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Página do Códice Fejérvary-Mayer e prancha de Dino Battaglia. Apesar de se identificarem alguns processos narrativos similares entre ambas as linguagens (como os eventos res gestae), os seus níveis cognitivos derivam de planos distintos.

Preconizando um quadro reflexivo, relacionado com o movimento natural para a identificação das suas raízes, não raras vezes são colocados os códices pictográficos, do México antigo, como antecedentes da moderna banda desenhada. Em casos mais extremos serão até assumidos como sendo já banda desenhada. Este pressuposto aponta já para a turbulência das imagens na era da informação global, assumindo aspectos reivindicativos de síntese, baseada na relação sensorial que o imediatismo das sociedades tecnológicas induzem como prática de vida. A linguagem, tal como a História, existe num fluxo de abertura permanente, no sentido que a sua interpretação está exposta às mutações do pensamento que as observa, no tempo e no espaço cada vez mais distante do objecto inicial. Podemos acumular todo um índice de referências, por exemplo, sobre a idade média. No entanto já não nos é inteiramente acessível saber o que sentiam, directamente, as pessoas que viveram nesse período, apenas restando as pistas de como o seu mundo podia – ou devia – ser precepcionado.

Página do Códice Zouche-Nuttal com indicação, no canto inferior direito, do sentido de leitura.

Nessa medida sabemos que no México central foi desenvolvida uma escrita pictográfica que incluía, simultaneamente, códigos fonéticos, topónimos, símbolos ideográficos, tanto descritivos como abstractos  com a capacidade de fixar um discurso tanto de homónimos como de sinónimos. No entanto, os conteúdos – e mesmo a ambiguidade – resultante dessa sobreposição não dependia da intenção de um “escritor” (no caso um tlacuilo, termo nahua que contém o duplo significado de escriba-pintor) sendo antes de mais o reflexo de um quadro cultural onde os símbolos partilháveis, apesar da sua flutuação, assumiam valores canónicos. No corpo social mesoamericano o conceito de estado centralizado não chegou a tomar uma expressão e, apesar da linearidade da contagem temporal, os seus ciclos tenderam para uma regulação circular do tempo. Desse modo, podemos observar que da época de Teotihuacan – cerca de 300 d.C. – até à cidade do México – 1520 d.C. – práticamente não se observam alterações tecnológicas de fundo.

Reconstituição de uma página do Códice Borgia por Gisele Díaz e Alan Rogers. Dover Publications, 1993.

Se de um ponto de vista aparente podemos estabelecer uma relação entre as imagens sintéticas e sua disposição num códice com as páginas de uma banda desenhada, ao nível superlativo tal comparação enferma de uma sustentabilidade estrutural. Como em qualquer outra parte do mundo, um habitante de uma cidade-estado mesoamericana teria presente a sua condição na hierarquia social. No entanto, aquilo a que chamamos “consciência de classe” estaria inteiramente arredado da sua percepção. Esta última formulação, como sabemos, deriva das transformações sentidas na Europa após a revolução industrial, sendo um conceito introduzido pela reflexão marxista no século XIX e que, entre outros aspectos, aponta para o controlo dos meios de produção sentidos em consequência do antropoceno. Estamos portanto muito longe dos códices e do seu contexto social cuja relação objectiva com a natureza dependia do inconsciente colectivo e não das escolhas permitidas pela individuação.

Ou se voit que les japonais ont aussi leur homme au long nez. Imagem de Épinal.

Caberia aqui mencionar que, do ponto de vista processual, palavra e imagem encontram-se fundidos nos códices pictográficos mexicanos, existindo uma consubstancialidade entre o signo e aquilo que designa. Por seu lado, na banda desenhada opera-se uma sincronia que advém da separação entre estas mesmas duas componentes. Enquanto os códices como linguagem são um registo arquétipo a banda desenhada é um sucedâneo da separação entre palavra e imagem – com a qual ainda se debate – sendo que a sua pré-história é identificável ao tempo dos Cris (estampas com legendas, vendidas na rua, entre o século XVI e XVII), na integração do texto em imagens dos cartazes durante o século XIX e nas imagens de Épinal. Narrativa e sequencialidade não são apanágio exclusivo da banda desenhada, estes podem ser reconhecidos antes e depois da sua formalização por Topffer, em vários campos de expressão linguística, plástica e mesmo audio-visual.

