Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘México’

A chancela Quarto de Jade tem uma nova publicação em co-edição com a Mundo Fantasma e o Atelier 3/3. Trata-se de uma brochura de 36 páginas, impressa em risografia no Porto, com encadernação manual, numa tiragem de 93 exemplares numerados. A capa é impressa a azul, a página de rosto a burgundy e o miolo a preto e branco com ilustrações de Diniz Conefrey e texto com a colaboração de Maria João Worm.

Cardos Maduros expõe uma reflexão sem tempo. Uma viagem dentro de viagens, exposta em ilustrações. Momentos vividos entre a experiência pessoal e o universo literário de Juan Rulfo. Ecoando nessa multiplicidade, a constatação de vivências sobrepostas, atravessando a narrativa para se encontrarem numa elegia onde os afectos emergem entre a crueza de histórias perdidas.

Disponível na loja do site: http://www.quartodejade.com/shop_books.php

 

 

 

 

Read Full Post »

Página do Códice Fejérvary-Mayer e prancha de Dino Battaglia. Apesar de se identificarem alguns processos narrativos similares entre ambas as linguagens (como os eventos res gestae), os seus níveis cognitivos derivam de planos distintos.

Preconizando um quadro reflexivo, relacionado com o movimento natural para a identificação das suas raízes, não raras vezes são colocados os códices pictográficos, do México antigo, como antecedentes da moderna banda desenhada. Em casos mais extremos serão até assumidos como sendo já banda desenhada. Este pressuposto aponta já para a turbulência das imagens na era da informação global, assumindo aspectos reivindicativos de síntese, baseada na relação sensorial que o imediatismo das sociedades tecnológicas induzem como prática de vida. A linguagem, tal como a História, existe num fluxo de abertura permanente, no sentido que a sua interpretação está exposta às mutações do pensamento que as observa, no tempo e no espaço cada vez mais distante do objecto inicial. Podemos acumular todo um índice de referências, por exemplo, sobre a idade média. No entanto já não nos é inteiramente acessível saber o que sentiam, directamente, as pessoas que viveram nesse período, apenas restando as pistas de como o seu mundo podia – ou devia – ser percepcionado.

Página do Códice Zouche-Nuttal com indicação, no canto inferior direito, do sentido de leitura.

Nessa medida sabemos que no México central foi desenvolvida uma escrita pictográfica que incluía, simultaneamente, códigos fonéticos, topónimos, símbolos ideográficos, tanto descritivos como abstractos  com a capacidade de fixar um discurso tanto de homónimos como de sinónimos. No entanto, os conteúdos – e mesmo a ambiguidade – resultante dessa sobreposição não dependia da intenção de um “escritor” (no caso um tlacuilo, termo nahua que contém o duplo significado de escriba-pintor) sendo antes de mais o reflexo de um quadro cultural onde os símbolos partilháveis, apesar da sua flutuação, assumiam valores canónicos. No corpo social mesoamericano o conceito de estado centralizado não chegou a tomar uma expressão e, apesar da linearidade da contagem temporal, os seus ciclos tenderam para uma regulação circular do tempo. Desse modo, podemos observar que da época de Teotihuacan – cerca de 300 d.C. – até à cidade do México – 1520 d.C. – práticamente não se observam alterações tecnológicas de fundo.

Reconstituição de uma página do Códice Borgia por Gisele Díaz e Alan Rogers. Dover Publications, 1993.

Se de um ponto de vista aparente podemos estabelecer uma relação entre as imagens sintéticas e sua disposição num códice com as páginas de uma banda desenhada, ao nível superlativo tal comparação enferma de uma sustentabilidade estrutural. Como em qualquer outra parte do mundo, um habitante de uma cidade-estado mesoamericana teria presente a sua condição na hierarquia social. No entanto, aquilo a que chamamos “consciência de classe” estaria inteiramente arredado da sua percepção. Esta última formulação, como sabemos, deriva das transformações sentidas na Europa após a revolução industrial, sendo um conceito introduzido pela reflexão marxista no século XIX e que, entre outros aspectos, aponta para o controlo dos meios de produção sentidos em consequência do antropoceno. Estamos portanto muito longe dos códices e do seu contexto social cuja relação objectiva com a natureza dependia do inconsciente colectivo e não das escolhas permitidas pela individuação.

Ou se voit que les japonais ont aussi leur homme au long nez. Imagem de Épinal.

