Feeds:
Artigos
Comentários

Well, we didn’t received, yet, a copy of this colossal compilation edited by Aarnoud Rommens and with the collaboration of Benoît Crucifix, Björn-Olav Dozo, Erwin Dejasse & Pablo Turnes. But we share the photo and the text that Paul Gravett mention in is facebook page, just for general information. From our little corner, this book have the participation of Cátia Serrão, Pedro Moura and myself, with the abstract sequence O arco da noite branca donne in Mexico City some years ago.

«From Alberto Breccia’s Lovecraftian nightmares and Jack Kirby’s cosmic ‘Krackle’ to Yokoyama Yuichi’s geometric intensities, this madly interesting, thought-provoking and challenging collection arrived today. ABSTRACTION AND COMICS comes in a slipcase containing two volumes of over 440-pages each, 888 in all, brimming with essays and artworks by 52 contributors, including aetens, Erwin Dejasse, Hugo Frey, SimJan Bon Grennan, Gene Kannenberg Jr, Pascal Lefèvre, Ilan Manouach, Gert Meesters, Pedro Moura and Barbara Postema, all enquiring into what abstraction can offer to comics. Writings and images are published in their original languages, the majority in English (nine of the essays are in French). It’s just been published by Belgian mavericks La 5e Couche (5c) and Presses Universitaires de Liège, co-ordinated by ACME Comics Research Group in Liège. The cunning Op-Art, eye-test covers are by Martin Vitaliti (the sources look to me like John Buscema 1970s romance comic books?). The 9th Art in all its forms always hides surprises in its past and still offers so many more to come…»

O arco da noite branca

This is not a book about abstract comics. Instead, it combines original, new comics and multiple texts to explore what abstraction can offer to comics, and what comics can do for abstraction. By doing so, Comics and Abstraction occasions a critical engagement with issues such as ‘high’ versus ‘low’ art; art history and comics studies; literature, poetry, drawing and writing; highbrow, lowbrow, nobrow, and so on. “Comics and Abstraction” generates a space of contradiction where the essays and images stand in a relation of tension. Some of the included texts are more historically-oriented, some take a decidedly semiotic approach, while others are more concerned with formal features. This multiplicity is echoed by the markedly different aesthetics of the comics, which do not necessarily ‘illustrate’ the theoretical frames of the essays. It is ultimately up to the reader to create the meaningful paths that connect abstraction and comics.’ 36 euros, available from https://5c.be/5c_catalogue.html and http://www.presses.uliege.be/jcms/c_21487/acme-4

A consciência do tempo levou-me ao cinema de animação na Escola António Arroio, um gosto  pela sequencialidade, a rima, ouvir e contar histórias,tendência para me encantar com frisos de iluminuras ou letras capitulares.
Depois fiz um curso técnico/profissional de cerâmica: um reencontro com a consequência táctil do gesto e subsequente afinidade com unhas sujas. De escultura no Porto transferi-me para pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa: a questão da luz e a conversa das cores.
Colaborei em revistas, livros e jornais, publicando ilustrações e narrativas gráficas. Tenho usado a técnica da linogravura, para mim é um encontro feliz entre escultura e pintura, nela se acresce o reflexo enquanto poesia aplicada. Das exposições de pintura e gravura destaco A colecção particular  “A” em 2006 na galeria Monumental e a A Fonte das Palavras em 2013 na Casa das Histórias Paula Rego. Em 2011 recebi o Prémio Nacional de Ilustração, com o livro Os Animais Domésticos, edições Quarto de Jade. Foi muito importante para mim ter dado aulas, pela reciprocidade que um espaço de ensaio permite quando se procura a afinação de cada um consigo próprio, para comunicar com os outros.

CARDOS MADUROS

A chancela Quarto de Jade tem uma nova publicação em co-edição com a Mundo Fantasma e o Atelier 3/3. Trata-se de uma brochura de 36 páginas, impressa em risografia no Porto, com encadernação manual, numa tiragem de 93 exemplares numerados. A capa é impressa a azul, a página de rosto a burgundy e o miolo a preto e branco com ilustrações de Diniz Conefrey e texto com a colaboração de Maria João Worm.

Cardos Maduros expõe uma reflexão sem tempo. Uma viagem dentro de viagens, exposta em ilustrações. Momentos vividos entre a experiência pessoal e o universo literário de Juan Rulfo. Ecoando nessa multiplicidade, a constatação de vivências sobrepostas, atravessando a narrativa para se encontrarem numa elegia onde os afectos emergem entre a crueza de histórias perdidas.