Duas páginas do Códice Florentino que incluem sequências narrativas. Outras páginas incluem apenas uma ou duas ilustrações, também inseridas em vinhetas.

Em termos de conceito e contextualização os códices pictográficos não devem ser vistos de uma forma empírica, correndo-se o risco de uma extrapolação política alheia ao objecto e seu significado primordial. Mencionando apenas um aspecto, as páginas em acordeão de um códice poderiam ser consultadas em simultâneo, permitindo facilmente a esta estrutura uma transgressão da leitura linear. Possivelmente as referências eram cruzadas e podiam ser lidas alternadamente. Como consequência da invasão do México, no século XVI, é introduzida na linguagem dos tlacuilos dois aspectos que estavam completamente ausentes: o desenho em perspectiva e a narrativa gráfica. Apesar de muitos códices pós-coloniais serem já elaborados com a primeira alteração, o exemplo mais significativo encontra-se na obra compilada por Sahagún, o Códice Florentino, com a participação de informantes indígenas. A par do texto alfabético, surgem pequenas sequências enquadradas por vinhetas que referem acontecimentos e que são independentes, por complementaridade, ao texto central. Da escrita pictográfica, os tlacuilos são agora solicitados a essa expressão, em pequenas narrativas, cujas ilustrações descrevem uma acção da qual eles próprios estão separados, assumindo-se como observadores de uma realidade da qual já não participam. Quanto aos códices pictográficos, no seu aspecto original, continuam a existir até ao século XVIII.

O mapa de Teozacoalco foi pintado por artistas indígenas em resposta ao questionário das Relações Geográficas do governo de Nova Espanha, no final do século XVI. Do lado direito figura a lista de governantes Mixtecas.

De uma maneira geral haverá pouca gente que tenha presente o contexto que reafirma a clara diferenciação entre uma linguagem arquétipo – os códices – e uma linguagem híbrida – a banda desenhada. Como consequência do novo estatuto social, grande parte dos códices mesoamericanos foram destruídos. No entanto, a continuidade desta linguagem manteve-se mediante a necessidade imposta aos povos indígenas no sentido de provarem a propriedade de terras e as suas filiações políticas através de Lienzos, guardando conteúdos narrativos em tiras ou mapas territoriais. As genealogias também foram valorizadas, tendo em conta que o processo de transposição legal fez com que as instituições ocidentais – como os tribunais – recaissem sobre os antigos centros administrativos indígenas.

O Diário de Jules Renard lido por Fred. Bertrand Editora, 1989.

Actualmente já não existem códices pictográficos e, certamente, estes nunca fizeram parte integrante da história da banda desenhada. A sua realização situa-se no campo da semântica e, por extensão, da história da ilustração. Assim como os hieróglifos fazem parte do campo da escrita fonética, apesar da aparente facilidade com que se podem invocar as proximidades electivas. Podemos ver, de forma cada vez mais clara, que a linha identitária da narrativa gráfica ou banda desenhada se situa entre o século XVIII e XIX, resultando de várias mutações sociais, estéticas e tecnológicas mas que encontra uma clara matiz na intensa concorrência que caracterizou os jornais no início do século XX. Entretanto, as suas questões para o futuro prendem-se mais com a dicotomia latente entre poesia e literatura, no sentido das tensões permanentes entre a dessubjectivação da linguagem realizada no plano da expressão absoluta e o romance enquanto prioridade editorial.