Caberia aqui mencionar que, do ponto de vista processual, palavra e imagem encontram-se fundidos nos códices pictográficos mexicanos, existindo uma consubstancialidade entre o signo e aquilo que designa. Por seu lado, na banda desenhada opera-se uma sincronia que advém da separação entre estas mesmas duas componentes. Enquanto os códices como linguagem são um registo arquétipo a banda desenhada é um sucedâneo da separação entre palavra e imagem – com a qual ainda se debate – sendo que a sua pré-história é identificável ao tempo dos Cris (estampas com legendas, vendidas na rua, entre o século XVI e XVII), na integração do texto em imagens dos cartazes durante o século XIX e nas imagens de Épinal. Narrativa e sequencialidade não são apanágio exclusivo da banda desenhada, estes podem ser reconhecidos antes e depois da sua formalização por Topffer, em vários campos de expressão linguística, plástica e mesmo audio-visual.

Duas páginas do Códice Florentino que incluem sequências narrativas. Outras páginas incluem apenas uma ou duas ilustrações, também inseridas em vinhetas.

Em termos de conceito e contextualização os códices pictográficos não devem ser vistos de uma forma empírica, correndo-se o risco de uma extrapolação política alheia ao objecto e seu significado primordial. Mencionando apenas um aspecto, as páginas em acordeão de um códice poderiam ser consultadas em simultâneo, permitindo facilmente a esta estrutura uma transgressão da leitura linear. Possivelmente as referências eram cruzadas e podiam ser lidas alternadamente. Como consequência da invasão do México, no século XVI, é introduzida na linguagem dos tlacuilos dois aspectos que estavam completamente ausentes: o desenho em perspectiva e a narrativa gráfica. Apesar de muitos códices pós-coloniais serem já elaborados com a primeira alteração, o exemplo mais significativo encontra-se na obra compilada por Sahagún, o Códice Florentino, com a participação de informantes indígenas. A par do texto alfabético, surgem pequenas sequências enquadradas por vinhetas que referem acontecimentos e que são independentes, por complementaridade, ao texto central. Da escrita pictográfica, os tlacuilos são agora solicitados a essa expressão, em pequenas narrativas, cujas ilustrações descrevem uma acção da qual eles próprios estão separados, assumindo-se como observadores de uma realidade da qual já não participam. Quanto aos códices pictográficos, no seu aspecto original, continuam a existir até ao século XVIII.

O mapa de Teozacoalco foi pintado por artistas indígenas em resposta ao questionário das Relações Geográficas do governo de Nova Espanha, no final do século XVI. Do lado esquerdo figura a lista de governantes Mixtecas.

De uma maneira geral haverá pouca gente que tenha presente o contexto que reafirma a clara diferenciação entre uma linguagem arquétipo – os códices – e uma linguagem híbrida – a banda desenhada. Como consequência do novo estatuto social, grande parte dos códices mesoamericanos foram destruídos. No entanto, a continuidade desta linguagem manteve-se mediante a necessidade imposta aos povos indígenas no sentido de provarem a propriedade de terras e as suas filiações políticas através de Lienzos, guardando conteúdos narrativos em tiras ou mapas territoriais. As genealogias também foram valorizadas, tendo em conta que o processo de transposição legal fez com que as instituições ocidentais – como os tribunais – recaissem sobre os antigos centros administrativos indígenas.

O Diário de Jules Renard lido por Fred. Bertrand Editora, 1989.

Actualmente já não existem códices pictográficos e, certamente, estes nunca fizeram parte integrante da história da banda desenhada. A sua realização situa-se no campo da semântica e, por extensão, da história da ilustração. Assim como os hieróglifos fazem parte do campo da escrita fonética, apesar da aparente facilidade com que se podem invocar as proximidades electivas. Podemos ver, de forma cada vez mais clara, que a linha identitária da narrativa gráfica ou banda desenhada se situa entre o século XVIII e XIX, resultando de várias mutações sociais, estéticas e tecnológicas mas que encontra uma clara matiz na intensa concorrência que caracterizou os jornais no início do século XX. Entretanto, as suas questões para o futuro prendem-se mais com a dicotomia latente entre poesia e literatura, no sentido das tensões permanentes entre a dessubjectivação da linguagem realizada no plano da expressão absoluta e o romance enquanto prioridade editorial.

Read Full Post »

CEM ANOS COM JUAN RULFO

Read Full Post »

 

Um livro pode sempre ter outro nome, outra capa. Outra mão que o conduza, fundo, para dentro do mistério de que se resolve o mundo. No coração de agave reune-se um ciclo de poemas aludindo ao corpo transgressor vivenciando um México inflectido. Através da raíz da sua forma, expirando os conteúdos em verso num livrinho fixando esses mundos que, do olhar, encontram uma expressão no interior vago e inquieto da poesia. São nove poemas em caligrama pendular, editados pela Douda Correria, convidando, desde já, para a sua apresentação – no dia 25 de Maio pelas 22 horas no bar A Barraca – com a presença dos poetas oficiantes (Nuno Moura, Diniz Conefrey, Maria João Worm); falando e lendo das janelas que se abrem neste outro tempo, neste outro espaço a aurora memorial.

