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culsete

«Por razões que se prendem com a salvaguarda da minha saúde, vou dar por terminada, durante o próximo mês de outubro, a atividade livreira da Culsete, cessando assim a intervenção de uma casa de leitura e para a leitura, cuja ação cultural teve uma dimensão local e nacional.

Apesar das inúmeras diligências por mim efetuadas, não foi possível encontrar até ao momento ninguém que queira prosseguir com este projeto. Mantenho, porém, essa hipótese em aberto até ao último dia.

A cidade de Setúbal vai mais cedo ou mais tarde ressentir-se da falta de um centro de animação cultural tão importante como tem sido esta livraria. Chegam, assim, ao fim quarenta e seis anos de mediação livreira, primeiro em nome da Culdex e, desde 1973, em nome da Culsete.

Aproveito para informá-lo de que de 23 de setembro a 2 de outubro farei uma liquidação total do fundo da Culsete, com livros desde € 0,50 cêntimos até € 10,00, estes os exemplares cujo preço de capa seja superior a € 40,00. Espero que apareça e a divulgue junto dos seus contactos porque vai valer a pena aproveitar as nossas preciosidades a preços tão convidativos. Horário: Dias úteis e sábados: 10/13 h – 15/19 h; domingos: 14/20 h.»

Fátima Ribeiro de Medeiros

O BRILHO DO VISÍVEL

quadro

«Estamos de tal forma fascinados pela ideia clássica da adequação intelectual que este «pensamento» mudo da pintura nos deixa, por vezes, a impressão de um vão remoinho de significações, de uma palavra paralisada e abortada. E se respondermos que nunhum pensamento se desliga completamente de um suporte, que o único privilégio do pensamento falante é de tornar o seu manobrável, que, tal como as figuras da pintura, as figuras da literatura e da filosofia não estão verdadeiramente adquiridas, não se cumulam num estável tesouro, que mesmo a ciência aprende a reconhecer uma zona do «fundamental» povoada de seres espessos, abertos, rasgados, os quais de maneira nenhuma podem ser tratados exaustivamente, como a «informação estética» dos cibernéticos ou «os grupos de operações matemático-físicas», e que, enfim, nós não estamos em nenhum lado em estado de fazer um balanço objectivo, nem de pensar num progresso em si, que é toda a história humana que num certo sentido é estacionária, o quê, diz o entendimento como Lamiel, é só isso? O ponto mais alto da razão é confirmar este escorregar do solo sob os nossos passos, chamar pomposamente interrogação a um estado de estupor continuado, procura de um caminhar em círculo, Ser que nunca é completamente?

Mas esta decepção é a do falso imaginário, que reclama uma positividade que preencha exactamente o seu vazio. É o lamento de não ser tudo. Lamento que não é completamente fundado. Pois se nem a pintura, nem mesmo noutro campo, podemos estabelecer uma hierarquia das civilizações ou falar de progresso, não é que qualquer destino nos retenha para trás, é acima de tudo que, num certo sentido, a primeira das pinturas ia até ao fundo do futuro. Se nenhuma pintura conclui a pintura, se mesmo nenhuma obra está absolutamente concluída, cada criação muda, altera, esclarece, confirma, exalta, recria ou cria de antemão todas as outras. Se as criações não são algo adquirido, não é apenas porque, como todas as coisas, passam, é também porque têm quase toda a vida à sua frente.»

O olho e o espírito. Merleu-Ponty. Tradução de Luís Manuel Bernardo para a Vega, 1992.

CEGA-REGA

Ilustração

«Nenhuma palavra de apreço pela dureza do caminho andado. Paciência. O teatro do mundo tem palco e bastidores. As palmas da plateia festejam somente os dramas encenados. Que remédio, pois, senão a gente resignar-se e aceitar as sínteses levianas. Nascia do tempo. Muito bem. Ninguém mais ficaria a conhecer a fundura dos abismos em que se debatera. Protoplasma, lagarta, ninfa… Quase que sentia ainda no corpo as fases da transfiguração. Mas pronto, chegara! Agora era receber o calor do presente, e cantar. Cantar o milagre da anodina e conseguida ascensão.»