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CEM ANOS COM JUAN RULFO

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Um livro pode sempre ter outro nome, outra capa. Outra mão que o conduza, fundo, para dentro do mistério de que se resolve o mundo. No coração de agave reune-se um ciclo de poemas aludindo ao corpo transgressor vivenciando um México inflectido. Através da raíz da sua forma, expirando os conteúdos em verso num livrinho fixando esses mundos que, do olhar, encontram uma expressão no interior vago e inquieto da poesia. São nove poemas em caligrama pendular, editados pela Douda Correria, convidando, desde já, para a sua apresentação – no dia 25 de Maio pelas 22 horas no bar A Barraca – com a presença dos poetas oficiantes (Nuno Moura, Diniz Conefrey, Maria João Worm); falando e lendo das janelas que se abrem neste outro tempo, neste outro espaço a aurora memorial.

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Cartaz 1

Inaugura no próximo dia 3 de Dezembro, quinta feira, às 18.00h a exposição Antes do Livro. Esta mostra inclui 24 trabalhos, entre originais e fotocópias, apresentando os vários processos de trabalho que estiveram na raiz do álbum de narrativa gráfica O Livro dos Dias. Desde estudos ambientais realizados nos anos 90, passando pela abordagem compositiva dos desenhos ou as várias fases de finalização das pranchas originais, esta exposição pretende dar uma prespectiva do trabalho interior subjacente a uma narrativa em extensão; baseando-se naturalmente numa prática particularizada de abordagem e modo expressivo no campo da banda desenhada.

Os trabalhos estarão expostos na bedeteca da Amadora que se inclui na Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, Avenida Conde Castro Guimarães, nº6, até ao dia 2 de Janeiro de 2016.

Uma visão paralela a este evento pode ser consultada na internet através deste link.

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Hugo Gola 1

Hugo Gola (Santa Fe, Argentina, 1927- Buenos Aires, 2015). Entre sus libros de poemas se cuentan Jugar con fuego. Poemas 1956-1984 (Universidad Nacional del Litoral, Santa Fe, Argentina), Filtraciones (México, Universidad Iberoamericana, 1996), Filtraciones. Poemas reunidos (México: FCE, 2004), Retomas (México: Aldvs, 2010) y Resonancias renuentes (Buenos Aires: En Danza, 2011). También ha publicado Prosas (Córdoba, Argentina: Alción, 2007), y las antologías El poeta y su trabajo II, III Y IV (Universidad Autónoma de Puebla), Antología de literatura para jóvenes (México, Universidad Iberoamericana). Además de las revistas Poesía y poética (1990-1999) y El poeta y su trabajo (2000-2010).

Es muy significativo observar que ya en 1983, cuando a Hugo Gola le ofrecieron en la UAP la preparación del segundo número de la colección “El poeta y su trabajo”, publicara el texto Hay que mirar la vida con los ojos de la infancia de Henri Matisse, al lado de las reflexiones (y de una muestra breve de poemas), de siete poetas fundamentales para la poesía lírica del siglo XX (1). Podría haber puesto, en lugar del texto de Matisse, un ensayo de otro poeta. Sin embargo Gola  publicó a Matisse porque en las palabras de este artista se encuentra una visión y concreción, un tono de experiencia exactamente igual a la de los poetas publicados en esa ocasión, tono que suele ser más convincente que mil demostraciones, como dice Gola en la presentación de aquella primera revista ya legendaria. Cuando en 1990 comenzó el proyecto editorial Poesía y poética en la UIA, en el primer número publicó imágenes de la obra del escultor Adolfo Riestra, muerto prematuramente en 1989,  a los 42 años. Hugo escribió una nota sobre Riestra y su obra:

Singular conjunto, ciertamente, de homogénea calidad y donde sin esfuerzo se distingue un modo único de vincularse con el pasado indígena a través de las formas más avanzadas del lenguaje plástico contemporáneo… (2) Y después escribe algo fundamental: Una gran obra no sólo es en sí misma; es, además, un sustento para las obras nuevas que vendrán.

Matisse

Polynésie, la mer. Henri Matisse, 1946.