Disponível na loja do site: http://www.quartodejade.com/shop_books.php

 

 

 

 

Aqui chilreiam  muito, e a casa aberta à luz deixa que o som coincida com o atravessar das tonalidades. Uma casa é um corpo, como a baleia de Jonas, ajuda a perceber que faço parte do corpo maior e que agora habito-o na forma completa do que sou. Toco muitos instrumentos, nem sempre a música é audível. Passo a mão no móvel e ele ressente-se; a balaustrada ronrona. O tecto de madeira guarda o para cima do fundo da lareira de muitos natais. O abat-jour dirige a luz. Este tempo sensível. As cadeiras lembram-se de quase tudo. E os relógios, dois, que se acompanham em ritmo de peregrino. Um puxa pelo outro. Um adianta-se e o outro atrasa-se. Um toca as horas com sonoridade grave, o outro não. Caminham na abstracção de dar a ver a que horas vamos estando por aqui. Como relicários, estão protegidos por vidro e lá dentro o ponteiro de raminho silvestre abriga-se na pequena estufa de uma determinada maneira de ser cumpridor. A corda, o pêndulo. A necessidade do outro. Veios, veias, vale a pena de gaivota escrita tão ligada à vida. Até as moscas pequenas quando pousam no vestido pertencem ao seu padrão. Afinal, o meu vestido refere-se à repetição de moscas e eu, achava que era uma abstracção.

 

HISTÓRIAS GRAVADAS

A livraria Mundo Fantasma abre portas dia 4 de Maio, das 10h00 às 20h00, para mais um Free Comic Book Day, celebrado por todo o mundo no primeiro Sábado de Maio. À iniciativa acrescem outras dinâmicas, organizadas pelo atelier 3|3 e pela livraria, tais como a realização de um Mercado de Edições, dando realce a diversos géneros de edição de autor; a exposição Histórias Gravadas, com pranchas das edições Quarto de Jade (Maria João Worm e Diniz Conefrey); e o lançamento do disco Vida Nova de Manuel Cruz, o segundo álbum editado pela independente Turbina. Haverá ainda lugar para a experimentação de técnicas de carimbagem para um fanzine, numa banca montada para esse efeito. Também haverá oportunidade para aquisição dos últmos exemplares do “Diário Rasgado 2007-2012” de Marco Mendes, com a presença do autor.

A Exposição Histórias Gravadas, inaugura nesse dia com a presença dos autores Maria João Worm e Diniz Conefrey.
A Quarto de Jade ganhou forma com a edição do livro Os Animais Domésticos, em 2011, logo após a edição de Electrodomésticos Classificados. A sua linha editorial deriva da articulação entre a palavra e a imagem emergindo de um sentido poético. Nesta exposição destacam-se desenhos preparatórios, matrizes, tanto em linóleo como em madeira, e provas de estado, referentes ao último livro por nós publicado: Planície Pintada. Também se apresentam uma série de gravuras desafiando a que se pense sobre o que seres sencientes poderão, eventualmente, sentir Nas Lojas que Vendem Animais. Esta exposição estará patente até ao final do mês de Junho.

RIZOMA

Ilustração de Maria João Worm para Áudio-postal de Patrícia Portela e Leonor Barata, 2018

Não sabíamos nada das cores. Respirávamos nas alcovas do desejo com um amor secreto por tudo aquilo que está para vir, com a pureza do mundo que não fora feito pela humanidade. No espanto da solidão caminha-se de mãos dadas. Mãos trémulas, por vozes hesitantes mas que aspiram à finalização da vida que respirada por dentro se transforma. E transforma em quê? A pergunta está deslocada, transforma-se porquê? Porque de súbito renasce a vontade de sentir. Não é aquela luz caduca e fugaz dos espectáculos mas a permanência do verbo que sente e que se altera pela combustão das cicatrizes de tudo o que, por intocável, aspira à libertação do amor.

This is the second, and last part, of Arnoud Rommens esay ‘Deep’ Time in Times of Precarity: Experimental Comics as ‘Dark Matter’. In this edition wee only publish the section regarding the book Meteorologies.

What this poeticization of informational imagery means is unclear: All we can do is offer reading hypotheses. Perhaps Conefrey’s comic is a post-apocalyptic polyphony, confronting us with abstract, speculative landscapes handed down to us from a barren future in which all decoders have become extinct. Perhaps the panels are snapshots of future storms raging for centuries, like those on a lifeless planet like Jupiter, showing the precarity of our current ‘home.’

