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Posts Tagged ‘Maria João Worm’

Enquanto prepara um novo livro de narrativa gráfica, a ser publicado este ano, transcrevemos uma parte da recensão de João Ramalho Santos ao livro Tu és os meus olhos, de Maria João Worm. Esta resenha foi publicada, originalmente, no Jornal de Letras, em Dezembro de 2021.

«O projecto editorial Quarto de Jade, de Maria João Worm e Diniz Conefrey, fez recentemente 10 anos de edições de qualidade, surpreendentes e inclassificáveis. A mais recente é Tu és os meus olhos, uma magnética obra em registo aparente de livro infantil, mas na qual Maria João Worm tece uma elaborada viagem iniciática (narrativa e de pesquisa gráfica), que oscila entre o mitológico e o pessoal, com toques simbólicos e surrealistas. Para o poder hipnótico do livro muito contribuem duas estratégias. Por um lado, a reinvenção constante de formas, quer citadas e metamorfoseadas em contextos diversos (mãos, diferentes objectos, colunas que podem ser de fumo, vento ou pensamento), quer reconstruídas utilizando diferentes componentes. Por outro, o uso de cores e espaço/fundo em branco (ou negro), nas quais as ilustrações parecem flutuar, ganhando uma qualidade simultaneamente frágil, diáfana e monumental, por vezes completando-se com o fundo, numa ilustração feita também de ausência.»

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A memória como contratempo exercido para que se fixe o que em si, naturalmente, segue em fluxo contínuo. A humanidade consegue fixar, registar. Escreve, faz incisões de gestos e atém. Prende ou, se quisermos, sustém. Julgo que o faz por contraponto ao volátil, tem medo do esquecimento, da morte. Usa as palavras que conjugam as pessoas num lugar de encontro partilhável. Entendível, desincriptável. Criou um modo de dizer que nomeia e, esperançosamente, o faz para que se entenda o propósito do inexplicável. Pode fazê-lo segundo uma tradição oral, ou fixar por inscrição: para ser lida. Duas formas de permanecer no espaço da memória.

Um livro é antes de mais um registo. Um pensamento que, ao apresentar-se para ser lido, supera a ideia de perda através da fixação. Nada garante que quem chega leia do mesmo modo como foi escrito, mas terá decerto uma leitura acertada com cada indivíduo, na sua intimidade. São de imensa acumulação os texto escritos. São demasiados e contudo belos nisso de serem vozes únicas de cada vez que se apresentam.

No caso da oralidade, que passa de uns para outros, fica sujeita a uma escolha e à delimitação do corpo que recebe a informação. Para mim fica mais leve e contemporâneo o que é dito. Será o testemunho do corpo em vida que o saberá fazer, ajustando-o à sua existência em continuação. Um upgrade vivêncial. Tarkovsky disse que os seus filmes seriam feitos apenas por estar em desequilíbrio com a vida, de outro modo a Arte não seria necessária.

Sugiro a leitura do livro «O Homem Livre» de Filipe Verde (Angelus Novus, Editora. Coimbra, 2008). Nele encontrei apoio no que tenho vindo a considerar como importante para sustentar a vida no meio de tantas vozes. Este livro aproxima-se dos Bororo e de como uma comunidade dita “simples” lida com a dualidade. Perante a anarquia da Natureza, onde também os seres humanos estão inseridos, através do corpo compulsivo que corresponde aos apelos da força natural e, ao mesmo tempo, a presença dos aroe: os espíritos que estão abertos à possibilidade de se pensar.

Participando o ser humano nestas duas vivências em simultâneo e interagindo entre elas, cabe-lhe um equilíbrio que decorre de regras segundo uma ética que faz juz à palavra. A palavra aparece como definidora de princípios éticos, que sustentam caudais de comportamento humano equilibrado.

 

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O vôo da cigarra. Maria João Worm 2021.

Em plena época de desmaterialização das imagens e do livro, a Prado e o CPS – Centro Português de Serigrafia – convidaram escritores a reflectir, em parceria com ilustradores, sobre a relação entre a arte e o artesão, sobre técnicas e tecnologias,  querendo tocar em aspectos que passam pelo acesso democrático à arte ou esta no seu âmbito mais convencional. Nesta edição, com o título de Impressões, os editores tiveram como objectivo central olhar e repensar diversas técnicas artísticas de impressão utilizadas no século XXI, algumas das quais seculares e com grande expressão histórica na produção artística. Nomeadamente a serigrafia, a litografia, a gravura em relevo – com uma linogravura de Maria João Worm acompanhando um texto de Mário de Carvalho – a gravura em profundidade e a impressão digital. Depois da anterior parceria para o livro Guia Ler e Ver Lisboa, o CPS e a Prado juntaram-se, uma vez mais, para apresentarem em conjunto uma nova edição, desta feita, no contexto da celebração dos trinta e cinco anos do CPS.