En el segundo número de Poesía y poética publicó el texto Vórtice de Henri Gaudier-Brzeska (junto con imágenes de su obra), un texto complejo, condensado, de un conocimiento muy agudo y objetivo de los elementos plásticos en la escultura, que sintetiza, en cuatro páginas, todo el desarrollo de la escultura desde el paleolítico hasta la primera parte del siglo XX, (visión que aún es vigente). Junto al texto de Breszka, el texto de Pound (gran amigo de Gaudier), Gaudier: Post Scriptum 1934.

En el tercer número, Gola selecciona, traduce y publica fragmentos del pintor Bram Van Velde. El descubrimiento de este pintor fue fundamental para él: a parte del interés que le despertó su obra pictórica, Gola encontró en el pensamiento de este pintor una visión del mundo con la cual comulgó, a tal grado, que tradujo el libro Conversaciones con Bram van Velde de Charles Juliet. En el prólogo del libro, Hugo escribe:

No hay receta válida para la pintura, como no la hay para la escritura, ni para la vida. Bram van Velde lo sabe y entonces, lo que nos propone, día tras día, es la fidelidad absoluta consigo mismo, la práctica del riesgo total, el rechazo del mundo, el tanteo en la oscuridad. Tal vez si uno consigue vivir apegado a estas negaciones vislumbre un espacio de libertad en este tiempo de sumisión, un refugio humano resistente ante la amenaza de naufragio universal.

Esta cita hermana, emparenta, a Gola con Bram van Velde y a través de éste, con Samuel Beckett (3). En muchas ocasiones (entrevistas y diálogos), Hugo siempre ha afirmado que ser artista es mucho más que escribir bien o pintar bien: ser artista es ser alguien trabajando desde una necesidad profunda más allá de toda inteligencia y habilidad con el lenguaje, alguien que tiene que hacer caso omiso de modas, que tiene que dejar de mirar al exterior para mirar al interior; alguien a quien no le importe dejar de escribir o de pintar meses o aun años enteros, si no tiene un impulso interior ineludible, una experiencia poética que impulse la necesidad de crear.

Hugo Gola 2

En Argentina, Hugo ya había tenido relación con pintores (y escultores, cineastas y fotógrafos). Entre otros con Juan Grela (el cual realizó el dibujo de la portada de su primer libro de poemas, dibujo que, tanto en lo formal como en las imágenes, tiene que ver mucho con la poética de Gola de aquel tiempo), Hugo Padeletti, Fernando Espino, Hermenegildo Lucero, Adolfo Nigro, entre otros. De Fernando Espino, gestionó para que se publicara en la Editorial Artes de México La trama bajo las apariencias, con textos de Juan José Saer, Hugo Padeletti y del mismo Gola, textos que dan luz en dos direcciones: nos hablan tanto de la visión pictórica y de la personalidad de Espino, como de los pensamientos de estos escritores sobre la pintura en relación con la ética que debería poseer un artista (4).

Hugo publicó (y tradujo también), tanto en Poesía y poética como en El poeta y su trabajo, la obra de muchos artistas, mexicanos o extranjeros. En su obra poética, en varias ocasiones, toma a pintores como pretexto para hablar de otras cosas. Ahí tenemos, por ejemplo, los poemas donde nombra a Hokusai y a Morandi, en dos ocasiones. O en poemas donde toma el acto de pintar para hacer una analogía con el acto de escribir:

un trazo apenas/ breve y fugaz/ un soplo…

pintar/ los objetos/ su presencia/ erguida/ su forma huidiza…

una mancha/ azul/ sobre fondo/ blanco/ y ahora/ una mancha negra/ cruza / rápida/ el

cielo/ agita el espacio…

un trazo/ un trozo/ un tono/ un toque/ un punto/ que vibra/ una línea que vuela/ una

mancha…

La poesía de Gola está poblada de objetos que son sugeridos o dejan su huella en el sendero que trazan en la página.  (Sus versos, tipográficamente, juegan, pueblan el espacio de la página, lo hacen vibrar y vivir, como en la pintura).

