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FLOEMA DORSAL

Em Abril de 2011 as edições Quarto de Jade publicaram o seu primeiro título, Os Animais Domésticos da autoria de Maria João Worm. Oito anos volvidos apresentamos um novo livro, Floema Dorsal de Diniz Conefrey, um ensaio de 236 páginas que conjuga banda desenhada abstracta e figurativa, no qual se incluem três narrativas a preto e branco e duas a cores: Nas rajadas de um sono, Impermanência, Onde estão as borboletas, Cigarra, O lugar sem espera. As três primeiras sequências são inteiramente visuais, terminando com duas histórias complementadas por narração escrita. O tema Cigarra foi escrito e desenhado conjuntamente com Maria João Worm. Esta edição encontra-se disponível para venda no nosso site: http://www.quartodejade.com/shop_books.php

Na rajadas de um sono

O autor deste livro é um lisboeta que tem na Cidade do México uma morada sentimental. Adicionou à formação autodidacta o curso de desenho, na Sociedade Nacional de Belas Artes. Durante vários anos participa, como ilustrador e autor de narrativas gráficas, em jornais, revistas e editoras a par de ter efectuado alguns cursos de formação.  Além das exposições que incluíram os seus originais, tanto em Portugal como na Bélgica, França e Brasil, foi bolseiro do Estado mexicano em 2005, 2007 e 2015. Criou, com Maria João Worm, a chancela Quarto de Jade onde publica alguns livros da sua autoria, assim como na Pianola Editores, Douda Correria e revista Cão Celeste.

Impermanência

Onde estão as borboletas

Cigarra

O lugar sem espera

Well, we didn’t received, yet, a copy of this colossal compilation edited by Aarnoud Rommens and with the collaboration of Benoît Crucifix, Björn-Olav Dozo, Erwin Dejasse & Pablo Turnes. But we share the photo and the text that Paul Gravett mention in is facebook page, just for general information. From our little corner, this book have the participation of Cátia Serrão, Pedro Moura and myself, with the abstract sequence O arco da noite branca donne in Mexico City some years ago.

«From Alberto Breccia’s Lovecraftian nightmares and Jack Kirby’s cosmic ‘Krackle’ to Yokoyama Yuichi’s geometric intensities, this madly interesting, thought-provoking and challenging collection arrived today. ABSTRACTION AND COMICS comes in a slipcase containing two volumes of over 440-pages each, 888 in all, brimming with essays and artworks by 52 contributors, including aetens, Erwin Dejasse, Hugo Frey, SimJan Bon Grennan, Gene Kannenberg Jr, Pascal Lefèvre, Ilan Manouach, Gert Meesters, Pedro Moura and Barbara Postema, all enquiring into what abstraction can offer to comics. Writings and images are published in their original languages, the majority in English (nine of the essays are in French). It’s just been published by Belgian mavericks La 5e Couche (5c) and Presses Universitaires de Liège, co-ordinated by ACME Comics Research Group in Liège. The cunning Op-Art, eye-test covers are by Martin Vitaliti (the sources look to me like John Buscema 1970s romance comic books?). The 9th Art in all its forms always hides surprises in its past and still offers so many more to come…»

O arco da noite branca

This is not a book about abstract comics. Instead, it combines original, new comics and multiple texts to explore what abstraction can offer to comics, and what comics can do for abstraction. By doing so, Comics and Abstraction occasions a critical engagement with issues such as ‘high’ versus ‘low’ art; art history and comics studies; literature, poetry, drawing and writing; highbrow, lowbrow, nobrow, and so on. “Comics and Abstraction” generates a space of contradiction where the essays and images stand in a relation of tension. Some of the included texts are more historically-oriented, some take a decidedly semiotic approach, while others are more concerned with formal features. This multiplicity is echoed by the markedly different aesthetics of the comics, which do not necessarily ‘illustrate’ the theoretical frames of the essays. It is ultimately up to the reader to create the meaningful paths that connect abstraction and comics.’ 36 euros, available from https://5c.be/5c_catalogue.html and http://www.presses.uliege.be/jcms/c_21487/acme-4

A consciência do tempo levou-me ao cinema de animação na Escola António Arroio, um gosto  pela sequencialidade, a rima, ouvir e contar histórias,tendência para me encantar com frisos de iluminuras ou letras capitulares.
Depois fiz um curso técnico/profissional de cerâmica: um reencontro com a consequência táctil do gesto e subsequente afinidade com unhas sujas. De escultura no Porto transferi-me para pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa: a questão da luz e a conversa das cores.
Colaborei em revistas, livros e jornais, publicando ilustrações e narrativas gráficas. Tenho usado a técnica da linogravura, para mim é um encontro feliz entre escultura e pintura, nela se acresce o reflexo enquanto poesia aplicada. Das exposições de pintura e gravura destaco A colecção particular  “A” em 2006 na galeria Monumental e a A Fonte das Palavras em 2013 na Casa das Histórias Paula Rego. Em 2011 recebi o Prémio Nacional de Ilustração, com o livro Os Animais Domésticos, edições Quarto de Jade. Foi muito importante para mim ter dado aulas, pela reciprocidade que um espaço de ensaio permite quando se procura a afinação de cada um consigo próprio, para comunicar com os outros.