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Este novo livro de Maria João Worm para as Edições Quarto de Jade aborda a passagem, o tempo, a possibilidade, o breve respirar da individualidade que se alimenta e se dá em alimento, segundo a contínua sequência da vida. É como um pestanejo entre mundos, onde circulam fantasmas, que se reinventam através das histórias. Tu és os meus olhos apresenta-se com capa dura, 100 páginas num formato de 21,7 cm x 27,5 cm numa edição de 60 exemplares.

Pergunta Aguk o pequeno inuit que ficou preso no enredo da história que contaram acerca dele: – Para quê, querido Neto, me queres libertar de um papel que conheço e onde me fixaram para me colocares noutro? O Neto diz-lhe: -Entre dois pontos fixos, ocorre a esperança, a breve possibilidade de acertar o gesto particular reconhecendo o que é comum. Então seremos como asas de borboleta sobrevoando o padrão.

Este livro encontra-se disponível através da loja do nosso site: http://www.quartodejade.com/shop_books.php

 

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Hoje entrou na gráfica o novo livro sequencial de Maria João Worm. Deste tempo todo, já que as edições Quarto de Jade assinalam, desde Abril, dez anos de publicações, apresenta-se um novo título que deverá estar disponível em meados de Agosto.

«Se se acorda mais cedo que o dia, fica-se à espera do tempo. Cumprimentam-se os fantasmas já limpos do sangue e dos fluidos, como bebés que voltam para serem entregues às mães. Fino fio que nos cabe em revelação, onde avança sempre a construção do céu. Linhas de crochet que ancoram em velhas toalhas de mesa, algumas sem nódoas de sonhos, imaculadamente tristes.

Assim. Digo. Avança a vida.» https://mjworm.wordpress.com/

 

 

 

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Por convite da organização da Festa de Banda Desenhada – Bruxelas, e com o apoio da Embaixada de Portugal nesse país, Paulo Monteiro, director do Festival de BD de Beja, reuniu 15 autoras de narrativa gráfica para representarem esta expressão, no feminino, durante este evento. Maria João Worm é uma dessas criadoras, cujo trabalho estará patente, abrindo janelas para um outro horizonte.

Maria João Worm was born in Lisbon. The awareness of time took her to the animation cinema at Escola António Arroio. Later, she took a technical-professional course in ceramics. From Sculpture in Porto she transferred to Painting at the Faculty of Fine Arts of Lisbon. She collaborated in magazines, books and newspapers, publishing illustrations and graphic narratives. She has used the technique of linogravure, which considers a happy encounter between sculpture and painting.

From the painting and engraving exhibitions, she  highlight the exhibition “A colecção particular de A”(The private collection of A) at Monumental gallery in 2006,  and “A Fonte das Palavras” (The Source of the Words) at Casa das Histórias Paula Rego in 2013. She received the National Illustration Award in 2011, with the book “Os Animais Domésticos” (The Domestic Animals) published by Quarto de Jade editions. Last year she published the book “Planície Pintada” (Painted Plain), also by Quarto de Jade, with Diniz Conefrey. Her work can be found at www.quartodejade.com

Para mais informações, podem aceder a este link: http://fetedelabd-portugal.com/

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ROUPA EM SEGUNDA MÃO

Tinha-me dito que nunca mais deveria escrever sobre coisas tristes.

A tristeza sabemo-la todos. É um lugar que convida à permanência, uma casinha remendada, pronta a habitar, apta a não construir mais nada a não ser andares iguais, com vista amplamente dirigida para a única mancha de humidade na parede.

Embora cada vez mais sinta que ao não fazer, sendo a forma mais difícil, possa deste modo aceder ao que parece mais incorruptível.

Tinha-me dito que deveria só falar depois de reflectir. Depois de ter um modo claro, ou pelo menos mais esclarecido, para então agir segundo o para lá da escuridão.

E não havendo nada para dizer, manter-me simplesmente no silêncio, com a paciência de um apicultor, mas com a exposição do corpo de uma lesma.