Le pregunté a Hugo hace algún tiempo, por qué no había pintado si tanto amaba la pintura. Me contestó que sentía que “Su vocación (de poeta) se había definido desde la adolescencia”, y que, en un momento dado, en Argentina, pensó “que pintar era más sencillo que escribir”, pero que, cuando trató de hacerlo, se dio cuenta que pintar era “tan difícil como escribir”, algo que le hizo “respetar y valorar aún más, la pintura”.

Balthus

El Fruto de Ouro. Balthus, 1956.

Otros dos artistas que le despertaron gran entusiasmo fueron los cineastas y fotógrafos Abbas Kiarostami y Raymond Depardon. Con el último, Hugo sentía que lo emparentaba el origen campesino. Del primero, le entusiasmaba los mínimos recursos materiales que utilizaba para crear obras profundas de una aparente sencillez (esta última cualidad la encontramos en su propia poesía).

En la presentación del libro Las vueltas del Río: Juan L. Ortiz/ Juan José Saer (en mayo de 2010), Hugo habló de la gran importancia que tuvo para él leer las Memorias de Balthus,  libro en el cual encontró un eco de su propia visión espiritual sobre lo que para él es el arte:

Yo ahora he estado bastante enfermo en estos últimos quince o veinte días y  tenía mucha dificultad de encontrar un libro que me produjera una satisfacción profunda y, en medio de toda la revisión que hice a mano, encontré un libro de un pintor, que yo aprecio mucho, Balthus, que son sus Memorias, escritas, digamos, de una manera que a uno le produce un efecto profundo y permanente, en el sentido en que Balthus no habla de cosas distantes… habla de su propia vida, habla de la dificultad que tuvo para vivir, que tuvo para vivir en Francia, que tuvo en la relación con Rilke (que fue alguien que lo acompañó desde el principio, que le ayudó a descubrir su verdadera vocación de pintor.) Esa misma situación que he vivido yo personalmente. Es decir, me he puesto a leer a autores que yo aprecio mucho, por ejemplo a Dickens y he intentado leer a un escritor que valoro mucho, a Simenon, y me he puesto a leer a diversos autores, pero ninguno me produjo lo que me produjo al leer las Memorias de Balthus, porque la sensación de que estaba cavando en su propia vida, realmente me pareció de una dimensión altamente religiosa, que para mí es algo que no es peyorativo, sino de una dimensión de profundidad de la que habla permanentemente Balthus.

Para finalizar esta nota debo decir que el color (y la luz que de éste se desprende), es un protagonista constante en la poesía de Hugo Gola, un color que está unido a las cosas (a árboles, nubes, atardeceres, cielos…), color que define las cosas para, al nombrarlas, crear imágenes poéticas precisas. Por último, Gola compara a los colores en la pintura con las palabras del poema en la página:

…escribir/ palabras luminosas/ hundir las vibraciones/ de la luz/ amarillo/ sube y baja/ de

las hojas/ yace en el campo/ otoño/ invierno/ bandadas altas…

La pintura, de este modo, se entremezcla, de manera sutil, en la poesía de Gola, un tipo de pintura sobria, tendiendo a lo mínimo, como lo son los versos que compone.

Luis Verdejo


Notas:

(1) Poetas que integran tal revista: Seferis, Olson, Levertov, Wallace Stevens, W.C. Williams, Juan L Ortiz, Augusto de Campos, Rainer María Rilke.

(2) Idea muy importante para Gola, porque seguramente vio en Riestra un reflejo de lo que Rulfo realizó en literatura (algo que continuamente mencionaba en sus clases de Poesía Latinoamericana en la UIA, en conversaciones  y entrevistas): que Rulfo había tomado el lenguaje popular, asentado en una base de pasado indígena, y lo había trabajado con las formas más avanzadas del lenguaje literario.