Whatever we think we understand, what cannot be ignored are the fluctuations in energy of the drawing hand—the ductus, the marks of the graphiator. Not starting from sketches or pencil drawings, the lines are the ‘score’ of improvisations—a ‘jam session’—set directly to ink. Changes in pressure applied to the surface—alternating ‘high’ and ‘low pressure areas’—reveal different moods. The volatility of drawing is further underscored by the fact that they are housed in digitally-drawn panels. The precise, digital lines of the panels contrast with the gesturality that speaks from the ‘wind-choreographies.’

Moreover, the comic is not just the appropriation of a vast databank of scientific imagery. The more angular “Small Worlds” chapter is an appropriation of Vasily Kandinsky’s portfolio Kleine Welten (1922) to the medium of drawing and comics. Although not intended as such by the artist, I see this as a tactical move. As the ‘graphic novelisation’ of a series of artworks by one of the main figures in the history of abstraction, it makes us conscious of the cultural hierarchies that organise cultural institutions. Rather than relegate Kandinsky to the safety of the museum, Conefrey revives his work by taking it as the basis for his visual research. In doing so, Meteorologies emblematises what artist and critic Gregory Sholette has dubbed “dark matter.” Given the comic’s suggestions of a ‘deep,’ cosmic timescale, it seems an apt heuristic metaphor.

As Sholette explains, Astrophysicists describe dark matter (and dark energy) as forming an invisible mass predicted by the big bang theory, yet so far only perceived indirectly by observing the motions of visible, astronomical objects such as stars and galaxies. (…) The gravitational presence of this unseen force presumably keeps the universe from flying apart. (…) Like its astronomical cousin, creative dark matter also makes up the bulk of the artistic activity produced in our post-industrial society. However, this type of dark matter is invisible primarily to those who lay claim to the management and interpretation of culture—the critics, art historians, collectors, dealers, museums, curators, and arts administrators. It includes makeshift, amateur, informal, unofficial, autonomous, activist, non-institutional, self-organized practices—all work made and circulated in the shadows of the formal art world, some of which might be said to emulate cultural dark matter by rejecting art world demands of visibility, and much of which has no choice but to be invisible. While astrophysicists are eager to know what dark matter is, the denizens of the art world largely ignore the unseen accretion of creativity they nevertheless remain dependent upon.

Reading Meteorologies, one could ask the question how much official art owes to comics. Conefrey’s adaptation reveals that Kandinsky’s status is secure within official cultural, as he is a model to be emulated. At the same time, when read as ‘dark matter,’ the comic shows how valuation is arbitrary, how the selection of the few geniuses depends on a multitude of ‘failed’ artists, ‘Sunday painters,’ or artists who deliberately choose circuits of distribution and production outside the institutional frame. At the same time, Meteorologies makes Kandinsky part of the commons, taking him out of a museal context and the hands of the custodians of culture to offer us a counter-Kandinsky, as it were: it offers us a non-academic, more prosaic Kandinsky occasioning playful visual research. As such, the dominant narrative in art history as well as the concept of the Anthropocene and its growing academic discursive output are refashioned into ‘low theory,’ in a semi-autonomous practice. The format of the book is already indicative: originally drawn in a small, 14×9 cm Moleskine sketchbook, the pages were subsequently scanned into a slightly larger format while post-production work was done with widely available image processing software. Meteorologies is a visual theory of the cosmos in small press.

Additionally, as ‘dark matter,’ Conefrey’s comic questions the hierarchy and institutionalisation of comics as a legitimate, sometimes even prestigious cultural expression and the canon-formation that accompanies its entry into academia. Referring to the Anglophone context, Pedro Moura makes the following observation: Art Spiegelman famously complained that comics were ‘below the critical radar,’ but this has changed over the past twenty to thirty years. However, it is my contention that the ‘radar’ has excluded works that could be called ‘experimental.’ It is telling that Hillary Chute, in her article on ‘Graphic Narrative’ in The Routledge Companion to Experimental Literature, discusses many of the usual suspects—Spiegelman, Ware, Bechdel, Barry—without paying attention to more ground-breaking, category-defying work.

It is perhaps only now that we can speak of ‘dark matter’ in the world of comics. Indeed, to what degree do contemporary comics ‘masterpieces’ depend on the exclusion of ‘lesser’works, on more radical experiments sidelined precisely because they do not fit with the emerging model of what worthwhile comics are supposed to look like?