Read Full Post »

Cartaz 1

Inaugura no próximo dia 3 de Dezembro, quinta feira, às 18.00h a exposição Antes do Livro. Esta mostra inclui 24 trabalhos, entre originais e fotocópias, apresentando os vários processos de trabalho que estiveram na raiz do álbum de narrativa gráfica O Livro dos Dias. Desde estudos ambientais realizados nos anos 90, passando pela abordagem compositiva dos desenhos ou as várias fases de finalização das pranchas originais, esta exposição pretende dar uma prespectiva do trabalho interior subjacente a uma narrativa em extensão; baseando-se naturalmente numa prática particularizada de abordagem e modo expressivo no campo da banda desenhada.

Os trabalhos estarão expostos na bedeteca da Amadora que se inclui na Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, Avenida Conde Castro Guimarães, nº6, até ao dia 2 de Janeiro de 2016.

Uma visão paralela a este evento pode ser consultada na internet através deste link.

Read Full Post »

5 - O colibri à esquerda

Toma-se com esta edição, que conjuga texto e imagem, uma perspectiva que propõe, através da vivencia particular de uma personagem, reflectir a leitura de um mundo, mesmo que este nos seja alheio e distante no tempo. O gosto pela interpretação também passa por assumir uma consciencia de que nem todos os aspectos, mesmo que semelhantes na aparencia, são inteiramente realizaveis na evocação de um corpo social e cultural já distante. Como sucedaneo de um longo caminho de comunicação semiótica encontra-se, também, esta infima proposta que apresenta uma visão de um passado através dos instrumentos que a narrativa gráfica moderna disponibiliza. Para mostrar uma parte do seu interior reconhecível, fica o convite para a exposição virtual Relatos do Livro dos Dias, no site Quarto de Jade que, com a colaboração da Pianola Editores publicaram o livro agora disponivel na loja do mesmo site.

O livro

Read Full Post »

Capa

 

No seguimento da nossa actividade editorial que já conta com cinco anos de presença nas livrarias, divulgamos um novo título editado em parceria entre Quarto de Jade e Pianola Editores:
O Livro dos Dias é uma narrativa gráfica, da autoria de Diniz Conefrey, baseando-se em vários textos que fizeram chegar até nós o conhecimento e o sentido poético que caracterizaram os povos indígenas da região da antiga Cidade do México. Este livro propõe uma formulação que tenta espelhar o ritmo interior destas sociedades pré-hispânicas.

Capa cartonada com badanas, 128 páginas a cores. Formato 21,5 x 30,4 cm. PVP 22.00€. Impresso na Europress em Setembro de 2014, numa tiragem de 300 exemplares.

Esta edição encontra-se disponível para venda através do nosso site.
Pode também visitar o blog e adquirir este livro em Pianola Editores.

Velho fogo

O Livro dos Dias não é uma aventura porque as suas personagens não determinam de forma independente o seu destino. Ele é, antes de mais, um mosaico narrativo em que Tlacamaye nos dá a ver o pulsar interior de uma cultura e suas sabedorias. Uma narrativa em que a sucessão ritmada de tempo nos revela os mitos e as relações sociais , vistos através de um aprendiz de códices pictográficos.

«Fugindo à linearidade habitual, Conefrey usa a estrutura da arte pré-colombiana para desafiar o leitor, vincando de forma indireta estarmos perante uma outra realidade, uma outra interpretação do Mundo, espelhada numa outra interpretação da página em banda desenhada. As representações dos mitos cósmicos da criação são particularmente conseguidos e, na verdade, o livro transcende-se em dois momentos distintos: no retratar “banal” do quotidiano (embora a natureza poética do texto tenda aqui a ser menos eficaz), e na recriação do contexto mitológico; mostrando, sobretudo, como o segundo inevitavelmente informa o primeiro. “O Livro dos Dias” também não foge a contextualizar conflitos, estruturas de poder ou os incontornáveis sacrifícios humanos, mas sempre enquadrando todos os elementos num retrato mais amplo, evitando o sensacionalismo.»

João Ramalho dos Santos in JL, Jornal de letras artes e ideias, 2014.

A carne 2

 

O colibri à esquerda

Read Full Post »

Juan Rulfo 7

Adaptação do conto do escritor mexicano Juan Rulfo O llano em chamas, a partir da edição, em português, da editora Cavalo de Ferro. Um misto de banda desenhada e ilustração que tenta dar corpo visual  ao universo literário que ausculta o interior da vida mexicana e suas violências latentes; históricas e individuais. Juan Rulfo foi também um excelente fotógrafo cujo trabalho pode ser apreciado no seguinte site.

