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Archive for the ‘Edições Quarto de Jade’ Category

A um mês da publicação do novo livro das Edições Quarto de Jade, partilhamos uma entrevista exclusiva, concedida ao Sabichão.

Sabichão – Depois da situação de viverem na prateleira ou dentro da gaveta, querem falar um pouco da vossa experiência de participarem neste livro?

Bambola – Ao princípio achei que provavelmente não me deveria expor, não sei se percebe…

Orso – Hum, hum. Quando nos contactaram pareceu-me que não sabiam muito bem o que pretendiam de nós…

Sabichão –  E já se conheciam?

Bambola – O Orso já tinha saído da gaveta… E eu queria muito sair da prateleira!

Orso – Lembro-me bem do dia, a Bambola perguntou-me, com um sotaque italiano delicioso, se eu lhe podia ensinar a falar correctamente português. Hum, hum!

Sabichão – E houve então um tempo de explicações?

Orso – De tal modo que a querida Bambola me re-nomeou, de Urso passei a Orso… Hum, hum!

Bambola – (risos) – Sim! Mas foi ele quem assim escolheu.

Sabichão – A ideia de passar para um livro, momentos da vossa vida, partiu de um desafio da Maria João Worm ?

Orso – Hum, sim… Ela explicou-nos que queria muito dar a conhecer a nossa voz, ela apenas registaria o que se fosse passando.

Bambola – Sim, a maior parte do tempo nem sequer tivemos presente o facto de estarmos a ser alvo de uma atenção e de uma intenção.

Sabichão – E quanto ao produtor da Quarto de Jade?

Orso – Hum, hum. Ele é responsável por uma certa tensão, sempre a querer ver as próximas cenas e a criticar pequenos detalhes.

Bambola – Então, quando apareceu o Pinóquio sem nariz o produtor pôs todo o livro em causa… Afinal nem estamos perante um registo documental, nem ficcionado. Decerto uma tendência contemporânea…

Orso – Sim, sim! Só no fim quando percebemos que todos conhecíamos a lebre da lua e que  podíamos partilhar essa graça encantadora, é que respirámos fundo…

– É inacreditável,  ninguém quer saber de nós,   nem  uma pergunta…- desabafou o jarro de 1/2 litro.

– Eu até prefiro assim- disse o copo de 2 decilitros.

A janela deixou entrar um vento que dava ares de trazer conversas de flores silvestres e passou tudo para outro plano. É mesmo bom quando se fica a sentir o sol, assim por dentro da cor que se mantém, mesmo com as pálpebras fechadas. – Acho que não são só as lagartixas que sabem isto.- murmurou o velho muro do pátio para a janela da sala que, ora abria, ora fechava.

 

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A escolha de um nome é como um movimento interno que pretende determinar, numa súmula, os conteúdos emocionais sensíveis à razão. Fazendo parte também de uma expressão editorial, o nome Quarto de Jade encerra em si uma floresta de jade e um “crystal cabinet” segundo um poema de William Blake.

Se acabou sendo um quarto é um quarto com vista ampla, numa divisão que é também uma partilha. O jade define os seus contornos, de verdes leitosos e polidos, com seus veios gramaticais, representando os valores que se ligam a uma natureza primordial. Como a barra vertical do site, à esquerda do monitor, que é a raíz comum donde deriva a linguagem própria que define a individualidade de cada autor. Por isso existe, além deste blog e do site Quarto de Jade, uma página no facebook cujo princípio é o de partilhar os bastidores das nossas edições: https://www.facebook.com/quartodejade/

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Numa camioneta azul de caixa aberta cabe um livro (a publicar no início de 2018): «L’orso borotalco e la bambola nuda italiana» de Maria João Worm: «Serve esta nota para esclarecer que do armário onde se encontram o jarro de 1/2 litro e o copo de 2 decilitros se avista a prateleira onde o Orso e a Bambola costumam encontrar-se. E naturalmente da prateleira avista-se o armário (Informação cedida pela janela de fundo).»

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Um urso e uma boneca, um apito-comboio que anima um fio, uma casa que já passou imagens dentro dela para se espreitar. Um sabichão com memória de elefante. Fantasmas para habitar, lembrando como se conjugam os verbos. Ser, estar, no gerúndio de existir.

Breve, muito breve. Sopro. Vindo de longe. Agora.