(3) Habría que preguntarse cuánto del pensamiento y del proceso de creación de Samuel Beckett tiene que ver con el de  Bram Van Velde, su gran amigo.  para mirar al interior; alguien a quien no le importe dejar de escribir o de pintar meses o aun años enteros, si no tiene un impulso interior ineludible, una experiencia poética que impulse la necesidad de crear.

(4) Hugo escribió también un texto muy interesante sobre la pintura de Hugo Padeletti, en el que se detiene en la confluencia, afortunada, que se da entre algunos poetas-pintores, en los cuales, sus obras pictóricas y poéticas son tan sólidas en las dos disciplinas artísticas: por ejemplo en Michaux, Klee, Schwitters y el mismo Padeletti. (De estos artistas Hugo también publicó poemas en diversos números de la revista Poesía y poética.) Texto escrito en: Padeletti, Hugo, Dibujos y poemas 1950-1965, Editorial Áncora. Buenos Aries, 2004.

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5 - O colibri à esquerda

Toma-se com esta edição, que conjuga texto e imagem, uma perspectiva que propõe, através da vivencia particular de uma personagem, reflectir a leitura de um mundo, mesmo que este nos seja alheio e distante no tempo. O gosto pela interpretação também passa por assumir uma consciencia de que nem todos os aspectos, mesmo que semelhantes na aparencia, são inteiramente realizaveis na evocação de um corpo social e cultural já distante. Como sucedaneo de um longo caminho de comunicação semiótica encontra-se, também, esta infima proposta que apresenta uma visão de um passado através dos instrumentos que a narrativa gráfica moderna disponibiliza. Para mostrar uma parte do seu interior reconhecível, fica o convite para a exposição virtual Relatos do Livro dos Dias, no site Quarto de Jade que, com a colaboração da Pianola Editores publicaram o livro agora disponivel na loja do mesmo site.

O livro

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Capa

 

No seguimento da nossa actividade editorial que já conta com cinco anos de presença nas livrarias, divulgamos um novo título editado em parceria entre Quarto de Jade e Pianola Editores:
O Livro dos Dias é uma narrativa gráfica, da autoria de Diniz Conefrey, baseando-se em vários textos que fizeram chegar até nós o conhecimento e o sentido poético que caracterizaram os povos indígenas da região da antiga Cidade do México. Este livro propõe uma formulação que tenta espelhar o ritmo interior destas sociedades pré-hispânicas.

Capa cartonada com badanas, 128 páginas a cores. Formato 21,5 x 30,4 cm. PVP 22.00€. Impresso na Europress em Setembro de 2014, numa tiragem de 300 exemplares.

Esta edição encontra-se disponível para venda através do nosso site.
Pode também visitar o blog e adquirir este livro em Pianola Editores.

Velho fogo

O Livro dos Dias não é uma aventura porque as suas personagens não determinam de forma independente o seu destino. Ele é, antes de mais, um mosaico narrativo em que Tlacamaye nos dá a ver o pulsar interior de uma cultura e suas sabedorias. Uma narrativa em que a sucessão ritmada de tempo nos revela os mitos e as relações sociais , vistos através de um aprendiz de códices pictográficos.

«Fugindo à linearidade habitual, Conefrey usa a estrutura da arte pré-colombiana para desafiar o leitor, vincando de forma indireta estarmos perante uma outra realidade, uma outra interpretação do Mundo, espelhada numa outra interpretação da página em banda desenhada. As representações dos mitos cósmicos da criação são particularmente conseguidos e, na verdade, o livro transcende-se em dois momentos distintos: no retratar “banal” do quotidiano (embora a natureza poética do texto tenda aqui a ser menos eficaz), e na recriação do contexto mitológico; mostrando, sobretudo, como o segundo inevitavelmente informa o primeiro. “O Livro dos Dias” também não foge a contextualizar conflitos, estruturas de poder ou os incontornáveis sacrifícios humanos, mas sempre enquadrando todos os elementos num retrato mais amplo, evitando o sensacionalismo.»

João Ramalho dos Santos in JL, Jornal de letras artes e ideias, 2014.

A carne 2

 

O colibri à esquerda

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