Poemas reunidos (México: FCE, 2004), Retomas (México: Aldvs, 2010) y Resonancias renuentes (Buenos Aires: En Danza, 2011). También ha publicado Prosas (Córdoba, Argentina: Alción, 2007), y las antologías El poeta y su trabajo II, III Y IV (Universidad Autónoma de Puebla), Antología de literatura para jóvenes (México, Universidad Iberoamericana). Además de las revistas Poesía y poética (1990-1999) y El poeta y su trabajo (2000-2010).

Es muy significativo observar que ya en 1983, cuando a Hugo Gola le ofrecieron en la UAP la preparación del segundo número de la colección “El poeta y su trabajo”, publicara el texto Hay que mirar la vida con los ojos de la infancia de Henri Matisse, al lado de las reflexiones (y de una muestra breve de poemas), de siete poetas fundamentales para la poesía lírica del siglo XX (1). Podría haber puesto, en lugar del texto de Matisse, un ensayo de otro poeta. Sin embargo Gola  publicó a Matisse porque en las palabras de este artista se encuentra una visión y concreción, un tono de experiencia exactamente igual a la de los poetas publicados en esa ocasión, tono que suele ser más convincente que mil demostraciones, como dice Gola en la presentación de aquella primera revista ya legendaria. Cuando en 1990 comenzó el proyecto editorial Poesía y poética en la UIA, en el primer número publicó imágenes de la obra del escultor Adolfo Riestra, muerto prematuramente en 1989,  a los 42 años. Hugo escribió una nota sobre Riestra y su obra:

Singular conjunto, ciertamente, de homogénea calidad y donde sin esfuerzo se distingue un modo único de vincularse con el pasado indígena a través de las formas más avanzadas del lenguaje plástico contemporáneo… (2) Y después escribe algo fundamental: Una gran obra no sólo es en sí misma; es, además, un sustento para las obras nuevas que vendrán.

Matisse

Polynésie, la mer. Henri Matisse, 1946.

En el segundo número de Poesía y poética publicó el texto Vórtice de Henri Gaudier-Brzeska (junto con imágenes de su obra), un texto complejo, condensado, de un conocimiento muy agudo y objetivo de los elementos plásticos en la escultura, que sintetiza, en cuatro páginas, todo el desarrollo de la escultura desde el paleolítico hasta la primera parte del siglo XX, (visión que aún es vigente). Junto al texto de Breszka, el texto de Pound (gran amigo de Gaudier), Gaudier: Post Scriptum 1934.

En el tercer número, Gola selecciona, traduce y publica fragmentos del pintor Bram Van Velde. El descubrimiento de este pintor fue fundamental para él: a parte del interés que le despertó su obra pictórica, Gola encontró en el pensamiento de este pintor una visión del mundo con la cual comulgó, a tal grado, que tradujo el libro Conversaciones con Bram van Velde de Charles Juliet. En el prólogo del libro, Hugo escribe:

No hay receta válida para la pintura, como no la hay para la escritura, ni para la vida. Bram van Velde lo sabe y entonces, lo que nos propone, día tras día, es la fidelidad absoluta consigo mismo, la práctica del riesgo total, el rechazo del mundo, el tanteo en la oscuridad. Tal vez si uno consigue vivir apegado a estas negaciones vislumbre un espacio de libertad en este tiempo de sumisión, un refugio humano resistente ante la amenaza de naufragio universal.

Esta cita hermana, emparenta, a Gola con Bram van Velde y a través de éste, con Samuel Beckett (3). En muchas ocasiones (entrevistas y diálogos), Hugo siempre ha afirmado que ser artista es mucho más que escribir bien o pintar bien: ser artista es ser alguien trabajando desde una necesidad profunda más allá de toda inteligencia y habilidad con el lenguaje, alguien que tiene que hacer caso omiso de modas, que tiene que dejar de mirar al exterior para mirar al interior; alguien a quien no le importe dejar de escribir o de pintar meses o aun años enteros, si no tiene un impulso interior ineludible, una experiencia poética que impulse la necesidad de crear.

Hugo Gola 2

En Argentina, Hugo ya había tenido relación con pintores (y escultores, cineastas y fotógrafos). Entre otros con Juan Grela (el cual realizó el dibujo de la portada de su primer libro de poemas, dibujo que, tanto en lo formal como en las imágenes, tiene que ver mucho con la poética de Gola de aquel tiempo), Hugo Padeletti, Fernando Espino, Hermenegildo Lucero, Adolfo Nigro, entre otros. De Fernando Espino, gestionó para que se publicara en la Editorial Artes de México La trama bajo las apariencias, con textos de Juan José Saer, Hugo Padeletti y del mismo Gola, textos que dan luz en dos direcciones: nos hablan tanto de la visión pictórica y de la personalidad de Espino, como de los pensamientos de estos escritores sobre la pintura en relación con la ética que debería poseer un artista (4).

