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SUROESTE

Na continuidade da exposição Suroeste, realizada no MEIAC (Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporaneo) entre Março e Abril de 2010, tendo decorrido em Badajoz sobre o mote de Relações literárias e artísticas entre Portugal e Espanha (1890-1936), tem vindo a marcar presença, sob a direcção de Antonio Sáez Delgado, esta revista  assumindo o mesmo nome do evento que lhe deu origem.

Contendo uma estrutura em redor de três secções temáticas, são várias as línguas ibéricas que aqui se exprimem para um aprofundamento, e maior conhecimento, da dinâmica actual de uma cultura transfronteiriça de realidades, senão comuns pelo menos partilhadas. Neste número 12, na secção de Ensaio, é publicado «A Arte de Escutar» de Diniz Conefrey, que teve a sua primeira edição neste blog. Maria João Worm participa na secção de Poesia com o poema «Roupa em Segunda Mão».

Muitos são os colaboradores que, ao longo de 168 páginas (e duas separatas) dão voz a esta publicação onde também se encontra patente uma secção de Narrativa. A edição pertence à Junta de Extremadura e à Fundación Godofredo Ortega Muñoz, onde estão disponíveis no site, para consulta digital, os números publicados anteriormente:

https://ortegamunoz.com/suroeste/

CIRCULAR

«Pouco a pouco vai anoitecendo, ouve-se o canto repetitivo dos insectos nocturnos e Marina, em cada salto, vai-se misturando um pouco mais com a terra, com o mesmo ritmo.»

O que distingue um livro ilustrado de um livro de banda desenhada? De que se trata quando nos referimos a um livro infantil? Qual a diferença entre o género alternativo e o comercial? Por serem relativas todas essas questões, continuamos a acreditar em livros de narrativa gráfica onde os leitores de diferentes idades possam criar laços de proximidade. Em mãos um novo livro que as edições Quarto de Jade preparam para ser publicado durante o próximo mês de Março. Do qual se dizia, quando o mês era áspero: Março Marçagão, de manhã inverno à tarde verão.

Remembering some moments of the voyage to the most relevant places of the Buda’s path, in India, which took place in October 2022, and was happily shared with an heterogenic and dedicated sangha.

All around the road we saw motorcycle princesses going on their way.

-What’s your name?

-Dennis.

-Where you come from?

-Portugal, southern Europe…

-There are many things to see here!

-We going north, to meet Buda places.

We saw sacred cows at Sanjay colony, a shanty town build by the population in the surroundings of New Delhi.

-My name is Naresh, the guide that leads you into this place.

-Can we take pictures?

-No, here is not permitted.

-Why not?

-This is not a tourist place, we must respect the dwellers.

(The streets were full of people and the smell was overwhelming).

Very often boys walk together with one hand leaning on the shoulder of the other. Or even holding hands can be a sign of their friendship.

-Do you have Camel cigarettes?

-No, only Marlboro…

-Let’s try another place.

-Never mind, I will try tomorrow morning.

-Give me your hand, so you don’t get lost.

(The streets in Varanasi were chaotic, with too many traffic and people moving around).

It was hot and the Ashoka Pilar stand with a smiling lion on is top. Here was accepted the inclusion of nuns in the Buda’s sangha, a poor region as Sanjay that we saw in Delhi, where the cast system is not relevant.

-This is the World Peace Stupa.

-Why it as also statues of the smiling lion?

-Because the Ashoka reign was the golden age of budism in India.

-But this is a Japanese stupa, right?

-Yes, it was built in the sixties, as a memorial of Japan atomic bombing.

(We look at the standing white pagoda rising the intention that similar wars won’t ever happen again in the world).

We were travelling further north when I felt involved by the sound of a Raga played by Shankar in is double violin.

It look like it was coming from the trees and mountains, as well from the heated mist elevating from the ground. And it seems that the pace of the bus carrying us was a tabla performing our hearts throughout an endless floating road.

https://www.youtube.com/watch?v=xrGJdoTNbSs

Above New Dehli’s Central Park several eagles were flying in large circles. We had already seen a considerable amount of monkeys in the garden of the hotel and its surroundings.