Juan Rulfo 2

Juan Rulfo 3

Juan Rulfo 4

Juan Rulfo 5

Juan Rulfo 6

«Pouco dias depois, no Armeria, ao ir atravessando o rio, voltámos a encontrar-nos com Petronilo Flores. Fizemos marcha atrás, mas já era tarde. Foi como se nos fuzilassem. Pedro Zamorra passou pela frente, fazendo galopar aquele macho pardo e rechonchudo que era o melhor animal que eu tinha conhecido. E atrás dele, nós, em manada, agachados sobre o pescoço dos cavalos. De qualquer maneira a matança foi grande. Não me apercebi logo, porque me afundei no rio debaixo do meu cavalo morto, e a corrente arrastou-nos aos dois, para longe, até ao remanso de água, baixinho e cheio de areia.»

Read Full Post »

intervalo

Os livros não são como os filmes, da mesma maneira não o são outros tipos de publicações que sequencializam com sintaxes diferenciadas textos e imagens. Caberia aqui uma breve nota a propósito das minhas ultimas duas colaborações na revista Intervalo nº5 e nº6. Esta é uma revista que se propõe pensar a actualidade, não sendo de estranhar que cada número apresente uma temática para criar um corpo de reflexão. Os seus editores partem da convicção de que a subordinação a estratégias de sucesso e de imposição de imagens e modelos não é uma fatalidade. Como tal, não visam de modo nenhum concorrer para a acumulação de saber pronto a consumir. Recusam o espaço-tempo do consenso, as suas estratégias comunicativas e as visões totalizadoras. Assim, pretendem desencadear novos ritmos que se afirmem como brechas na edificação tendencialmente hegemónica da cultura. Afirmam o abrandamento de velocidade, a pausa e a incerteza, enquanto modos de resistência às exigências de circulação e comunicação. Atravessar, pela análise e a crítica, as fronteiras entre tipos de discursos e entre estes e as actividades a que se referem. Desenvolver a relação com o heterogéneo, a intempestividade, a dissonância. Acentuar a interrupção, os vazios que se abrem nos enunciados e não são apenas da ordem das distâncias exigidas pela atenção aos outros, mas sim do excesso de significação que intensifica e infinitiza.

lugar

Com uma ilustração de Maria João Worm, colaboro na Intervalo nº5, de 2012, com o texto A casa das flores. Dissertação poética que busca na memória recente a minha experiência em carne viva na Cidade do México. As borboletas têm o tamanho de uma mão aberta e as deambulações ao sabor do mezcal fundem passado e presente de uma vivência repleta dos imponderáveis das contradições; espaços, pessoas… ressonâncias de memória afectiva. Para o nº6, saído à poucos dias, volto a um trabalho realizado na mesma cidade e que espera por ser finalizado. Do romance gráfico Nagual, sobre a qual já tive a oportunidade de publicar um post neste blogue, é publicado neste último numero da Intervalo o capítulo Lugar do Coração, uma banda desenhada de 11 páginas com o texto revisto para se apresentar como uma narrativa “independente”, do corpo que constitui este projecto iniciado em 2007. Um segundo capítulo, O Segredo, está disponível em PDF no site Quarto de Jade; enquanto a narrativa original se mantem suspensa no fio do tempo por acordar. Para mais informações sobre a Intervalo, fica aqui o link da editora O Homem do Saco, para consulta.

Read Full Post »

Na claridade do dia, todas as pequenas histórias fazem parte de um conjunto maior, submerso na sua essência nocturna onde se espelham reflexos de visões  e a profunda vontade de lhes dar uma forma. Não será pois de estranhar que a banda desenhada O Segredo, que já esteve disponível neste link, faça parte de um projecto mais abrangente, iniciado em 2007 na cidade do México e que tem como titulo Nagual.

Vista parcial do mural Animais Mitológicos, reconstituição de José Francisco Villaseñor

Esta ideia tomou uma forma definitiva, no mesmo ano, aquando de uma visita ao sítio arqueológico de Teotihuacan. A novidade desta vez foram os museus, muito especialmente aquele que se debruça sobre as pinturas murais, no qual foi encontrado o tom para a narrativa que começava a tomar forma. Para isso foi decisivo o mural Animais Mitológicos que, no âmbito da arte desta antiga civilização, apresenta a particularidade de se destacar na esfera dos cânones reconhecíveis em outras representações desta cidade.

O segredo

Duas páginas da narrativa O Segredo, apresentada no site Quarto de Jade.

Foi sobretudo neste léxico das pinturas murais que se constituiu toda a gramática gráfica que se pode ver em O Segredo, alicerçada na ausência do desenho em perspectiva e assumindo a bidimensionalidade, em simultaneo com uma fluidez interpretativa dos elementos plásticos e temáticos que constituem a pintura teotihuacana. No futuro espera-se concluir este poema editando, sempre que se justifique, excertos deste trabalho ou em publicações periódicas ou através do site Quarto de Jade, como aconteceu com esta pequena história.

 

Read Full Post »

Older Posts »