CARDOS MADUROS

A chancela Quarto de Jade tem uma nova publicação em co-edição com a Mundo Fantasma e o Atelier 3/3. Trata-se de uma brochura de 36 páginas, impressa em risografia no Porto, com encadernação manual, numa tiragem de 93 exemplares numerados. A capa é impressa a azul, a página de rosto a burgundy e o miolo a preto e branco com ilustrações de Diniz Conefrey e texto com a colaboração de Maria João Worm.

Cardos Maduros expõe uma reflexão sem tempo. Uma viagem dentro de viagens, exposta em ilustrações. Momentos vividos entre a experiência pessoal e o universo literário de Juan Rulfo. Ecoando nessa multiplicidade, a constatação de vivências sobrepostas, atravessando a narrativa para se encontrarem numa elegia onde os afectos emergem entre a crueza de histórias perdidas.

Disponível na loja do site: http://www.quartodejade.com/shop_books.php

 

 

 

 

Aqui chilreiam  muito, e a casa aberta à luz deixa que o som coincida com o atravessar das tonalidades. Uma casa é um corpo, como a baleia de Jonas, ajuda a perceber que faço parte do corpo maior e que agora habito-o na forma completa do que sou. Toco muitos instrumentos, nem sempre a música é audível. Passo a mão no móvel e ele ressente-se; a balaustrada ronrona. O tecto de madeira guarda o para cima do fundo da lareira de muitos natais. O abat-jour dirige a luz. Este tempo sensível. As cadeiras lembram-se de quase tudo. E os relógios, dois, que se acompanham em ritmo de peregrino. Um puxa pelo outro. Um adianta-se e o outro atrasa-se. Um toca as horas com sonoridade grave, o outro não. Caminham na abstracção de dar a ver a que horas vamos estando por aqui. Como relicários, estão protegidos por vidro e lá dentro o ponteiro de raminho silvestre abriga-se na pequena estufa de uma determinada maneira de ser cumpridor. A corda, o pêndulo. A necessidade do outro. Veios, veias, vale a pena de gaivota escrita tão ligada à vida. Até as moscas pequenas quando pousam no vestido pertencem ao seu padrão. Afinal, o meu vestido refere-se à repetição de moscas e eu, achava que era uma abstracção.

 

HISTÓRIAS GRAVADAS

A livraria Mundo Fantasma abre portas dia 4 de Maio, das 10h00 às 20h00, para mais um Free Comic Book Day, celebrado por todo o mundo no primeiro Sábado de Maio. À iniciativa acrescem outras dinâmicas, organizadas pelo atelier 3|3 e pela livraria, tais como a realização de um Mercado de Edições, dando realce a diversos géneros de edição de autor; a exposição Histórias Gravadas, com pranchas das edições Quarto de Jade (Maria João Worm e Diniz Conefrey); e o lançamento do disco Vida Nova de Manuel Cruz, o segundo álbum editado pela independente Turbina. Haverá ainda lugar para a experimentação de técnicas de carimbagem para um fanzine, numa banca montada para esse efeito. Também haverá oportunidade para aquisição dos últmos exemplares do “Diário Rasgado 2007-2012” de Marco Mendes, com a presença do autor.

A Exposição Histórias Gravadas, inaugura nesse dia com a presença dos autores Maria João Worm e Diniz Conefrey.
A Quarto de Jade ganhou forma com a edição do livro Os Animais Domésticos, em 2011, logo após a edição de Electrodomésticos Classificados. A sua linha editorial deriva da articulação entre a palavra e a imagem emergindo de um sentido poético. Nesta exposição destacam-se desenhos preparatórios, matrizes, tanto em linóleo como em madeira, e provas de estado, referentes ao último livro por nós publicado: Planície Pintada. Também se apresentam uma série de gravuras desafiando a que se pense sobre o que seres sencientes poderão, eventualmente, sentir Nas Lojas que Vendem Animais. Esta exposição estará patente até ao final do mês de Junho.

RIZOMA

Ilustração de Maria João Worm para Áudio-postal de Patrícia Portela e Leonor Barata, 2018

Não sabíamos nada das cores. Respirávamos nas alcovas do desejo com um amor secreto por tudo aquilo que está para vir, com a pureza do mundo que não fora feito pela humanidade. No espanto da solidão caminha-se de mãos dadas. Mãos trémulas, por vozes hesitantes mas que aspiram à finalização da vida que respirada por dentro se transforma. E transforma em quê? A pergunta está deslocada, transforma-se porquê? Porque de súbito renasce a vontade de sentir. Não é aquela luz caduca e fugaz dos espectáculos mas a permanência do verbo que sente e que se altera pela combustão das cicatrizes de tudo o que, por intocável, aspira à libertação do amor.