-Have you just seen it, there’s a lot of small squirrels in the trees.

-Last night I saw huge bats flying low, near the market.

-There are many street dogs sleeping on the ground or just wandering quietly.

-Just like the goats in the country villages.

-There are not only cows rooming everywhere.

(At Lodi Park a great number of geese stroll together near the lake in a loud array of acute sound).


Um livro é uma expansão delicada, reflectindo uma vivência para tocar quem o queira receber num espaço de encontro comum. Além do nosso site, os livros mais recentes que editamos podem ser encontrados nas seguintes livrarias:

Almedina – Lisboa e Coimbra

Baobá – Lisboa

BD Mania – Lisboa

Centésima Página – Braga

Dr Kartoon – Coimbra

Fnac – Várias

Kingpin Books – Lisboa

Ler Devagar – Lisboa

Stet – Lisboa

Tinta nos Nervos – Lisboa


									

 

A memória como contratempo exercido para que se fixe o que em si, naturalmente, segue em fluxo contínuo. A humanidade consegue fixar, registar. Escreve, faz incisões de gestos e atém. Prende ou, se quisermos, sustém. Julgo que o faz por contraponto ao volátil, tem medo do esquecimento, da morte. Usa as palavras que conjugam as pessoas num lugar de encontro partilhável. Entendível, desincriptável. Criou um modo de dizer que nomeia e, esperançosamente, o faz para que se entenda o propósito do inexplicável. Pode fazê-lo segundo uma tradição oral, ou fixar por inscrição: para ser lida. Duas formas de permanecer no espaço da memória.

Um livro é antes de mais um registo. Um pensamento que, ao apresentar-se para ser lido, supera a ideia de perda através da fixação. Nada garante que quem chega leia do mesmo modo como foi escrito, mas terá decerto uma leitura acertada com cada indivíduo, na sua intimidade. São de imensa acumulação os texto escritos. São demasiados e contudo belos nisso de serem vozes únicas de cada vez que se apresentam.

No caso da oralidade, que passa de uns para outros, fica sujeita a uma escolha e à delimitação do corpo que recebe a informação. Para mim fica mais leve e contemporâneo o que é dito. Será o testemunho do corpo em vida que o saberá fazer, ajustando-o à sua existência em continuação. Um upgrade vivêncial. Tarkovsky disse que os seus filmes seriam feitos apenas por estar em desequilíbrio com a vida, de outro modo a Arte não seria necessária.

Sugiro a leitura do livro «O Homem Livre» de Filipe Verde (Angelus Novus, Editora. Coimbra, 2008). Nele encontrei apoio no que tenho vindo a considerar como importante para sustentar a vida no meio de tantas vozes. Este livro aproxima-se dos Bororo e de como uma comunidade dita “simples” lida com a dualidade. Perante a anarquia da Natureza, onde também os seres humanos estão inseridos, através do corpo compulsivo que corresponde aos apelos da força natural e, ao mesmo tempo, a presença dos aroe: os espíritos que estão abertos à possibilidade de se pensar.

Participando o ser humano nestas duas vivências em simultâneo e interagindo entre elas, cabe-lhe um equilíbrio que decorre de regras segundo uma ética que faz juz à palavra. A palavra aparece como definidora de princípios éticos, que sustentam caudais de comportamento humano equilibrado.