Hugo publicó (y tradujo también), tanto en Poesía y poética como en El poeta y su trabajo, la obra de muchos artistas, mexicanos o extranjeros. En su obra poética, en varias ocasiones, toma a pintores como pretexto para hablar de otras cosas. Ahí tenemos, por ejemplo, los poemas donde nombra a Hokusai y a Morandi, en dos ocasiones. O en poemas donde toma el acto de pintar para hacer una analogía con el acto de escribir:

un trazo apenas/ breve y fugaz/ un soplo…

pintar/ los objetos/ su presencia/ erguida/ su forma huidiza…

una mancha/ azul/ sobre fondo/ blanco/ y ahora/ una mancha negra/ cruza / rápida/ el

cielo/ agita el espacio…

un trazo/ un trozo/ un tono/ un toque/ un punto/ que vibra/ una línea que vuela/ una

mancha…

La poesía de Gola está poblada de objetos que son sugeridos o dejan su huella en el sendero que trazan en la página.  (Sus versos, tipográficamente, juegan, pueblan el espacio de la página, lo hacen vibrar y vivir, como en la pintura).

Le pregunté a Hugo hace algún tiempo, por qué no había pintado si tanto amaba la pintura. Me contestó que sentía que “Su vocación (de poeta) se había definido desde la adolescencia”, y que, en un momento dado, en Argentina, pensó “que pintar era más sencillo que escribir”, pero que, cuando trató de hacerlo, se dio cuenta que pintar era “tan difícil como escribir”, algo que le hizo “respetar y valorar aún más, la pintura”.

Balthus

El Fruto de Ouro. Balthus, 1956.

Otros dos artistas que le despertaron gran entusiasmo fueron los cineastas y fotógrafos Abbas Kiarostami y Raymond Depardon. Con el último, Hugo sentía que lo emparentaba el origen campesino. Del primero, le entusiasmaba los mínimos recursos materiales que utilizaba para crear obras profundas de una aparente sencillez (esta última cualidad la encontramos en su propia poesía).

En la presentación del libro Las vueltas del Río: Juan L. Ortiz/ Juan José Saer (en mayo de 2010), Hugo habló de la gran importancia que tuvo para él leer las Memorias de Balthus,  libro en el cual encontró un eco de su propia visión espiritual sobre lo que para él es el arte:

Yo ahora he estado bastante enfermo en estos últimos quince o veinte días y  tenía mucha dificultad de encontrar un libro que me produjera una satisfacción profunda y, en medio de toda la revisión que hice a mano, encontré un libro de un pintor, que yo aprecio mucho, Balthus, que son sus Memorias, escritas, digamos, de una manera que a uno le produce un efecto profundo y permanente, en el sentido en que Balthus no habla de cosas distantes… habla de su propia vida, habla de la dificultad que tuvo para vivir, que tuvo para vivir en Francia, que tuvo en la relación con Rilke (que fue alguien que lo acompañó desde el principio, que le ayudó a descubrir su verdadera vocación de pintor.) Esa misma situación que he vivido yo personalmente. Es decir, me he puesto a leer a autores que yo aprecio mucho, por ejemplo a Dickens y he intentado leer a un escritor que valoro mucho, a Simenon, y me he puesto a leer a diversos autores, pero ninguno me produjo lo que me produjo al leer las Memorias de Balthus, porque la sensación de que estaba cavando en su propia vida, realmente me pareció de una dimensión altamente religiosa, que para mí es algo que no es peyorativo, sino de una dimensión de profundidad de la que habla permanentemente Balthus.

Para finalizar esta nota debo decir que el color (y la luz que de éste se desprende), es un protagonista constante en la poesía de Hugo Gola, un color que está unido a las cosas (a árboles, nubes, atardeceres, cielos…), color que define las cosas para, al nombrarlas, crear imágenes poéticas precisas. Por último, Gola compara a los colores en la pintura con las palabras del poema en la página:

…escribir/ palabras luminosas/ hundir las vibraciones/ de la luz/ amarillo/ sube y baja/ de

las hojas/ yace en el campo/ otoño/ invierno/ bandadas altas…

La pintura, de este modo, se entremezcla, de manera sutil, en la poesía de Gola, un tipo de pintura sobria, tendiendo a lo mínimo, como lo son los versos que compone.

