Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Pintura’

A consciência do tempo levou-me ao cinema de animação na Escola António Arroio, um gosto  pela sequencialidade, a rima, ouvir e contar histórias,tendência para me encantar com frisos de iluminuras ou letras capitulares.
Depois fiz um curso técnico/profissional de cerâmica: um reencontro com a consequência táctil do gesto e subsequente afinidade com unhas sujas. De escultura no Porto transferi-me para pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa: a questão da luz e a conversa das cores.
Colaborei em revistas, livros e jornais, publicando ilustrações e narrativas gráficas. Tenho usado a técnica da linogravura, para mim é um encontro feliz entre escultura e pintura, nela se acresce o reflexo enquanto poesia aplicada. Das exposições de pintura e gravura destaco A colecção particular  “A” em 2006 na galeria Monumental e a A Fonte das Palavras em 2013 na Casa das Histórias Paula Rego. Em 2011 recebi o Prémio Nacional de Ilustração, com o livro Os Animais Domésticos, edições Quarto de Jade. Foi muito importante para mim ter dado aulas, pela reciprocidade que um espaço de ensaio permite quando se procura a afinação de cada um consigo próprio, para comunicar com os outros.

Read Full Post »

quadro

OVO/VÔO . 72,2X107,5 cm .Técnica mista s/ madeira . 2016. Maria João Worm.

Registo de uma passagem que atravessa o tempo da insónia usando as palavras como reflexão e passatempo.

Nesse silêncio, com o corpo deitado, aparentemente quieto, aparecem imagens que procuram o seu significado.

E se as palavras forem desenhos inscritos dentro das formas que designam?

Exposição de pintura patente na Galeria Monumental de 9 de Abril a 14 de Maio de 2016.

Campo dos Mártires da Pátria, 101 Lisboa. De terça a sábado, das 15.00h às 19.30h (excepto feriados).

A exposição é acompanhada por um catálogo de 36 páginas  com o registo de todas as obras expostas , complementado  na última página interior com um texto.

No catálogo apresentam-se montagens “virtuais” feitas a partir da sobreposição de pinturas* que, nesta exposição,  se encontram formando um par.

Disponível neste link.

Catálogo 1

 

Catálogo 2

 

Catálogo 3

* Pinturas em acrílico conversando com o que ficou à espera, vindo de outras exposições.

 

 

Read Full Post »

                AVENIDA ILHA DA MADEIRA  1400-203 LISBOA.

                TEL. 213041160. E-MAIL: mnetnologia@imc.ip.pt

Acessos: o museu, no Restelo, dispõe de estacionamento para automóvel e a paragem dos autocarros 28 e 32 é mesmo à porta.

 António Peralta foi um artista, lá para os lados de Santarém, que trabalhava no meio rural, concertava alfaias, eixos de rodas, etc, que, sem o conhecimento dos familiares, criava simultaneamente magnificas pinturas/esculturas que vinha por à venda em algumas lojas de Lisboa.

As suas obras, suscitaram a curiosidade de algumas pessoas que frequentavam os estabelecimentos onde ele punha as suas peças à venda. O circuito de coleccionadores, restrito e socialmente em contacto, integrava pessoas do meio das artes lisboeta que reconheceram a qualidade singular destas peças. Assim, passados vários anos, conseguiu-se reunir um número significativo de obras impressionantes que vale a pena não deixar de ver.

Read Full Post »

Desértico (Valle de Guadalupe). Acrílico. 65 x 101 cm. 2007

 A cidade do México é como um imenso asfalto de onde emergem porosos edifícios nus de cimento quente ao sol, imersa numa espessa névoa de intensa poluição; acalentando no seu seio obscuro milhares de vidas imaculadas de sonhos perdidos fora do alcatrão. Alimentado pela generosidade processual do estado mexicano, pude completar uma estadia de seis meses nessa inquietante cidade por duas vezes, em anos distintos. Foi na primeira dessas ocasiões que conheci o Luís Verdejo, vizinho próximo que cumprimentava, pela janela, de manhã cedo, ao nível do primeiro andar separados por um estreito beco, no bairro de Tizapán.