Miguel Torga, Bichos.

Vaga nocturna

Nas vagas horas nocturnas desfiam-se conversas em tom intimista, sulcando a voz distante uma procura em ritmos circunspectos, abertos ao destino que as palavras podem abrir no tempo da auscultação. Brilham as imagens em movimentos musculares tépidos e crónicos; procurando soltar as teias dos sentidos, das percepções guardadas nas longas horas de reflexão. Do outro lado o mesmo movimento responde, aturdido pelas ideias imperceptíveis que se tentam conjugar no fundo lacado da voz; uma chama, uma ponta de uma vela que invoca as vivências na sua urgência para se encontrarem. As vozes adormecem de noite, nos fios de telefone que alastram os ecos de batimentos cardíacos em sílabas e vogais. Emerge toda a perplexidade da ausência do corpo, dos gestos, do olhar perdido numa janela aberta por onde entram paisagens avassaladoras, como o batimento das ondas na praia aberta aos ventos do inverno.

Lisboa

«Vinte escritores e vinte ilustradores partilham a sua Lisboa secreta, nostálgica, imaginária, histórica, perdida, subterrânea, suja ou utópica. De Guia Ler e Ver no bolso, o leitor, seja ele turista, morador temporário, visitante curioso ou mesmo alfacinha, poderá percorrer os mais inesperados itinerários lisboetas e conhecer diferentes cidades que habitamos no nosso quotidiano sempre feito de memórias longínquas, momentos marcantes, dias horrorosos ou pequenos-almoços corriqueiros.»

Uma breve nota para acrescentar, ao texto da contracapa desta edição da Egeac, que uma das participações neste guia colectivo são 4 páginas da autoria de Maria João Worm, descrevendo sumariamente um percurso que vai do Jardim das Conchas ao Museu da Marioneta. A ilustração contemporânea desta edição conta com autores diversificados, tanto em termos gerecionais como das expressões que lhes são próprias, unidas pelo fio da continuidade temporal.

Lisboa 1

pup 5

David A. Carter, 600 Black Spots. Nova Iorque: Little Simon, 2007.

Campo Grande, de 17 Maio a 9 Setembro de 2016.

«Esta exposição resulta do encontro de dois coleccionadores de livros. André Garcia Pimenta colecciona livros mecânicos. Catarina Figueiredo Cardoso colecciona livros de artista e de edição independente. Confrontando as suas colecções, concluíram que estas se interseccionavam precisamente nos livros mecânicos. E são complementares: enquanto André Garcia Pimenta colecciona livros mais antigos, desde o início dos livros mecânicos, Catarina Figueiredo Cardoso colecciona livros contemporâneos.

pup 0

Harold Lentz, The Pop-Up Pinocchio. Nova Iorque: Blue Ribbon Books,1932.

«Pop-up» («aparecer» ou «surgir» em português) é o termo inglês utilizado universalmente para designar livros em que a abertura de uma página dupla provoca um movimento que faz com que elementos recortados, dobrados e colados se levantem para formarem uma figura tridimensional. Reciprocamente, o fechar da página faz colapsar a figura tridimensional, regressando o livro ao seu aspecto tradicional de códice fechado. O termo «pop-up book» foi registado em 1932 pela editora nova-iorquina Blue Ribbon, com o livro Pinocchio de Harold Lentz.

pup 3

Raphael Urwiller, Mayumi Otero, Momotaro. Estrasburgo: Icinori, 2011.

Os livros pop-up podem ser muito simples ou de uma enorme complexidade, livros únicos ou grandes produções de centenas de milhares de exemplares usando sofisticadas técnicas de corte e de impressão. Mas a sua montagem é sempre um processo manual.

pup 1

Ernest Nister, The Land of Long Ago. Londres: Ernest Nister, 1898.

A exposição está organizada em três partes.

A primeira parte apresenta exemplos clássicos de pop-ups. Alguns são livros do Séc. XIX, outros da primeira metade do Séc. XX. São também clássicos pelos temas que tratam: o mundo das crianças, contos infantis, abecedários e numerários.

pup 9

Jean-Charles Trebbi, Angel Dance. Nº1/10. Pountault Combault (França): o autor, 2011.