 

UNIVERSOS

Foi com agrado que lemos na mais recente edição do JL, de 16 a 29 Novembro, uma recensão de João Ramalho Santos sobre o livro «Área», de Diniz Conefrey, da qual deixamos uma breve passagem:
«Com a sua tiragem microscópica e detalhado trabalho editorial, este é uma impressionante obra de autor, que, no entanto, nada tem do tom de satisfação autorreferencial que essa designação tende a implicar. «Área» é um livro multifacetado, cujos vários universos se metamorfoseiam, cujas camadas se vão revelando e interpenetrando em múltiplas leituras…»

BEYOND APPEARENCE

Poetry launch your life in a more subjective way. Thinking as an individual you get a core of lectures and interpretations more linked with your personal experience, even if you continue to get influence from your social landscape. For instance, white for us is simply white, it don’t get much resemblance. For an Inuit white have a wider scope because they live in a landscape with many whites. We tend to see faces in abstract forms in daily life; on woods or in marble stones. But they are not there, we are only projecting ourselves; our species. I agree that is language and the notion of  ego that creates most of resemblances. It’s a clear sign of communication. Analogy is our brain capability, to interpret things beyond its appearance. As closer you are from forgetting yourself, much closer you are to the real world.

No fim-de-semana de 15 e 16 de outubro, entre as 11h00 e as 18h00, o Museu Bordalo Pinheiro recebe mais uma edição do Mercado de Ilustração e BD, que desta vez reúne cerca de vinte expositores, realiza vários lançamentos e conversas, organiza oficinas de ilustração e BD para todas as idades e apresenta ainda uma pequena mostra de filmes de animação.

Participantes: AguçaAvesso & TRavessoChili Com Carne • Revista dose • Ediciones Modernas El EmbudoErva Daninha Press (sábado) • Estúdio BulhufasFiascoGalhoIt’s a Book (domingo) • La LecheLegendary BooksMAGO studio • Massacre (sábado) • Oficina LobaPprviewPIM ediçõesPlaneta TangerinaPonto de FugaQuarto de JadeStolen BooksTASCO/Vicara Design • The Lisbon StudioEditorial Project (VIRA)

PROGRAMA

Sábado, 15 OUT
11h00: Workshop de BD com Filipe Abranches, à volta do imaginário de Bordalo Pinheiro
15h00: Workshop de Cartazes Ilustrados com Mantraste15h00: Apresentação da Coleção e Biblioteca Online do Museu Bordalo Pinheiro
16h00: Lançamento da revista finlandesa Kutikuti (nº 65, edição especial dedicada à BD portuguesa contemporânea)
16h30: Oficina de ilustração “Envio postal”, com Inês Viegas Oliveira
17h00: Conversa com Pedro Vieira de Moura e Marcos Farrajota

Domingo, 16 OUT
11h00: Oficina “Livro Mutante”, com Carolina Celas
15h00: Conversa “Área – Raízes e sinapses”, com Diniz Conefrey e Maria João Worm (Quarto de Jade)
16h00: Mostra de Curtas de Animação (com filmes de André Ruivo, Catarina Sobral e Henrique de Abreu Gouveia)
17h00: Apresentação sobre as Ediciones Modernas El Embudo, com Gustavo Puerta Leisse
ENTRADA GRATUITA

Agradecemos  a todas e todos aqueles que estiveram no passado dia 20, na esplanada da livraria Tinta nos Nervos, para  partilhar connosco uma conversa em torno do livro mais recente das edições Quarto de Jade. Nesta fase, temos contemplado tiragens mais reduzidas e, consequentemente, um preço de capa mais elevado. Mas o cuidado que colocamos em cada edição é agora redobrado, apresentando-se esta forma como sendo a mais consentânea entre as nossas propostas narrativas e os leitores interessados em lhes conferir um apreço de sustentabilidade. Deixamos aqui uma breve recensão, pela voz de Pedro Moura, para que possam conhecer melhor este livro – disponível nas livrarias ou através da loja do nosso site.

Será pela descida, entre a ruína da construção humana, que o homem da sequência inicial irá reconhecer em si, frente ao espelho, o encontro. Iniciando-se assim a palavra, a possibilidade de escrever no caderno que permanecerá como objecto de corpo possível para registar. Tanto o humano como o que, através dele, o transcende.

Para além do modo como o livro segue em sequência e assim colmata a imprecisão temporal, o facto de haver ao início uma descida para o interior da construção humana atende ao que irá acompanhar todo o desenvolvimento narrativo que é imerso, tanto nas entranhas da terra como nas múltiplas referências ao elemento água.