Mas vi uma mancha de luz sentada nuns degraus, a descansar, embora não tenha a certeza se de facto não seria a sombra que a prendia.

No jardim vi rostos de mulheres nos troncos das árvores mais distantes enquanto o verde, varejeiro e natural, com uma breve verdade as respirava.

Troncos bulbosos com crescências, torções que se enforcavam a si próprias, como por vezes nos aparece descrito numa vinha.

Tentei lembrar-me de palavras onde, eu tal como a luz, pudesse descansar, mas a voz respondeu-me vinda dos veios do chão, directamente das lajes empedradas.

Chão humano, de pequenos túmulos justapostos, poços secos e porosos, tapando um fundo ainda vivo como as estrelas.

 

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A consciência do tempo levou-me ao cinema de animação na Escola António Arroio, um gosto  pela sequencialidade, a rima, ouvir e contar histórias,tendência para me encantar com frisos de iluminuras ou letras capitulares.
Depois fiz um curso técnico/profissional de cerâmica: um reencontro com a consequência táctil do gesto e subsequente afinidade com unhas sujas. De escultura no Porto transferi-me para pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa: a questão da luz e a conversa das cores.
Colaborei em revistas, livros e jornais, publicando ilustrações e narrativas gráficas. Tenho usado a técnica da linogravura, para mim é um encontro feliz entre escultura e pintura, nela se acresce o reflexo enquanto poesia aplicada. Das exposições de pintura e gravura destaco A colecção particular  “A” em 2006 na galeria Monumental e a A Fonte das Palavras em 2013 na Casa das Histórias Paula Rego. Em 2011 recebi o Prémio Nacional de Ilustração, com o livro Os Animais Domésticos, edições Quarto de Jade. Foi muito importante para mim ter dado aulas, pela reciprocidade que um espaço de ensaio permite quando se procura a afinação de cada um consigo próprio, para comunicar com os outros.

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No dia 11 de Novembro, Domingo, estaremos pelas 15.30h no auditório do Festival de BD da Amadora para apresentar os livros L’Orso Borotalco e la Bambola Nuda Italiana, de Maria João Worm, e o poema gráfico Nagual, de Diniz Conefrey. A seguir a esta apresentação estaremos presentes para uma sessão de autógrafos, tanto para quem já tenha os nossos livros ou para aqueles que os queiram comprar, neste caso na livraria Dr. Kartoon como na Chili com Carne, ambas presentes no espaço comercial deste evento.

O site Quarto de Jade surgiu da afinidade que Diniz Conefrey e Maria João Worm sentem, apesar de terem expressões gráficas distintas. A Quarto de Jade ganhou corpo como chancela editorial com a edição do livro Os Animais Domésticos, em 2011, logo após a edição de Electrodomésticos Classificados. Em 2013 editamos O Amor Perfeito (um livro que se transforma num objecto, para seguir o ritmo de um pequeno poema) e Os Labirintos da Água (completado pela sequência «A máquina de emaranhar paisagens» com que inicialmente tinha sido pensado). Já em 2014, coeditado entre a Quarto de Jade e Pianola Editores, surge O Livro dos Dias. Nos anos seguintes editamos os livros Histórias Naturais, O Barqueiro com a Palavra Debaixo da Língua, Meteorologias, Nagual e Afluentes de Adobe. Uma das publicações mais recente da Quarto de Jade, de 2018, sobrepõe a ilustração e o cartoon num livro com o título L’Orso Borotalco e la Bambola Nuda Italiana, da autoria de Maria João Worm. Em desenvolvimento encontra-se Planície Pintada, um trabalho de banda desenhada que tem vindo a ser realizado conjuntamente e que será publicado durante o próximo ano.

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Nos próximos dias 14, 15 e 16 de Setembro o Festival de Banda Desenhada de Bruxelas acolherá a exposição “Bande Dessinée Portugaise – 22 Auteurs Contemporains”, organizada pela Embaixada de Portugal em Bruxelas, pelo Instituto Camões de Bruxelas e pelo Município de Beja/Bedeteca de Beja.

Estaremos incluidos nesta apresentação, que é uma visão necessariamente estreita, já que representa uma pequena parte do movimento artístico português nesta área (pranchas de 22 dos mais de 200 autores de banda desenhada a trabalhar regularmente no nosso país).

Também estarão presentes várias editoras portuguesas, como a Quarto de Jade ou a Pianola Editores. Deixamos aqui o nosso contínuo agradecimento ao Paulo Monteiro e o link do Festival:www.fetedelabd.be.

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