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Só há um carvalho no meio do prado e os bois ocupam toda a sombra das suas folhas.
Cabisbaixos, fazem cornos ao sol.
Estariam bem se não fossem as moscas.
Mas hoje, na verdade, elas devoram.
Agrestes e em grande número, as negras colam-se como placas de fuligem aos olhos, às narinas, inclusive às comissuras dos lábios, enquanto as verdes preferem sorver uma escoriação mais recente.
Quando um boi sacode o seu avental de couro ou bate com o casco na terra seca, a nuvem de moscas desloca-se, murmurante. Dir-se-ia que fermentam.
Faz tanto calor que as velhas, às portas, farejam a trovoada e põem-se a gracejar:
– Vamos ter fogo-de-artifício! – exclamam elas.
Ao fundo, uma primeira lança luminosa rasga o céu, sem ruído. Cai uma gota de chuva.
Os bois, precavidos, erguem a cabeça, deslocam-se até à beira do carvalho e sopram pacientemente.
Sabem que estão a chegar as moscas boas que vêm expulsar as más.
A princípio escassas, uma a uma, depois em magote, todas juntas, precipitam-se do céu destroçado sobre o inimigo que vai cedendo aos poucos, abrindo clareiras e bate em retirada.
Daí a pouco os bois, todos a escorrer desde focinho achatado até à cauda infatigável, bamboleiam-se de satisfação sob o enxame vitorioso das moscas de água.

Jules Renard, Histórias Naturais. Ilustração de Maria João Worm, tradução de Carlos Pombo. Edições Quarto de Jade, 2015.

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Screenshot da loja de livros, site Quarto de Jade.

Mantendo uma acessibilidade permanente, a loja do site Quarto de Jade divide-se em seis secções diferentes cujos trabalhos visuais têm por raiz ou simbiose uma estreita ligação com as palavras; nomeadas ou escritas. Pintura, gravura, ilustração, pranchas originais de banda desenhada, livros e serigrafias complementam um conjunto de trabalhos disponíveis para usufruto directo, além de acrescentarem às secções não comerciais deste site uma outra visualidade da expressão desenvolvida por Maria João Worm e Diniz Conefrey.

Nesta loja destacamos de forma particular a secção de Livros, sobretudo por aí se encontrarem os títulos das edições Quarto de Jade, cuja primeira edição remonta ao ano de 2007 com Electrodomésticos classificados. Todos os títulos que foram publicados até esta data encontram-se acessíveis para encomenda no site, sem custo de portes. Clicando sobre o quadrado da imagem, será apresentada a capa assim como uma breve descrição dos conteúdos, além das características mais específicas do objecto. Por debaixo desse quadrado, clicando na indicação de PDF, poderá ter acesso a duas páginas interiores referente à publicação que queira consultar.

Capa do primeiro livro publicado pelas edições Quarto de Jade e o título mais recente, Nagual, de 2017.

Os pagamentos podem ser efectuados por Paypal ou por transferência bancária, neste último caso através do email suporte@quartodejade.com. Das vendas entretanto efectuadas estima-se a entrega por correio normal, em embalagem de acondicionamento apropriado, num prazo de três dias úteis; no caso de Portugal continental. Deixamos pois este convite a conhecerem e partilhar os livros que publicamos: http://www.quartodejade.com/shop_books.php

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Os Gigantes de Pedra, 2017.

Este é um trabalho que foi iniciado em 2010, tendo vindo a ser completado entre outros projectos para livro das edições Quarto de Jade. Partindo inicialmente de uma versão mais próxima ao discurso original de Seattle – o representante da tribo Duwamish na questão da compra de terras – cedo, este livro projectou-se como uma súmula de quatro narrativas com o intuito de reflectir, na sua abordagem, aspectos da vida dos indígenas norte americanos. Os textos escolhidos dão primazia às narrativas que expressam a vivência das etnias contempladas, desde a narrativa mítica – no caso de Os gigantes de pedra, dos Iroqueses. Uma adaptação livre de A grande visão de Black Elk ou uma história quotidiana como A sabedoria do simplório – ambas registos dos índios Sioux. Culminando com o discurso emblemático de Seattle, cuja evocação imagética assenta nos artefactos das culturas ameríndias, da costa Noroeste dos Estados Unidos da América.

Desenhos para Alce Negro Sonha, 2017.

Planície Pintada baseia-se no arrojo de dar voz aos povos que foram manietados pelo imaginário ocidental, tanto através do cinema como da banda desenhada, num gesto de liberdade criativa que pretende questionar os estériotipos de uma assimilação cultural, forçada e ainda presente. Este novo livro encontra-se na última fase de concretização, com desenhos de Diniz Conefrey finalizados em linogravura por Maria João Worm. Ambos os autores escolheram os textos e trabalharam na planificação de cada sequência para as pranchas finais.

A Sabedoria do Simplório, 2011.

Alguns destes trabalhos estiveram patentes na exposição das edições Quarto de Jade, incluida no XII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja (2016) e a narrativa Seattle viu a sua pré-publicação na revista Venham + 5 número 8 (2011) e na revista Cão Celeste, número 3 e 4 (2013). Da bibliografia para este novo livro salientamos O sopro das vozes, com organização e tradução de Miguel Castro Henriques (Assírio & Alvim, 1997). The mammoth book of Native Americans, editado por Jon E. Lewis (Constable & Robinson, 2004). A noite do índio – discurso do chefe Seattle, tradução e apresentação de Joaquim Palma (Casa do Sul Editora, 2007) e Alce Negro fala de John G. Neihardt, com tradução de Fernando Gonçalves e Júlio Henriques (Edições Antígona, 2000).

Seattle. Revista Venham + 5, 2011.

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