A segunda parte é dedicada a artistas contemporâneos especialmente importantes no contexto da produção industrial de pop-ups, e a artistas que usam o pop-up como componente relevante da sua prática.

pup 13

Matthew Reinhart & Robert Sabuda, Folha de produção de Dragons & Monsters.

A terceira parte mostra o lado escondido do pop-up industrial: maquetes e esboços, as folhas impressas com as peças, os cortantes.» (Excerto do texto da folha de sala) André Garcia Pimenta – Catarina Figueiredo Cardoso.

pup 2

S. Louis Giraud, Daily Express ABC. Londres: S. Louis Giraud, 1932.

 

pup 8

Ug (Philippe Ug), Pixomatic. Nº47/100. Liancourt (França): o autor, 2008.

 

pup 10

Catarina Leitão, Uplift. Nº5/5+1PA, assinado pela autora. Nova Iorque: a autora, 2008.

 

pup 11

Damien Schevaert-Brossault, Farandole Celeste. Nº1/8, assinado pelo autor. Vitry sûr Seine (França): Imaginalia, 2010.

 

pup 12

Matthew Reinhart, Robert Sabuda, Dragons & Monsters: miolo do livro. Assinada.

Capa

Meteorologias is the most recent book by Quarto de Jade Editions. Having a 18,2 x 13,4 cm dimension it contains 164 pages with four abstract telluric sequences by Diniz Conefrey and an introduction, in English and Portuguese by Aarnoud Rommens:

«In its lyrical freehand, Meteorologias draws us into its silent experimentation with time, duration, and rhythm. Its form—the shifting style of the drawings, the panel sequencing, and page layout—occasions a reflection on multiple, interwoven temporalities: the duration and varying cadences of reading, the speed and intensities of drawing, as well as the relation between historical, human-scale time and deep, anti-human, geological time.» (…)

(…)  «Thus, first of all, Meteorologias explores the intimacy of reading time whose duration is unpredictable given the resistance abstraction poses to legibility. However, the comic is not just a self-reflexive work. It also speaks to the pressing issues of today. It is here that the few words—the titles of the four parts—become important in generating figures of thought that have a bearing on our historical moment. Like words in a poem they invite the daemon of analogy, leading to infinite visual-verbal associations.» (…)

It’s avaiable in our on-line shop through this link.

Fossil Membrane - Membrana Fóssil.

Fossil Membrane – Membrana Fóssil.

 

The Wind's Substance - A Matéria do Vento.

The Wind’s Substance – A Matéria do Vento.

 

Small Worlds - Pequenos Mundos.

Small Worlds – Pequenos Mundos.

 

Hurricane Home - Tornado a Casa.

Hurricane Home – Tornado a Casa.

 

Meteorologias é o novo livro das Edições Quarto de Jade. Com um formato de 18,2 x 13,4 cm contem quatro sequências telúricas, abstractas, de Diniz Conefrey e um prefácio, em Inglês e Português, de Aarnoud Rommens:

«Na sua lírica fluidez, Meteorologias envolve-nos numa experimentação silenciosa com o tempo, a duração e o ritmo. A sua forma – o estilo mutável dos desenhos, a sequenciação das vinhetas e a composição das páginas – suscita uma reflexão sobre temporalidades múltiplas que se entrelaçam: a duração e as cadências variáveis da leitura, a velocidade e as intensidades do desenho, bem como a relação entre o tempo histórico, de escala humana, e o profundo e anti-humano tempo geológico.» (…)

(…) «Assim, antes de mais, Meteorologias explora a intimidade do tempo de leitura, cuja duração é imprevisível dada a resistência que a abstracção opõe à legibilidade. Contudo, esta banda desenhada não é um trabalho meramente auto-reflexivo. Alude também aos grandes problemas do nosso tempo. É aqui que as escassas palavras – os títulos das quatro partes – se tornam importantes, suscitando imagens mentais que remetem para o momento histórico em curso. Assim como as palavras de um poema, esses títulos apelam ao daimon da analogia, permitindo inúmeras associações verbais-visuais.» (…)

Este livro encontra-se disponível na nossa loja on-line, através deste link.