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Posts Tagged ‘Diniz Conefrey’

Sou o colosso sentado que se esqueceu depois da chuva, da trovoada e das tonalidades cinzentas o tempo que se revolve compacto. Um monstro por estar fora da sua época, da humanidade a que pertence: inquilinos da indiferença por obras que realizam sem serem. Sou esse colosso que olha com suspeição a turba miraculosa de consciência ausente. Quero apenas ser um monstro sentado que escuta em silêncio os horrores, noite fora, expelidos pelas televisões.

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Não tivemos acesso a exame ecográfico anterior. A nível esplénico documenta-se de facto uma formação nodular hiperdensa do pólo superior sem captação valorizável de cromatismo endovenoso. Mancha discretamente irregular, aconselhando-se uma observação continuada sob os batimentos cardiacos do recém nascido. Tem características inespecíficas justificando controlo evolutivo para melhor caracterização da densificação congénita. Não se observam outras lesões focais esplénicas ou hepáticas, apresentando-se o artigo ilustrado com contornos regulares e tendências globalmente homogénias.

É completamente favorável a apreciação directiva do tubo expressivo opacificado, dentro das limitações desta abordagem.

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Pranchas de Diniz Conefrey.

Pequena imagem, em sequência mediana, de densidade metálica que poderá corresponder a um artefacto radiológico; sonhando sentado numa esplanada e fazendo o diagnóstico diferencial a partir dos corpos estranhos de partes moles. Ausência de sinais na rua aberta ás condutas, infligindo lesões nas raízes que gritam sem sofrer, ao longo da sua actividade suspensa. Seios cárdio e costofrénicos livres.

Silhueta cárdio-vascular dentro dos parâmetros habituais.

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Judea é uma adaptação livre da novela «Mocidade», de Joseph Conrad, para narrativa gráfica da autoria de Diniz Conefrey, recentemente editada por Pianola Editores. Este livro tem um formato de 19 x 27 cm, 84 páginas a preto e branco numa tiragem de 400 exemplares. Encontra-se disponível para venda na internet através deste link.

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«Do livro para esta novela gráfica, a matéria é a mesma, o fogo é o mesmo, mas nesta outra aproximação o mar engole a representação do indivíduo, embora ele seja também a vaga que permite a vida. A tonalidade central nesta leitura já não é a mocidade nem toda a sua energia, que confronta e supera os males do mundo. Toda a substância, neste outro olhar, volta-se para o imponderável através da descrição dos eventos abertos aos sentidos, pulsando a narrativa em contraponto entre a imagem de acção exterior e um sentido visual abstracto; como expressão subjectiva de uma realidade interior. O narrador já não é Marlow, descrevendo os seus dias de mocidade, mas uma voz omnisciente que acompanha o leitor através da trágica viagem de um velho navio, procurando alcançar o Oriente.»

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O pincel tocou levemente a superfície da água e logo uma mancha de cores, em espirais transparentes, se espalhou em fluídos improváveis, transbordando o olhar da criança. Sentiu uma grande comoção envolvendo-a, como naquela tarde fixada na memória, em que no céu matizado pelas nuvens planavam cromatismos de luz etérea, adensando o sentir de uma existência penetrando o corpo como um eco imemorável. Agora, a água turva pelas cores esfumadas, estagnava lentamente em círculos oleosos; do fundo da sua imaginação vinha ainda aquele movimento inicial. Um toque electrizante tal qual a aspereza do vento a vaguear por dentro da tarde enquanto o dia se inclinava sob o caminho. Parte então a criança para casa, com olhos lacrimejantes de cores, pressentindo que a aurora circula no seu sangue enquanto as habitações humanas parecem consumir o que da memória restou.

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Vaga nocturna

Nas vagas horas nocturnas desfiam-se conversas em tom intimista, sulcando a voz distante uma procura em ritmos circunspectos, abertos ao destino que as palavras podem abrir no tempo da auscultação. Brilham as imagens em movimentos musculares tépidos e crónicos; procurando soltar as teias dos sentidos, das percepções guardadas nas longas horas de reflexão. Do outro lado o mesmo movimento responde, aturdido pelas ideias imperceptíveis que se tentam conjugar no fundo lacado da voz; uma chama, uma ponta de uma vela que invoca as vivências na sua urgência para se encontrarem. As vozes adormecem de noite, nos fios de telefone que alastram os ecos de batimentos cardíacos em sílabas e vogais. Emerge toda a perplexidade da ausência do corpo, dos gestos, do olhar perdido numa janela aberta por onde entram paisagens avassaladoras, como o batimento das ondas na praia aberta aos ventos do inverno.

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Capa

Meteorologias is the most recent book by Quarto de Jade Editions. Having a 18,2 x 13,4 cm dimension it contains 164 pages with four abstract telluric sequences by Diniz Conefrey and an introduction, in English and Portuguese by Aarnoud Rommens:

«In its lyrical freehand, Meteorologias draws us into its silent experimentation with time, duration, and rhythm. Its form—the shifting style of the drawings, the panel sequencing, and page layout—occasions a reflection on multiple, interwoven temporalities: the duration and varying cadences of reading, the speed and intensities of drawing, as well as the relation between historical, human-scale time and deep, anti-human, geological time.» (…)

(…)  «Thus, first of all, Meteorologias explores the intimacy of reading time whose duration is unpredictable given the resistance abstraction poses to legibility. However, the comic is not just a self-reflexive work. It also speaks to the pressing issues of today. It is here that the few words—the titles of the four parts—become important in generating figures of thought that have a bearing on our historical moment. Like words in a poem they invite the daemon of analogy, leading to infinite visual-verbal associations.» (…)

It’s avaiable in our on-line shop through this link.

Fossil Membrane - Membrana Fóssil.

Fossil Membrane – Membrana Fóssil.

 

The Wind's Substance - A Matéria do Vento.

The Wind’s Substance – A Matéria do Vento.

 

Small Worlds - Pequenos Mundos.

Small Worlds – Pequenos Mundos.

 

Hurricane Home - Tornado a Casa.

Hurricane Home – Tornado a Casa.

 

Meteorologias é o novo livro das Edições Quarto de Jade. Com um formato de 18,2 x 13,4 cm contem quatro sequências telúricas, abstractas, de Diniz Conefrey e um prefácio, em Inglês e Português, de Aarnoud Rommens:

«Na sua lírica fluidez, Meteorologias envolve-nos numa experimentação silenciosa com o tempo, a duração e o ritmo. A sua forma – o estilo mutável dos desenhos, a sequenciação das vinhetas e a composição das páginas – suscita uma reflexão sobre temporalidades múltiplas que se entrelaçam: a duração e as cadências variáveis da leitura, a velocidade e as intensidades do desenho, bem como a relação entre o tempo histórico, de escala humana, e o profundo e anti-humano tempo geológico.» (…)

(…) «Assim, antes de mais, Meteorologias explora a intimidade do tempo de leitura, cuja duração é imprevisível dada a resistência que a abstracção opõe à legibilidade. Contudo, esta banda desenhada não é um trabalho meramente auto-reflexivo. Alude também aos grandes problemas do nosso tempo. É aqui que as escassas palavras – os títulos das quatro partes – se tornam importantes, suscitando imagens mentais que remetem para o momento histórico em curso. Assim como as palavras de um poema, esses títulos apelam ao daimon da analogia, permitindo inúmeras associações verbais-visuais.» (…)

Este livro encontra-se disponível na nossa loja on-line, através deste link.

 

 

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