Pájaro – Braque. Cerâmica. 15 x 31 cm. 2005

Elegía por Marilyn Monroe. Acrílico. 40 x 38 cm. 2008

 Cedo fomos estreitando a nossa amizade que se partilhava no café Solo Dios, dando-nos a conhecer como companheiros de caminho, aqueles que moldam com as próprias mãos as expressões que evocam através do desenho, a pintura e, no caso do Luís, a cerâmica e a escultura. Construímos uma ponte de afectos, uma passagem impregnada de pequenas sabedorias e de fortes momentos partilháveis; complementada pelas imagens que construíamos, partilhando de visões e linguagens. Nesse ano, quando estava prestes a regressar, o Luís expunha pintura novamente, ao fim de uns oito anos de interregno. A sua casa fica na rua Rio Chico, situando-se dentro de um pátio circundado por várias habitações. Numa delas encontra-se o atelier de cerâmica e escultura que, entre outros artistas, é partilhado com o seu mestre e amigo Javier del Cueto, com quem tive o prazer de conviver. Não só nessa altura mas aquando da sua visita a Lisboa, no ano seguinte.

Bicicleta. Acrílico. 65 x 101 cm. 2008

Pájaro. Ferro. 17 x 33 cm. 2007

 Assim sendo, não foi com estranheza que quando regressei, para mais uma temporada de trabalho, à cidade do México, tivesse alugado um pequeno apartamento no referido pátio de Tizapán. Desta feita, usufruindo de uma maior proximidade com o Luís e o Javier; curiosamente uma vez mais durante o período densamente mutável da estação das chuvas. Luís Verdejo nasceu em Tijuana em 1967, magro e de um olhar vivamente cristalino e generoso, estudou literatura Latino americana. Vendo-o sair de bicicleta para comprar folhas de papel na loja ali ao lado, na avenida Insurgentes, facilmente se imagina o empenho sentido e concentrado, ao mesmo tempo atravessado por uma leveza emocional que tende para o profundamente simples. Dessa forma deve ter participado nos diversos ateliers que frequentou, de pintura e escultura, antes de trabalhar no atelier de Tizapán com o escultor Javier del Cueto.

Compenetración. Cerâmica. 22 x 35 cm. 2007

 As nossas casas são rectângulos medianos, com uma pequena casa de banho. Em cima, na casa do Luís, sentamos em pequenos bancos de madeira bebendo mezcal enquanto ouvimos Clandestino de Manu Chao. A tarde cai pesada sobre a nossa fragrância de amizade e um telefonema amoroso leva-o a descer as escadas para alcançar o telefone comum, que se encontra perto da entrada da minha casa. O mezcal tolda-me com a força de uma serena embriaguez, enquanto admiro, uma vez mais, o impressionante retrato que o Luís pintou do seu pai; ao lado da ampla janela que dá para o interior verdejante do pátio. Uns meses depois, nesse mesmo sítio, diante uma frondosa figueira, ele sentava-se à janela lendo poesia em voz alta; enquanto em baixo eu finalizava uma prancha, a preto e branco, de uma novela gráfica inspirada por sonhos indígenas de nagualismo, sabedorias ocultas… A voz do Luís entoava síncope como uma declamação corânica e no seu momento hipnótico pouco interessava se a percepção das palavras era clara, pois apenas se ouvia o seu sentido imaterial.

Borboleta para Marilyn Monroe. 43 x 57 cm. 2008

 Sempre achei a pintura do Luís desconcertante na sua liberdade visceral. Talvez por ser um poeta. Eu diria, sem qualquer malícia, um poeta camponês. Um escultor de forças e formas primordiais. Hierático na sua visão, sendo nos seus melhores momentos profundo e comovedor, remetendo nessas alturas para as estranhas formas de arames tensos do pintor Rufino Tamayo, enquanto o tempo passa… e lê poesia da sua janela. Talvez que num próximo encontro possamos ir a San Luís Potosi e aí tomarmos peiote no deserto, longe das entranhas da mega cidade repleta de aromas de borracha e incensos vulcânicos. Pouco importa, o seu sorriso é franco e genuíno, como os seus gestos expressivamente decididos…, como os seus desenhos.

Las no cosas. Dibujo/bolígrafo. 15 x 33 cm. 2008

 Textofilia e O Poeta e o seu Trabalho são revistas, entre outras, que receberam as suas palavras. Actualmente tira o Mestrado em Artes Visuais na Academia de San Carlos e, não só este post é um momento de partilha dos seus trabalhos, ou de uma muito breve memória afectuosa; assim como é uma passagem dessa ponte por nós construída e que também tem a sua expressão num dos primeiros poemas que ele escreveu em português.

Esperaremos hasta que caigan algunas hojas muertas esparcidas por el jardín1

Esperaremos hasta que lleguen los pájaros multicolores. Alambre, papel. 2008

Read Full Post »