Luis Verdejo


Notas:

(1) Poetas que integran tal revista: Seferis, Olson, Levertov, Wallace Stevens, W.C. Williams, Juan L Ortiz, Augusto de Campos, Rainer María Rilke.

(2) Idea muy importante para Gola, porque seguramente vio en Riestra un reflejo de lo que Rulfo realizó en literatura (algo que continuamente mencionaba en sus clases de Poesía Latinoamericana en la UIA, en conversaciones  y entrevistas): que Rulfo había tomado el lenguaje popular, asentado en una base de pasado indígena, y lo había trabajado con las formas más avanzadas del lenguaje literario.

(3) Habría que preguntarse cuánto del pensamiento y del proceso de creación de Samuel Beckett tiene que ver con el de  Bram Van Velde, su gran amigo.  para mirar al interior; alguien a quien no le importe dejar de escribir o de pintar meses o aun años enteros, si no tiene un impulso interior ineludible, una experiencia poética que impulse la necesidad de crear.

(4) Hugo escribió también un texto muy interesante sobre la pintura de Hugo Padeletti, en el que se detiene en la confluencia, afortunada, que se da entre algunos poetas-pintores, en los cuales, sus obras pictóricas y poéticas son tan sólidas en las dos disciplinas artísticas: por ejemplo en Michaux, Klee, Schwitters y el mismo Padeletti. (De estos artistas Hugo también publicó poemas en diversos números de la revista Poesía y poética.) Texto escrito en: Padeletti, Hugo, Dibujos y poemas 1950-1965, Editorial Áncora. Buenos Aries, 2004.

Read Full Post »

POESIA NO PARALELO W

PW

Read Full Post »

Cão celeste 1

Impresso durante o mês de Maio, encontra-se disponível o quinto número da revista Cão Celeste com direcção de Inês Dias/Manuel de Freitas e coordenação gráfica de Luís Henriques. Esta publicação tem vindo a ganhar corpo físico confirmando a sua robustez e pertinência temática. Nela, há lugar para a poesia e para os poetas em nome próprio, sem filtros nem “lirismos” da modernidade extemporânea. Encontramos também entrevistas (destacamos «Uma Plenitude Terrível» Maria da Conceição Caleiro entrevista Rui Nunes, no número 4), recensões onde ninguém sente o conforto do mercado; artigos de opinião com mais ou menos objectividade – leia-se: liberdade de pensamento – destacando-se neste último número dois ensaios relevantes. A saber: «Nós, os Animais» de David Antunes que rasga consistentes sentidos filosóficos para um tema que começa a despontar consciências entre a nossa ditadura, enquanto espécie. E «Ecolalia, ou entrevista com um fantasma» de John Mateer, da qual transcrevemos uma passagem: “Facilmente imaginamos, por exemplo, que a cultura ocidental é coerente, que há «objectos de interesse» no interior do sistema, assim como outros no exterior, mas talvez devêssemos – ou não consigamos – distinguir o interior do exterior. Talvez tenha sido uma noção persa do amor que orientou as poesias de línguas românicas, e o objecto do amor incarnado pela Amada dos Trovadores fosse afinal o Allah de um sufi.”

Cão celeste 2

Alem da variedade e interesse nos artigos que apresenta, a Cão Celeste (alusão ao filósofo Diógenes da Grécia Antiga que, diz-se, andava pelas ruas levando uma lamparina durante o dia, procurando um homem honesto…) é amplamente ilustrada pelas visões intimistas de autores como Daniela Gomes, André Lemos, Isabel Baraona, Luís Manuel Gaspar ou Maria João Worm, entre muitos outros. A única nota crítica, neste já raro território celeste, seria ao instituído «Prémio Nacional de Poesia Diógenes » que, apesar das suas intenções generosas, talvez fizesse mais sentido reverter o seu valor pecuniário para a criação (ou publicação) de uma obra ainda por nascer. Afinal, o filósofo desprezava a opinião pública e os tempos que correm estão sobejamente preenchidos de distinções e afectações olímpicas. Para Diógenes de Sinope a felicidade – entendida como auto-domínio e liberdade – era a verdadeira realização de uma vida. A sua filosofia combatia o prazer, o desejo e a luxúria pois estas são impedimento da auto-suficiência. A virtude – como em Aristóteles – deveria ser praticada e isto era mais importante que teorias sobre a virtude. Seja como for, esta revista é um cão dono da alvorada, num panorama lamacento de revistas que acumulam compulsivamente a banalidade.

Read Full Post »

Older Posts »